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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Acabou o Convívio/Festa de 2018! Obrigado a todos!

Obrigado a todos os convivas que nos honraram com a sua presença, nos dias 23 e/ou 24jun, no Convívio/Festa do São João...
E a todas as pessoas e Entidades que, de qualquer forma, nos apoiaram, ficamos muito gratos.

T-shirt do Raul Alves Sonso, alusiva ao evento.

Veja fotos e descrição na Página 2, além do Facebook, (evento "Convívio do São João" e cronologias de vários Valecarreirenses)...

O próximo está previsto para 26 e 27 de junho de 2021. - (Mais informação na Pág . 13, que estará activa ao aproximar-se o evento...)

O Presidente da Direcção da LAVRAR,
José Luís Dias (Zé Luís)

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Depois do incêndio, a aldeia ficou triste!

O Vale da Carreira foi fustigado pelo tão falado incêndio que começou na Várzea dos Cavaleiros, Sertã, no passado dia 23jul, e que se propagou rapidamente para sul, na direcção dos concelhos de Proença e Mação... Ao final desse dia, durante a noite e no dia seguinte, os poucos residentes portaram-se como heróis ao defenderem a aldeia, evitando que as casas fossem atingidas pelo fogo. Merecem o nosso agradecimento e, sem dúvida, uma homenagem pública...

Há muitos anos, ou talvez nunca, se tinha vivido aqui uma situação tão dramática como esta... Felizmente, não houve habitações ardidas nem acidentes pessoais!

Eis uma pequena amostra da triste situação em que ficou a paisagem:
 


Nota: Agradeço ao João Patrício a cedência das fotos acima. Também são suas estas palavras: "Desta vez foi por pouco. Graças ao Zé, ao Jorge, ao Ramiro, ao João Branco, à Alice e dois amigos lá se salvou a aldeia. À nossa casa valeram os Bombeiros de Proença que passaram na hora certa, apagaram as chamas à volta da casa e seguiram. Obrigado a todos."


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Acrescentado em 02set2017:

Como o António Joaquim Alves descreve a desolação na aldeia:

"Vale da Carreira
são das estevas as cinco chagas de cristo:
brancas, de jade, contrastam com as folhas, os caules
são das abelhas quase todas as flores:
urzes, rosmaninho, alecrim, flores de laranjeira
das minhas, de algumas, agora restam cinzas
são dos lameiros o branco cru do linho que há de vestir-nos,
as margaças amarelas e brancas, as papoilas frágeis, vermelhas
muitas vezes lavrei as terras, invoquei a chuva, fugi do calor,
mondei as cearas, amanheci e anouteci com o sol
à noite a luz era de candeia, a panela de barro a cozer os feijões,
o serão o começo do dia seguinte,
não havia tempo para insónias
eram tempos de milho trigo e centeio, de moinhos a vento,
de nascer e morrer quase sem sair do mesmo lugar
as ruas eram carqueja, tojos, rosmaninho, moitas
eram o adubo para as próximas sementeiras
aprender era feito de experiência, trabalho natural
numa curva da estrada a minha casa, branca de dois pisos,
uma luz sempre acesa, “Nossa Senhora de Fátima”
estive lá ontem, o fogo engoliu o verde da natureza, dos pinheiros
restam as casas quase todas vazias, agora tristes de gente
António Alves
27/08/2017"

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Acrescentado em 24out2017: 

Apresento aqui uma imagem de satélite de hoje, da banda visível, de Portugal Continental, bem elucidativa do que ardeu neste verão. As áreas a escuro (preto) representam os efeitos dos incêndios (com excepção da albufeira do Alqueva)... Note-se que ardeu em locais até ao litoral da zona centro (entre Aveiro e Figueira da Foz e Pinhal de Leiria)!


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Acrescentado em 30out2017: 

Apenas ontem, mais de 3 meses depois do incêndio, passei na aldeia... Confirmou-se o que temia: encontrar uma espécie de "buraco negro", em toda aquela área. A tristeza invade-nos a alma só de olhar para o que se levanta à frente dos nossos olhos. E imaginar o sofrimento dos que, no local, naqueles dois dias (23 e 24jul) sofreram e se debateram com aquele "inferno"!...

No pouco tempo que tive para tirar fotos, eis mais uma amostra do que se pode ainda encontrar:







terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Encontro de Janeireiros realizou-se no dia 21jan, em Proença-a-Nova


"É uma das tradições que ainda se realiza na maior parte das aldeias do concelho de Proença-a-Nova durante o mês de janeiro: de porta em porta, o grupo de janeireiros deseja prosperidade no início de mais um ano, anunciando o nascimento de Jesus e pedindo aos residentes as “sobras” das festas natalícias. “As Janeiras” são cânticos seculares realizados maioritariamente por grupos de homens que, antigamente, percorriam várias aldeias recolhendo cereais, batatas, azeite e enchidos, entre outros bens, que eram depois leiloados na missa de domingo.

Na sua quarta edição, o Encontro de Janeireiros pretende reunir diversos grupos do concelho que cantarão As Janeiras num determinando ponto da vila. A partir das 19h00 deste sábado, 21 de janeiro, realiza-se o percurso entre o Largo Pedro da Fonseca e o Parque Urbano Comendador João Martins com várias paragens para ouvir as diferentes versões destes cânticos. No final, haverá uma pequena atuação dos grupos participantes: além do grupo convidado - Grupo de Montanhismo dos Serviços Sociais da CGD - participam janeireiros das aldeias de Pergulho, Corgas, Vale de Água, Caniçal, Vale da Carreira, Vergão, Cunqueiros, São Pedro do Esteval e Alvito da Beira."

(do Site do nosso Município: http://www.cm-proencanova.pt)

sábado, 14 de janeiro de 2017

Agenda dos Mercados "Os Quintais nas Praças do Pinhal"...

Eis a agenda prevista dos Mercados da série "Os Quintais nas Praças do Pinhal", durante o ano corrente (tendo já decorrido o primeiro, na Sertã, em 08jan):


Acompanhe os eventos na Página 12 ou no Facebook de "Os Quintais nas Praças do Pinhal" (https://www.facebook.com/osquintaisnaspracasdopinhal/?ref=ts&fref=ts)

Nota, em 28jun2017:

A página 12 passou a conter informação mensal de "Os Quintais nas Praças do Pinhal".
Mas estará, por vezes, desactivada. No entanto, os Mercados continuam, seguindo a Agenda apresentada para cada ano...

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Agenda de 2018:

(quando foi gravada a imagem,
metade do ano já estava passado...)

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Acrescentado em jan2019 - Agenda para este ano:


A data do Mercado de Abril, em Proença, foi antecipada para 07 de abril...

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Retrato do Vale da Carreira

Nem a propósito! Como que respondendo ao meu pedido de contributos, aqui vai um texto do António Alves, que espelha a situação da aldeia...

Copiei do Facebook e agradeço-lhe...

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"Vale da Carreira…

Portas e janelas cerradas na solidão de quase não existir vida,
ruas desertas da minha infância quase nuas de paisagem.
Casas afogadas de memórias, com saudades de já não haver domingos.

Não se ouvem vozes de crianças a cirandar pelas ruas quase desertas,
até os pássaros deixaram de ter música.
Nas paredes algumas inscrições ainda recordam nomes de antepassados.

As mães já não geram filhos, os pais estão na velhice, gastos, cansados.
Existe uma paz abandonada, uma tristeza que chora e dói de saudade.

Abro os braços e respiro solidão, lembranças de muitos ontens.
Por entre pedras nuas caminho debaixo dum sol que frita os ossos.

Que me importa este silêncio se até o chão e o vazio falam comigo?

António Alves
28/09/2016

Foto - António Alves."



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Brinquedos de papel, madeira, etc.

     Nos tempos em que era miúdo, na aldeia, costumávamos passar largos períodos de tempo entretidos a fazer os nossos próprios brinquedos.

     Os materiais iam da madeira ao papel, passando pelas folhas de milho, de azinheira, de esteva, junco, arame, etc.

    Contudo, o papel era o mais usado. Com ele fazíamos nomeadamente aviões, barcos, moinhos de vento, pombas, "quantas-queres?" (ou "tira-piolhos"), etc.

     Eis alguns exemplos:






     Mais tarde, apresentarei outros brinquedos feitos de outros materiais...

sexta-feira, 20 de março de 2015

O Eclipse do Sol do dia 20mar2015

     Quem viu o Eclipse do Sol, esta manhã, entre as 08 e as 10? A luz solar esteve bastante esvanecida, parece que havia uma forte neblina/bruma no ar!... Em Portugal, apenas um pouco mais de 70% do Sol ficou eclipsado. Mas numa faixa que vai do sul da Gronelândia até ao norte da Noruega, foi Eclipse Total.

     Para os que viram ou não, aqui vai uma amostra:



Nos dois esquemas anteriores, a vermelho as zonas do Eclipse Total.


E a sombra visível nesta imagem de satélite sobre a Europa e Atlântico Norte:


PRÓXIMOS GRANDES ECLIPSES:

Os próximos eclipses do género (do Sol), totais ou com maior percentagem que o referido (ou seja, quase totais), a serem presenciados em Portugal, ocorrerão em 12ago2026 e 02ago2027. Mas, em 26jan2028, teremos um Anular/Anelar, na parte Sul do país... Esperemos para ver se ficamos quase às escuras! Eis as suas zonas de cobertura:

12ago2026
(melhor zona para presenciar o evento: Trás-os-Montes)

02ago2027
(melhor zona para presenciar o evento: Algarve)

 26jan2028
 (zona onde será visto como Anular: Baixo Alentejo e Algarve)



quinta-feira, 19 de março de 2015

19 de Março: é "Dia do Pai"!...

     Hoje é "Dia de São José" e "Dia do Pai": é altura para recordar os nossos pais, em especial aqueles que já nos deixaram...

     Leia o que escrevi, de forma breve, na Pág. 4 - HOMENAGENS... (http://vale-da-carreira.blogspot.pt/p/homenagens.html) e, se desejar, deixe o seu comentário...

     Um bom dia para todos os pais deste Mundo!...

domingo, 30 de novembro de 2014

O canto da lenha (noutros tempos - cont.)

     Todas as casas da aldeia tinham (e continuam a ter) lareira, visto haver necessidade de aquecer a casa e seus habitantes, nos tempos mais frios, bem cozinhar alimentos para pessoas e alguns animais domésticos...

     A matéria combustível usada na fogueira compreende: para iniciar a chama, risca-se/acende-se um fósforo ou sopra-se uma brasa da fogueira anterior, que inflamam uma carqueja (ou mesmo palha, papel, pinha, etc., quando não há carqueja seca); depois, uns paus miúdos e, por cima disso, a lenha mais grossa, desde esteva a torga, azinheira, oliveira, etc.

     De salientar que, antigamente, os fósforos eram mais escassos, não se podia (no salazarismo) usar isqueiros. E, para colmatar isso, era frequente as nossas mães/avós irem perguntar às vizinhas se lhes podiam dispensar alguma brasa que restasse das suas fogueiras anteriores (ou se já as tivessem aceso antes). Isto apesar de ser muito habitual, ao findar do serão, as mães acondicionarem  debaixo da cinza algumas das melhores brasas que ainda havia, para as tentarem manter até de madrugada...

     Ao lado da lareira, havia sempre um canto da lenha. Era o local, num canto da cozinha, onde se colocava a lenha que iria ser queimada. Não era a grande (ou maior) reserva de lenha que se tinha. Essa era guardada num canto da cabana ou num curral seco, onde, no final do Verão ou começo do Outono, se amontoava, principalmente a mais grossa, para ser usada nos meses mais frios...

     Numa linguagem meio português meio espanhol, contavam os nossos pais que, no tempo da guerra civil em Espanha (1936-39), em que muitos espanhóis se refugiaram em Portugal, alguns escondendo-se dos seus rivais, diziam uns para os outros: "Se te vas a Portugal, não te ponhas en el "canto da lenha", porque está lá o portuguesito que está siempre a decir: "mete lenha, mete lenha"."

     Utensílios indispensáveis, para se usar com a lareira: a tenaz, a pá, o abanico (abano), a vassoura, a grelha, os trempes (tripé), etc.


A seta indica o canto da lenha...
Encostadas à lareira, estão a tenaz e uma grelha.

domingo, 3 de agosto de 2014

Aí estão as canículas (primeiros doze dias de Agosto)...

     Alguém se lembra de ouvir os seus pais, avós ou vizinhos falar das canículas? Eu lembro. E vou explicar do que se trata.

     Diziam os antigos que os primeiros dias de Agosto de cada ano "arremedavam" o tempo do ano seguinte!  Isto é, acreditavam eles que o estado do tempo nos primeiros 12 dias de Agosto daria uma indicação genérica do tempo que iria estar no ano seguinte. Agricultores, pastores, pescadores, etc. tinham necessidade de projectar (prever/antever) o que iria acontecer...

     Cada dia corresponderia a um mês. O dia 1 indicava o tempo em Agosto (o primeiro dia era guardado para si); o dia 2 arremedava Janeiro; o 3, Fevereiro; etc. Consoante o tempo que estava ao longo do dia (pela manhã, à tarde e à noite), assim iria ser o mês correspondente, no ano seguinte. Esta era a correspondência:

1 - ago
2 - jan (O jan. de 2015 seria chuvoso. Aqui poderá dar certo!!!)
3 - fev
4 - mar
5 - abr
6 - mai
7 - jun
8 - jul
9 - set
10 - out
11 - nov
12 - dez

     De notar que, de zona para zona do país (penso que mais na parte sul), havia algumas diferenças na distribuição dos dias...

     Isto deixa logo antever o rigor ou a veracidade da tal correspondência! E a tão grande distância!? Evidentemente que, com os conhecimentos de hoje em dia, que são aceites numa base científica, a previsão dos elementos do tempo (ou clima) não pode ser vista da mesma forma de antigamente... Até a designação de "fenómenos" meteorológicos deixava a ideia de que não se sabia a origem ou razão de ser dos estados do tempo... Tudo isso mudou. 

        No entanto, para que os mais novos saibam algo mais do nosso passado, aqui ficou esta descrição...

sábado, 26 de julho de 2014

Desafio... (Editado em 15fev2017: Nova foto das Tulhas do Lagar - Ver nomeadamente a pág. 11... Obrigado.)

Hoje lanço aqui um desafio a todos os valecarreirenses: vamos ver quem tem as fotografias mais antigas da aldeia, dos costumes, dos nossos antepassados, etc. Querem colaborar? Cedam-mas, enviando para o meu mail... (Ou publiquem no Facebook, etc., onde eu as possa ver e copiar) Obrigado.

Colocá-las-ei aqui, por ordem de antiguidade (se souberem o ano/anos, tanto melhor...). Para começar, vejam:

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No casamento do Raul Sonso - 22out1962:


As Tulhas do Lagar, em 1963 (Créditos: Museu de Etnologia e Benjamim Pereira):


Matança do porco, no Covão, nos anos 70:


A debulha dos cereais, na eira, em 1974:


A aldeia em 1976:


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Notas: - Até agora, a foto mais antiga é de 1940-1950;
- Estas e outras fotos podem ser também encontradas noutros artigos, nomeadamente:

http://vale-da-carreira.blogspot.pt/p/fotos-antigas-familias-eventos.html
http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/07/paisagens-do-vale-da-carreira-em.html
http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/03/matanca-do-porco.html
- http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=1&REGPAG=50&CRITERIO=MES%c3%83O+FRIO&IDFOTO=84513
- ...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Um retrato da minha aldeia.

Com a permissão do António Joaquim Alves (poeta e pintor), publico um post seu do Facebook. Nele se espelha bem a realidade não só desta mas de muitas terras, nomeadamente do interior... Repare-se nos termos usados e seu simbolismo (vazio/as, velhos, abandonado, inútil, silêncio, deserto/a, fogo, cinzas, morte)... Por isso, há que meditar!

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"No serpentear da estrada algumas casas
a maioria vazias
ou habitadas por velhos.
Um pontão caiado de branco
uma barroca seca
um ribeiro abandonado
um moinho inútil, parado.

Terras incultas
pinheiros e eucaliptos no lugar das cearas
alguns animais
javalis, raposas e gatos
o silêncio marcado pelo vazio da vida
a estrada deserta.

Só o fogo teima em voltar
neste deserto quase vazio.
Ano após ano incêndios, cinzas e pó.
Quase morte.

António Alves
24/06/2014"

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NB: Não se esqueçam de visitar o blogue deste nosso poeta/pintor - http://leiriartes.blogspot.pt/
ou o seu facebook: https://www.facebook.com/pages/Poesia-Alma-Cor/597297627056391?fref=ts

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cuidado com o maio!

     Havia uma superstição (e tradição) antiga, na nossa aldeia, que dizia que, mal chegasse o mês de Maio, não se devia ficar na cama até tarde! Ou seja, pelo menos no dia 1, todos tinham de se levantar cedo (antes do nascer do sol), pois, caso contrário, o tal bicho maio podia entrar-lhes pelo rabo!!!

     Percebe-se a intenção: como os dias começam a ficar mais quentes, é pela madrugada (pelo fresco) que se devem fazer prioritariamente os trabalhos do campo, logo toda a gente deve começar a levantar-se cedo...  




Eis um maio, no seu ambiente e ampliado...

Já quanto ao mês de Maio ou outros, leia ainda o que sobre eles dizem os provérbios...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de ABRIL, sempre!

     Há que revigorar o espírito do 25 de Abril!... Pois, 40 anos depois já é tempo de fazer uma boa avaliação... Muito falta fazer ou dar um ajuste em certos aspectos... Cada um que se interrogue, confronte os políticos, e faça valer os seus direitos... Não se esqueça também dos deveres...


     VIVA o 25 de Abril!!!

domingo, 29 de dezembro de 2013

Vale da Carreira - "post" do António Alves, transcrito do Facebook


"Vale da Carreira

Poucos sabem da minha aldeia
Poucas ruas
Uma estrada e uma fonte
Uma paisagem de casas vazias.

A vida quase acabou
A estrada está quase morta
Até a ribeira secou.

Já poucos sabem dela
Sumida
Longe de tudo.

No meu tempo de criança
Foi o meu reino
A capital do mundo

Enorme como os meus sonhos.

O tempo passou.
Os sonhos não morreram.
A minha aldeia continua lá.
Eu estou vivo.
Amo…
E,
Amo a aminha aldeia.

António Alves
29/12/2013"

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Conservação de uvas, marmelos, cebolas, etc. (dependurados pela casa...)

     Antigamente, uma forma de conservar uvas, marmelos, etc., passava por dependurá-los no tecto da sala, despensa, adega. Depois de feita a vindima, alguns cachos de uva eram seleccionados para o efeito, ficando dependuradas durante mais 2 ou 3 meses (até cerca do Natal). Era natural que, gradualmente, os bagos começassem a secar, dando um sabor cada vez mais adocicado à uva.

     O mesmo se passava (ou passa ainda) com as cebolas e alhos. Estes por vezes ficavam fora de casa (na cabana ou num anexo).

     As uvas e os marmelos ficavam presos por um cordel ou ráfia, ligeiramente afastados do tecto, para evitar o acesso dos ratos. Já as cebolas e alhos eram aglomerados em forma de trança e assim ficavam dependurados. 

(arranjar fotos)

domingo, 21 de abril de 2013

Noutros tempos: a ribeira do Vale d'Anta, a azenha, os pastores e as cabras...

Mais uma colaboração do António Alves. Obrigado, grande poeta e pintor. Aproveitem para espreitar o seu blogue, ainda na fase inicial: Leiriartes (http://leiriartes.blogspot.pt).


"Tempos "Idos" a ribeira do Vale D'Anta e a Azenha... os pastores e as cabras...

...

Meio Dia…

O sol aquece
e esquece a sombra
que parada dorme
na solidão das horas.

O gado descansa
debaixo da árvore
que abrasada esconde
e mata o sol.

No silêncio da água
quente, parada
a rã saltitona
entra nos juncos
e canta afinada 
um som dormente.

Os frutos maduros
dão vida ao pastor;
o cão acordado
aguarda a partida.

As ervas crescem,
a vida renova-se 
na minha ribeira.

O moinho parado
relembra outros tempos.
O verão e as cabras.
A sesta e os pastores.

António Alves
20/04/2013"

domingo, 24 de março de 2013

A Semana Santa e as Endoenças.


     Designa-se por Semana Santa a que vai do Domingo de Ramos (este ano precisamente hoje) até ao dia de Páscoa. É um período rico em cerimónias religiosas, principalmente na Quinta-Feira, dia da Paixão de Cristo. Os diversos serviços (ofícios) religiosos desse dia eram (são) designados por Endoenças. 

     Não havia nas nossas aldeias quem não fosse à vila (Proença) assistir às Endoenças. Para os mais novos, significava ainda (ou principalmente) o receber dos pais e/ou padrinhos as amêndoas da Páscoa. As variedades eram poucas e não havia ainda a tradição dos ovos da Páscoa. As de chocolate e as torradas ainda não existiam. Em alguns estabelecimentos, chegava a haver um aglomerado tão grande de gente a comprá-las!...


     Saliento as cerimónias no interior da Igreja Matriz (Paixão de Cristo) e a procissão dos passos ou do encontro, no Largo da Devesa. Aí era feito um grande sermão. Na Sexta-Feira Santa, à tarde, havia ainda a procissão do enterro.

     Quanto ao tempo para esta semana, confirma-se o ditado ou crença dos nossos antepassados: "a Semana Santa gosta muito de chuva"!...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mais imagens do temporal (ciclone) daquele sábado (em vídeo)...

     À experiência, aqui vai o meu primeiro vídeo do blogue. Pretendo mostrar vários efeitos do mau tempo daquele sábado (19jan2013) através de imagens elaboradas por mim ou recolhidas de diversos sites... Vejamos se sai bem!...


     Veja acima a sequência de imagens: avisos, o ciclone antes de entrar no Minho, o seu trajecto estimado, destruição em terra e no mar, bem como perturbações na aviação...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Noutros tempos (4 - cont...)

10. O rebanho: buços e barbilhos; o nosso queijo típico (de cabra e/ou ovelha)

     Desde pequeno que me lembro dos meus pais terem algumas cabras (a princípio também algumas ovelhas), o mesmo sucedendo com praticamente todas as famílias da nossa aldeia. Cada um ia guardando o seu pequeno rebanho (quase sempre menos de 5 ou 6 cabeças), normalmente isolado do gado dos vizinhos.

     Os nossos pais tratavam dos campos e desse gado, com a ajuda dos filhos, aos fins de semana e noutros tempos livres da escola, pelo que iam pastorando mais em redor das suas propriedades. Mas juntavam-se os animais quando era preciso. Por exemplo, quando falecia alguém duma família...

     Por isso, foi fácil a certa altura (por volta de 1970) constituir um rebanho único da aldeia, com pastor próprio. Como consequência, aumentou o número de cabeças de gado na aldeia, com alguns a possuírem mais de 10. A par do gradual abandono de cultivo dos campos que se verificou e do aumento de mato, foi possível o gado pastorar até mais longe da aldeia...

     A situação manteve-se apenas por cerca duma década: creio que foi por começar a haver falta de pastores ou por eles quererem ganhar além do que era rentável pagar-se. Então, foi decidido continuar com o rebanho único, mas cada dia o guardava uma família, em sistema de rotatividade... Eu próprio cheguei a ir o dia inteiro pelos campos, quando estava de férias ou de fim de semana na aldeia. Só não era agradável quando estava mau tempo!

     Em qualquer dos casos, dado haver muita diversidade de pasto natural pelos campos (apenas escasseava na parte final dum ou outro verão), sempre os queijos caseiros feitos na nossa aldeia se mostraram muito saborosos e apreciados. Também era devido ao modo paciente e cheio de experiência de todo o processo de fabrico (uso de cardo para coagular/colhar o leite, o cincho/acincho de alumínio, o processo de cura e secagem, a conserva em talhas/potes de azeite, etc.).

     O queijo tanto podia ser só de cabra como de mistura (com leite de ovelha, se as houvesse). Enquanto os cabritos (e borregos) eram muito jovens, não se ordenhava as suas mães para fazer queijo. Mas, à medida que eles iam crescendo, iam sendo desmamados (desabituados de se alimentarem só de leite). Começava-se por lhes ir dando umas folhas de hortaliça, enquanto ainda ficavam sem acompanhar o rebanho. Depois, colocava-se-lhes na boca um barbilho (pedaço de pau trabalhado, seguro aos cornos, que possibilitava comer mas não agarrar/chupar nas tetas) ou um buço (pano a tapar a boca). Desse modo se ia começando a aproveitar o leite para fazer o queijo. Passados uns tempos, os cabritos eram vendidos, mortos, ou desabituavam-se do leite.

     Quando se fazia o queijo, ao ser apertada a coalhada/colhada no cincho, sobrava aquele soro (almece) tão apreciado por nós para comer com pedaços/sopas de pão! E se ainda contivesse algum "borreguinho" (pedaço de colhada), então ainda melhor. Comia-se fresco, com ou sem açúcar ou mel... Que saudades!!!

     Presentemente, quase não há gado na aldeia: creio que apenas 2 famílias ainda têm cabras. Tudo muda, mas os queijos que fazem continuam de qualidade...

     Sobre o assunto, muito mais haveria a dizer, talvez noutro artigo adiante... Se alguém se habilitar a escrever, faça favor. Prometendo colocar mais alguma foto, no futuro (sobre queijo, cincho, barbilho...), aqui deixo uma dum rebanho ainda existente (em 2004, tal como agora):