Mostrar mensagens com a etiqueta Tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tempo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 14 de outubro de 2018

No rescaldo de Leslie: Depois da tempestade, a bonança...

Hoje, 14out2018, é domingo, dia calmo e sereno! Dia de bonança, que se segue a um dia muito agitado, de tempestade!

O Furacão Leslie, que desde 23 de setembro vagueava entre a Bermuda e os Açores (fig. 1), cerca do dia 9 ou 10out (fig. 2), ganhou intensidade e começou a tomar um rumo mais certo, na direcção ENE (es-nordeste), ameaçando atingir território português. Felizmente, de 12 para 13out, passou bastante a Sul dos Açores, depois aproximou-se do Arquipélago da Madeira, na manhã do dia 13, passando um pouco mais longe do que era esperado, cerca de 300 km a Norte. Mesmo assim, provocou ainda algum vento e ondulação - (fig. 3 e 4).

A sua velocidade ia aumentando e, apesar de se mover sobre águas mais frias, não se dirigia para a zona das Ilhas Canárias, antes continuava mais na direcção NE (nordeste), de tal modo que ao final do dia 13 atingiu a costa do Continente português, já como tempestade tropical, embora com ventos ainda característicos de furacão cat. 1 - (fig. 13).

Quase todos os cenários apontavam, de início, para que atingisse com intensidade a Madeira e se dissipasse na zona das Ilhas Canárias... Mas o seu trajecto, numa área não comum para estes ciclones, foi sendo sucessivamente revisto, cada vez se deslocando mais para o Norte do país, desde o Algarve até à zona de Lisboa, depois entre Peniche e Figueira da Foz (fig. 5 a 8)...

Acabou por entrar em terra na zona da Figueira da Foz, entre as 22 e as 23h. Aí, bem como na margem esquerda do Rio Mondego e Soure, provocou os maiores estragos (fig. 9 a 12).

Nas horas seguintes  foi perdendo actividade, mas deixando ainda vestígios nos distritos de Coimbra, Viseu, Vila Real e Bragança... De um modo geral, todo o litoral desde a foz do Tejo até  Aveiro acabou por ser afectado!

Na fig. 14, apresenta-se o trajecto completo deste Furacão, que esteve activo durante 21 dias, um dos mais duradouros e erráticos de sempre (o Furacão John durou 31 dias, o máximo atingido conhecido!)...

Em 1998, 2005 e 2017, Portugal Continental tinha já sofrido com ciclones topicais. Os Açores têm sido sempre mais sujeitos a estes acontecimentos (nos últimos 45 anos, foram assolados ou ameaçados cerca de 35 vezes! - Veja, na barra lateral deste blogue: Portugal e os Ciclones Tropicais). Tal como o Continente, também a Madeira muito raramente é afectada. Parece que o foi, e severamente destruída, no longínquo ano de 1842. Ao que parece, esse evento ainda atingiu o Algarve. - (Note-se que o muito falado Ciclone de fev/1941 não tinha as características de ciclone tropical, mas sim de uma intensa depressão das latitudes médias).

Aparentemente, estamos cada vez mais a ser atingidos por estas calamidades! Efeitos das alterações climáticas???

Acrescentado, em 16out: as fig. 15 e 16 apresentam, respectivamente, o vento máximo (rajadas) e a precipitação total do dia 13out (nas estações automáticas da rede do Instituto Português do Mar e da Atmosfera  - IPMA - do seu site). Os ventos foram bem significativos nas zonas próximas do centro da tempestade/depressão, tendo-se, na Figueira da Foz, atingido o máximo alguma vez registado em Portugal Continental (rajada de 176,4 km/h). Em Aveiro, Coimbra e Caramulo, foram registadas rajadas de 120 km/h, 122 km/h e 140 km/h, respectivamente. Já a precipitação foi bastante inferior ao esperado...

Fig. 1

Fig. 2

Fig. 3 - O furacão Leslie a N da Madeira

Fig. 4 - Ondas enormes na costa Norte da Madeira

Fig. 5

Fig. 6

Fig. 7

Fig. 8

Fig. 9

Fig. 10

Fig. 11

Fig. 12

Fig. 13 - Imagem de radar meteo., cerca de 40 min. antes de atingir terra

Fig. 14 - trajecto total do Furacão Leslie

Fig. 15 - Vento máximo (rajada)

Fig.16 - Precipitação total

Nota: imagens ou fotos obtidas do IPMA, Correio da Manhã, Diário de Notícias, TVI,  NOAA, Wunderground.com, Facebook. - (Para melhor definição, clique nas imagens)

domingo, 3 de agosto de 2014

Aí estão as canículas (primeiros doze dias de Agosto)...

     Alguém se lembra de ouvir os seus pais, avós ou vizinhos falar das canículas? Eu lembro. E vou explicar do que se trata.

     Diziam os antigos que os primeiros dias de Agosto de cada ano "arremedavam" o tempo do ano seguinte!  Isto é, acreditavam eles que o estado do tempo nos primeiros 12 dias de Agosto daria uma indicação genérica do tempo que iria estar no ano seguinte. Agricultores, pastores, pescadores, etc. tinham necessidade de projectar (prever/antever) o que iria acontecer...

     Cada dia corresponderia a um mês. O dia 1 indicava o tempo em Agosto (o primeiro dia era guardado para si); o dia 2 arremedava Janeiro; o 3, Fevereiro; etc. Consoante o tempo que estava ao longo do dia (pela manhã, à tarde e à noite), assim iria ser o mês correspondente, no ano seguinte. Esta era a correspondência:

1 - ago
2 - jan (O jan. de 2015 seria chuvoso. Aqui poderá dar certo!!!)
3 - fev
4 - mar
5 - abr
6 - mai
7 - jun
8 - jul
9 - set
10 - out
11 - nov
12 - dez

     De notar que, de zona para zona do país (penso que mais na parte sul), havia algumas diferenças na distribuição dos dias...

     Isto deixa logo antever o rigor ou a veracidade da tal correspondência! E a tão grande distância!? Evidentemente que, com os conhecimentos de hoje em dia, que são aceites numa base científica, a previsão dos elementos do tempo (ou clima) não pode ser vista da mesma forma de antigamente... Até a designação de "fenómenos" meteorológicos deixava a ideia de que não se sabia a origem ou razão de ser dos estados do tempo... Tudo isso mudou. 

        No entanto, para que os mais novos saibam algo mais do nosso passado, aqui ficou esta descrição...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Voltemos a falar do tempo: no mês "seca fontes", vem aí a chuva! (E chegou em grande, mas sem estragos...)

O mês de setembro é mencionado num ditado popular como "seca fontes" ou "leva pontes"... Sobre isso, já escrevi em anterior publicação (artigo/mensagem), de 28out2011.

Este verão está a ser realmente seco: há muitas zonas do país onde não chove desde meados de junho... E o calor também dominou, embora não tivesse havido grandes "vagas de calor". Em apenas um período (1.ª semana de julho), as temperaturas se aproximaram ou ultrapassaram os 40 graus, especialmente no interior, como é habitual (Beja e Castelo Branco - 41; Lisboa e Coimbra - 39; Porto - 38). Por volta de 19/23 de agosto, as temperaturas voltaram a estar altas no interior das Beiras, no Baixo Alentejo e no Algarve (Beja - 41; Castelo Branco - 40; Faro - 37).

Em consequência da secura e calor, este ano voltou a ser de muitos e grandes incêndios, calamidade a que devemos estar sempre atentos (assunto também tratado anteriormente)...

Segundo as mais recentes previsões/antevisões, na próxima semana (última do mês) a chuva vai aparecer, finalmente! Não se descarta a possibilidade de, no fim de semana das eleições, ser por vezes forte (o "leva pontes"?!)... Esperamos que não haja estragos...

(Parece que não houve grandes estragos, apesar de os totais de precipitação terem sido altos: entre 24/25set e 03out, caíram entre 70 e 75mm, em Lisboa; e pelo menos entre 100 a 150mm, em muitas zonas do N./C.)

------
Actualizado em 21set e 03out.

sábado, 9 de março de 2013

O TEMPO: tornados recentes...

     Devido a muita instabilidade atmosférica, com condições para a formação de trovoada, rajadas de vento e queda de granizo, ocorreram fenómenos muito localizados de tornados ou trombas de água, no Norte do país, no dia 9mar (sábado), no Porto, Caminha e Póvoa de Varzim.

     Junto fotos obtidas da internet, dos dois primeiros. Como o último ocorreu de noite, não há imagens.

     Na Foz, Porto (foto de Daniel Camacho - http://www.danielcamacho.net)

Em Caminha - Foto de A Bola (http://www.abola.pt)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Outra vez neve...

     Chama-se a atenção para um agravamento do estado do tempo a partir da manhã do dia 27fev e até meio do dia 28. É de salientar que vai haver grande possibilidade de queda de neve, mesmo em locais muito baixos e até perto do mar. As serras mais altas (todas as habituais do Norte e Centro, mas também outras do Centro e Sul - Montejunto, Sintra,  S. Mamede, Monchique/Caldeirão) serão notoriamente afectadas... 

     A cota de neve vai ser muito baixa! Logo, pode haver precipitação sólida (neve ou granizo) em qualquer local. Os vários modelos de previsão concordam nesse sentido.

     A questão da maior ou menor extensão do "manto branco" vai depender das horas a que se verificar a precipitação: há maior probabilidade de ser para a tarde de 27 e na madrugada de 28, começando pelo N./NE.

     Depois de em 2006 (29jan) e 2010 (10jan), parece que a neve vai voltar a deliciar (e deliciou!) muitos portugueses, em zonas onde este acontecimento não é frequente...

     Afinal, nas aldeias mais baixas da nossa zona acabou por não chegar a neve, embora tenha aparecido com força em muitas zonas mais interiores (inclusive Alentejo)... Mas os pontos mais altos foram contemplados, como se pode ver por estas imagens da Serra das Corgas, gentilmente cedidas pelo amigo Prof. António Manuel (dos Vales - Este é o seu blogue: http://terrasdopolome.webnode.pt):



-----
Actualizado em 02mar2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mais imagens do temporal (ciclone) daquele sábado (em vídeo)...

     À experiência, aqui vai o meu primeiro vídeo do blogue. Pretendo mostrar vários efeitos do mau tempo daquele sábado (19jan2013) através de imagens elaboradas por mim ou recolhidas de diversos sites... Vejamos se sai bem!...


     Veja acima a sequência de imagens: avisos, o ciclone antes de entrar no Minho, o seu trajecto estimado, destruição em terra e no mar, bem como perturbações na aviação...

domingo, 20 de janeiro de 2013

O mau tempo do sábado, dia 19jan2013...

     "Depois da  tempestade vem a bonança", diz o provérbio. E confirmou-se: tivemos hoje um dia com pouco vento, embora ainda com chuva...
     
     O dia 19jan2013 fica marcado por um temporal enorme, de norte a sul, com muitos prejuízos contabilizados ou a contabilizar ainda. Apresento aqui alguma informação sobre o que aconteceu. Provavelmente, no futuro surgirão informações mais rigorosas sobre a situação vivida neste terrível dia de sábado, em Portugal Continental... (Por isso, estes dados não têm grande exactidão ou rigor. Tal poderá suceder nos estudos que o IPMA - "ex. IM" -  venha a realizar/divulgar...)

     A aproximação e passagem duma depressão intensa, na fase de "ciclogénese explosiva" (com pressão atmosférica em rápido cavamento/decréscimo), vinha sendo prevista nos diversos modelos de previsão... Embora a situação tenha ainda sido um pouco mais severa do que indiciavam a generalidade das previsões/modelos (nalguns casos, o erro foi de quase 10 hPa), suponho que não houve maiores fatalidades pelo facto de os avisos meteorológicos e da Protecção Civil terem sido atempados... (Ou ainda pelo facto de ter ocorrido num fim de semana - ?! -...)


Avisos do IPMA.

     Ainda assim, há a lamentar 1 morto, vinte e tal feridos, quase 50 desalojados e imensas situações de destruição, tanto em terra como na zona costeira. Vários voos foram afectados com atrasos e aviões divergiram para outros aeroportos. No mar, vários navios encalharam ou naufragaram... Basta ler/ouvir os "media". Ao que parece, a Autoridade Nacional de Protecção Civil registou mais de 8.000 ocorrências!... 


Problemas no ar, em terra e no mar (fotos Sapo.pt, asbeiras.pt e local.pt)

     Poderemos falar dum ciclone? Sem prejuízo de novos dados e revelações que venham a ser feitos pelas autoridades competentes, eu considerá-lo-ia como tal. Desde fevereiro de 1941, que Portugal Continental não era atingido por uma depressão com valor tão baixo. O centro penetrou no Minho ao princípio da manhã e deslocou-se de WNW para ESE, atravessou a região do Douro, tendo entrado em Espanha ainda antes do meio dia...


Trajecto estimado do ciclone.

     Comecemos por ver a imagem do satélite de órbita polar NOAA-19, das 02:28 do dia 19 - (a letra L indica a posição de Lisboa, aprox.):


     Já nessa imagem se notava o típico formato (gancho) das depressões em cavamento rápido (também conhecido por "ciclogénese explosiva"). E daí até às 06 horas, acentuou-se o centro-imagem do ciclone. A partir daí, começou a mistura de massas de ar no centro e a depressão deixou de cavar.

     Em termos de vento, o máximo de actividade sentiu-se ao longo da manhã, com muitas rajadas entre os 100 e os 140 km/h. A precipitação mais intensa verificou-se durante a noite e atingiu valores apreciáveis (entre 40 e 70 mm, em 12 horas). A seguir estão imagens de satélite que mostram o evoluir e deslocação do mesmo, de 6 em 6 horas.

00 H

 06 H

 12 H

18 H

     Estes ciclones extra-tropicais não têm as mesmas características dos tropicais, mas deixam bem a sua marca, principalmente com ventos fortes a muito fortes  e com rajadas violentas, quando o gradiente da pressão é muito grande. No presente caso, a diferença de pressão entre o Minho e o Algarve chegou a ser de cerca de 25 hPa, enquanto que na maior parte das depressões ou vales depressionários que nos atingem, costuma ser da ordem de até 10 hPa. Por tudo isto, não me recordo de ter observado uma depressão tão forte a atravessar o continente. A pressão reportada no Porto/Pedras Rubras, às 07h e 07h30, foi de 969 hPa! Mas no seu centro, quando atingiu o Minho, os valores foram ainda inferiores. Estimo que o seu valor mais baixo tenha sido entre as 06 e as 08 horas, com cerca de 966/967 hPa - (O IPMA registou 968,2 hPa em Viana do Castelo).

Imagem satélite da Univ. Wisconsin-Madison (CIMSS).
Gráfico da pressão em Pedras Rubras, do site do IPMA.

     Eu apenas tinha passado por uma experiência semelhante a esta. Nos Açores - creio que em fev1989 - uma depressão tão explosiva como esta, atravessou o Grupo Central do arquipélago com tal violência que, na Base das Lajes, a pressão atmosférica foi de cerca de 955 hPa...

(Um dia ainda vou colocar aqui dados daquela depressão...)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ande o frio por onde andar...

     Lembrei-me hoje de escrever sobre o ditado popular (provérbio) muito conhecido "Ande o frio por onde andar, no Natal cá vem parar".

     Uma das razões que me levaram a escrever sobre isto tem a ver com o tempo relativamente ameno que temos tido desde o final do verão. De facto, tivemos setembro e a primeira parte de outubro com tempo seco e temperaturas bem acima do normal. Depois choveu bastante, no final de outubro. E mais recentemente, a chuva voltou a afastar-se: desde 22nov até 09dez não choveu; depois choveu pouco de 10 a 16dez...

     Assim, o tempo frio quase ainda não apareceu. Nas regiões do litoral ou próximo, ainda as temperaturas não baixaram dos 6 a 8 graus e, no interior, apenas em alguns pontos mais altos e no interior das Beiras e Trás-os-Montes, a temperatura já foi negativa... É normal, em quase todos os anos, por esta altura em minha casa já se ter acendido a lareira, mas este ano ainda não foi preciso!...

     Sabe-se que a natureza (plantas, animais...) agem em função dos valores do tempo/clima. Com este tempo ameno e incaracterístico, algumas árvores, plantas, vegetação rasteira, etc. ficaram "baralhadas": foi como se estivessem já na primavera! Vejam aqui umas fotos, tiradas entre os dias 22dez e 22jan, em Massamá:

 
 Uma figueira, que já há semanas começou a ganhar folhas e figos!...

Uma acácia pujante, quase a florir...


Laranjeiras em flor...

 Alecrim em flor e ervas em crescimento, sem sinais de frio...

Ervas e arbustos floridos por todo o lado...

     Mas este tempo ameno não vai continuar, pois, como diz o ditado a que se faz referência, vem aí um maior arrefecimento, pelo que as temperaturas vão descer, o frio acentuar-se. Com ele, aumentarão as geadas e o gelo (pela madrugada).

     Agasalhe-se, pois. E cuidado com o piso escorregadio!... Veja as previsões, usando as ligações na barra do lado direito do blogue...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A sesta

     Dormir a sesta toda a gente sabe o que é. Mas esse hábito de "passar pelas brasas", depois do almoço, era antigamente muito mais frequente do que agora.

     Na nossa aldeia (e em toda a região, aliás como acontece no interior de quase toda a Península Ibérica e mesmo em muitos outros países), era quase um ritual sagrado: tinha de se dormir a sesta, depois do almoço, no período do verão. Servia tanto para recuperar de noites mal dormidas (devido ao calor sentido dentro de casa, pois não havia aparelhos de ar-condicionado ou ventoinhas, como agora), como pelo facto das pessoas se levantarem normalmente cedo (para trabalhar nas horas mais frescas). Por isso, as pessoas sentiam necessidade de dormir a sesta.

     Não só os pais dormiam a sesta, mas também os filhos... Alguns chegavam a fugir de casa, sorrateiramente, e ir "para o pulo", em vez de descansar...

     A sesta começava mal chegava o calor do verão (às vezes logo em maio, mas principalmente a partir do princípio de junho). O final do período de sesta coincidia com a Feira de Setembro, na Sobreira Formosa (dia 8). Lembro-me do meu pai dizer muitas vezes que esse era o último dia de sesta, pois os nossos antepassados seguiam à risca essa tradição!

     Antigamente, era hábito dormir-se/descansar-se durante 1 hora ou mais, depois do almoço. Há quem opine, hoje em dia, que a duração da sesta não deve exceder os 20/30 minutos. Mas é meu entender que isso apenas se aplica a quem não passa pelos rigores do verão, como acontece por estas bandas...

     Para complemento deste assunto, recomendo que visite a ligação seguinte, em castelhano, com o título (traduzido) "A sesta, um prazer recomendado que pode ser contraproducente se se prolonga demasiado":
     Depois de ler esse excerto, pode visitar também outras partes do artigo... (Se não as acha, use a ligação anterior e substitua apenas o número 4 por 1, 2 ou 3)


     Agora, talvez concorde que é bom recuperar ou, pelo menos, não deixar acabar os bons hábitos, como este de dormir a sesta...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O outono começou quente e seco! Mas, por fim, a chuva apareceu (e em força!). Depois, o inverno foi de secura extrema!...

     Creio que ninguém se lembrará de algum mês de setembro ou outubro tão quentes e secos como estes... (Acrescentado em 12nov2017: e neste ano, até o novembro está a sê-lo). Quero dizer-vos que, à nossa latitude, isto pode acontecer. E a explicação é conhecida dos meteorologistas. As latitudes médias (± entre 30 e 55 graus), ao contrário das latitudes baixas (próximo do Equador) ou das altas (mais perto dos polos), não têm uma regularidade climática. Ou seja, as ditas "estações do ano" normalmente não têm início e fim exatamente na altura dos equinócios e solstícios.

     Por isso, acontecem períodos mais ou menos longos (de algumas até mais de um mês), em que Portugal é atingido por uma massa de ar vinda de este, transportado por um anticiclone que se mantém estacionado a norte da Península Ibérica. Normalmente, os anticiclones movem-se (não tanto como as depressões), mas nestes casos, acontece que permanecem mais ou menos na mesma posição, impedindo que depressões, frentes e massas de ar marítimo (húmido) atinjam Portugal. Quando tal acontece, chama-se anticiclone de bloqueio...

     O ar que nos atinge, transportado pela circulação desses anticiclones tem, pois, um trajeto continental, pelo que é seco. Assim, não chove por vezes durante um único dia do mês (ou eventualmente apenas aparece alguma precipitação num ou noutro dia, por acaso). E esse ar tanto pode ser relativamente quente (no princípio do outono - frequentemente - ou mesmo na primavera - mais raramente), como relativamente frio (no inverno). Neste último caso, temos geadas e gelo persistentes...

     O mês de setembro passado teve precipitação apenas nos 3 ou 4 primeiros dias. E o de outubro continuou seco até ao dia 22/23. Isto perfez um total de 7 semanas sem precipitação! O normal teria sido nesse período terem caído, em termos médios, à volta de 200 mm (l/m2) de chuva, no Norte, cerca de 100, no Centro, e pelo menos 50, no Sul... As temperaturas, no período 05set-15out, estiveram sempre bastante acima do normal: por exemplo, em Castelo Branco (em Proença terá sido muito semelhante), as máximas foram sempre superiores a 26º C, tendo chegado a cerca de 34º em setembro e 33º em outubro! Mas houve locais do país com valores de mais de 35 ou 36!...

     Entretanto, finalmente choveu (e bastante) desde 22 ou 23 até 27, atingindo-se precipitações acima do normal para igual período de tempo (houve locais onde caíram mais de 100 mm). Evidentemente, teria de haver perturbações e estragos significativos (inundações, pontes submersas, queda de árvores, derrube de postes e coberturas de edifícios, estufas danificadas, encerramento de barras dos portos, etc. Com tudo isto, e como quase sempre acontece, há vítimas...)



     Com a mudança de tempo, a temperatura desceu acentuadamente até valores próximos do normal ou ligeiramente abaixo e caiu o primeiro nevão, na Serra da Estrela e noutras serras mais altas do Norte.



     Então voltou a confirmar-se o provérbio que diz que setembro (e mesmo outubro)  "seca fontes" ou "leva  pontes"... Primeiro houve seca/calor; depois, inundações/estragos!...

     Como complemento do que disse (e não só), lembrei-me dalgumas conclusões com que fiquei quando fiz um estudo climático de diversos aeródromos de Portugal, desde meados do século passado:

- Há anos em que, no período normalmente mais favorável à ocorrência de chuva (outono, inverno e primavera), durante um mês inteiro (ou até ligeiramente mais), as precipitações são nulas ou muito pequenas (inferiores a 10 mm), especialmente nas regiões do Centro e do Sul;
- A temperatura máxima extrema anual costuma ocorrer em julho ou agosto, mas também se tem verificado em junho ou setembro;
- Em alguns anos, o final de março e, mais frequentemente, abril e/ou maio também têm temperaturas altas...

     Lembro-me de, por exemplo: 38º C em Lisboa, num 13 de maio (de 1978 ou 1979); 30º, no fim de março - (algumas pessoas mais idosas afirmam que, por volta de 1970, estiveram perto de 40º no fim de março, mas não pude confirmar). Também me lembro de estar a nevar na Serra da Estrela, num dia 10 de junho; houve um ano, (no final dos anos 70 ou princípio de 80) em que choveu todos os dias de junho, na nossa aldeia (trovoadas de origem térmica) - até o meu pai não se cansava de falar disso, pois os ribeiros e ribeiras não deixaram de correr...

     Finalmente, também me lembro dos mais antigos dizerem que foi depois da II Guerra Mundial (1939-1945), ou mais ou menos por volta de 1950, que o tempo "começou a andar descontrolado"...

--------
Acrescentado em 03nov:

     Se calhar, vem a propósito um pouco de humor, relativo à muita chuva que tem caído (desde 22out até hoje, 03nov):


-------
Acrescentado em 04mar2012:

     O resto do inverno foi de uma secura alarmante! Quarenta e tal dias sem chuva, em quase todo o país: de meados de janeiro até aos primeiros dias de março... As reservas de água (barragens/albufeiras) só não estão pior porque houve precipitação abundante no período  22out a 23nov...
     E as perspetivas para este mês não são animadoras!... Vá seguindo as observações/previsões, clicando nas ligações da barra lateral direita do blogue, em "INFORMAÇÃO DO TEMPO".

-------
Nota: Estes dados são muito superficiais. Comparar com os dados divulgados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera - ver o seu site (www.ipma.pt), no separador "Clima".

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Setembro (e/ou outubro) seca as fontes ou leva as pontes"...

     Lembrei-me de escrever umas linhas sobre o mês de setembro, que um ditado acusa de secar as fontes ou levar as pontes! A razão deste artigo tem a ver com o facto deste ano estarmos a ter um setembro com bom tempo (seco e quente), se comparado com a média para esta altura do ano. Quem tirou férias este mês está com sorte!... As uvas e outros frutos com apanha para esta altura terão maturado bem, terão mais açúcar...

     Embora talvez as pessoas não se lembrem, isto não é assim tão excecional: acontece em certos anos praticamente não chover em setembro. Mas noutros anos, começa o tempo chuvoso (às vezes ainda em agosto) e quase não deixa de chover durante todo o mês. As latitudes médias (digamos entre os 30 e os 50 graus) têm destas coisas. E não há previsão a médio prazo que confirme isto ou aquilo... Já agora, anda por aí o boato de que quase não vai chover até ao fim do ano!!! Até dá para rir! Eu cá não acredito nisso; veremos, quando a chuva chegar...

     De facto, é mais habitual por esta altura já terem começado as chuvas do final do verão, princípio do outono. Ou seja, é costume já haver passagem de frentes (sistemas frontais), que se deslocam da zona dos Açores para o centro da Europa. Ou, então, depressões vindas do lado das Canárias/Madeira em direção ao sul da Península Ibérica e Mediterrâneo.

     A primeira dessas situações meteorológicas costuma provocar chuva, estendendo-se de norte para sul (ou do  litoral para o interior), às vezes já em quantidades apreciáveis... Os primeiros 3 a 4 dias deste mês tiveram uma situação dessas: em locais de Trás-os-Montes, no dia 1, a precipitação chegou a ser de mais de 30 litros/m2 (ou mm) em apenas uma hora.

     A segunda dessas situações desencadeia trovoadas e aguaceiros, por vezes fortes, com maior incidência no interior sul e centro do país. A precipitação é de tal modo abundante, às vezes em intervalos de tempo reduzidos, que chega a fazer grandes estragos, transbordando rios e ribeiras, danificando pontes e caminhos, etc... Chega a haver precipitações de algumas dezenas de mm (e até mais de cem) durante 24 horas... Daí vem a expressão "leva as pontes"!

Os cursos de água chegam a transbordar, por vezes com grandes danos...

     Se, porventura, nesta altura do ano, o anticiclone dos Açores permanecer, durante semanas, a estender-se em crista pelo norte da Península Ibérica, impede que as frentes atinjam o país. O vento sopra, predominantemente, do quadrante este, do interior de Espanha; logo, é mais seco e quente... E, se não houver desenvolvimento de depressões (de origem térmica ou sub-tropicais), a sul, não haverá instabilidade atmosférica, logo não haverá precipitações. Quando tal acontece, a somar a todo o período de verão anterior, as nascentes de água vão-se acabando e a seca chega... Daí a expressão "seca as fontes"!

Ficam secas as fontes...

     É o caso do presente ano, embora de forma não muito acentuada, porque tivemos precipitações nos primeiros dias do mês, como se disse antes, e ainda porque os meses anteriores, de verão, tiveram temperaturas mais amenas ou alguma precipitação, o que não é frequente... Se até ao fim do mês não chover, a situação agravar-se-á... E quando se propaga para outubro, é ainda pior... (Anotação feita em 01out: Na verdade, não choveu e a primeira quinzena de outubro vai pelo mesmo caminho. Logo, a situação está a piorar: atenção aos incêndios, à falta de água nas nascentes, etc...)

     Mas, pelo menos, as vindimas estão com sorte... Por norma, se as uvas forem apanhadas com tempo seco, a produção é menor mas de melhor qualidade. Quanto às sementeiras de outono, lembro-me bem de, às vezes, o meu pai as querer fazer e não haver chuva nem sinais dela! Já ele e os antigos diziam: não vale a pena ter pressa; ela sempre há de vir...


Aspecto dos solos, devido à secura...

     Um outro ditado que tem muito a ver com este aqui tratado é: "De Espanha (ou de leste), nem bom vento nem bom casamento!" Precisamente porque o ar vindo desse quadrante é frio ou muito frio, no inverno, e quente ou muito quente, no verão (vento suão).

------

- Acrescentado em 23out:

     Aí está a chuva! Já houve uma amostra nas regiões do interior, entre a tarde de ontem e a manhã de hoje, como se pode ver no mapa abaixo. - (precip. em mm ou l/m2 / .8 significa 8 décimos de mm) -  Para a tarde de hoje (dia 23) e durante a próxima noite, vai haver precipitação mais abundante, em todo o continente.


------

- Acrescentado em 24out:  

     Eis agora o mapa de precipitação nas últimas 24 horas, entre as 06h de ontem e as 06h de hoje. Foi intensa e a quase totalidade ocorreu durante a noite...

(fonte: http://www.weatheronline.co.uk)

- Acrescentado em 26out: - Adaptado do site do Instituto de Meteorologia (IM):



     Salientam-se os valores de precipitação acumulada entre as 18 UTC do dia 23 e as 06 UTC do dia 24: Viana do Castelo com 95mm, Guarda com 65mm, Penhas Douradas com 60mm, Castelo Branco com 66mm, e Proença-a-Nova com 77mm.

     

- Acrescentado em 30out:

     A propósito de valores mais ou menos anormais, registados nestes dois últimos meses, aqui ficam valores climatológicos extremos de Portugal Continental (desde que há registos em Portugal), obtidos do site do IM: