sábado, 24 de julho de 2010

Vista geral do Vale da Carreira (em diversos anos e ângulos)

Aqui publico fotos tiradas ao redor da aldeia, mostrando-a de diversos ângulos e em diferentes anos. Com agradecimentos a quem contribuiu (e que bem deve reconhecer algumas delas), nomeadamente: Ilda, Raul, Jorge, Tiago Cassapo, Irene Degiacometi, João Patrício...)

Em 1976:
Lá no alto, a eira. Vêem-se montes de palha e palheiros!

Quem veio buscar água à fonte? No Largo, estava o meu primeiro carro (Austin mini).
Era este abaixo:


Quem serão estas pessoas/jovens? O que andavam a jogar?
E de quem eram as cabras?


Vista sul: em primeiro plano, o "Fundo do Povo" e parte da "Tapada".

Em 1995:

Fotos de Maria Irene Degiacometi (Brasil)
Em 2004:



O belo e cuidado jardim, à beira da estrada.

Em 2009:




Em 2010:
Ao centro, na Tapada, o Ti Ramiro a lavrar...

Antigamente havia aqui azinheiras e sobreiros enormes! Agora, apenas algumas pequenas azinheiras...






Foto do Raul Sonso


Vista norte, tirada da Corga.

Em 2011:







Restos da eira...

Esta e as seguintes são da autoria do Tiago Cassapo Dias.









Panorama de sudoeste, de 24 agosto 2011 (actualmente é a foto de apresentação do blogue)


Em 2015:


Em 2017:
 
Depois do incêndio de 23/24jul - de João Patrício

Em 2019:
(foto de Nuno Alves)

(...)

São excelentes! Obrigado a todos.

--------------------

Quem quiser comparar com o Google Maps (ou G. Earth), em 2019:






----------------------------
Última actualização: 03ago2019

segunda-feira, 28 de junho de 2010

As Desencamisadas (ou Desfolhadas)

     Chama-se “desencamisada” ("desfolhada", nalgumas terras) à tarefa que consiste em separar as espigas de milho (o grão propriamente dito, as também chamadas "maçarocas"), depois de secas, da sua parte exterior, que é folhosa. Esses “invólucros”, designados por “camisos”, “samarros” ou “folhos” ("folhelhos") eram (são) depois aproveitados para alimento de animais ou até para enchimento de almofadas, nas famílias mais pobres.

     As desencamisadas decorriam no verão, pelo que, muitas vezes, se aproveitava as horas de menor calor, durante a noite, depois do jantar, à luz de candeeiros ou simplesmente ao luar! Quando decorriam durante o dia, o serviço era feiro debaixo de alguma árvore ou outra sombra improvisada…

     O milho é o cereal que dá mais trabalho a cultivar. Semear, sachar, mondar, fazer leiras, regar, despontar, desfolhar, colher, transportar para a eira, desencamisar, debulhar, etc. são atividades próprias do seu cultivo! E quase todas são feitas manualmente, pelo que é justo realçar o árduo trabalho que se costuma ter com o cultivo do milho, durante a primavera/verão. Se acrescentarmos ainda todo o processo de moagem e o de feitura do pão, mais sobressai a canseira tida durante todo o ciclo deste cereal...

     A tarefa de desencamisar aparece, pois, já quase no fim desse ciclo. Mas quem não gosta(va) de se juntar ao grupo, nas desencamisadas? Mais uma vez, era altura de se manifestar o espírito de entreajuda (e de comunidade) das pessoas da nossa aldeia. Ao redor do monte de espigas, sentados em bancos ou no chão, dá-se aos braços, separando, uma a uma, as espigas dos camisos (folhos ou samarros). Os camisos são deitados para o chão e afastados gradualmente para trás, enquanto as espigas são colocadas em cestos e levadas para a eira (ou um local livre, plano), onde vão estar a secar, ao sol, por algum tempo.

     Era habitual contarem-se histórias, anedotas, etc., durante as breves horas que durava a desencamisada. Lembro-me que era habitual os rapazes (e também certas raparigas) desejarem ter a sorte de desencamisar uma ou mais espigas pretas (ou avermelhadas, também chamadas de "milho-rei"). Isso dava direito a um beijo aos/dos elementos do sexo oposto presentes!...

     Também era frequente a desencamisada acabar com a partilha de uma melancia (ou mais), algumas vezes colocada antecipadamente pelo dono, debaixo do monte de espigas, para servir de surpresa aos que deram o contributo...

     Toda a tarefa acabava por constituir também um agradável convívio, de sã camaradagem e de comunitarismo entre as pessoas da aldeia.

     Mais tarde, as espigas serão guardadas, debulhadas, etc., dependendo da utilização a dar ao respetivo grão. Era nesta altura que se costumava guardar algumas das melhores espigas (as maiores, de grão mais cheio), para servirem de semente para o ano seguinte.

     A debulha antiga era feita com moueiras (manguais), instrumentos feitos de dois pedaços de madeira (unidos por uma tira de couro), o mais curto e grosso dos quais era arremessado fortemente, de cima para baixo, sobre o cereal a malhar.  Às vezes, também se usavam os fueiros dos carros. Batiam-se, assim, as espigas, para separar o máximo de grãos dos "sabugos" ("maçarocas").

Uma moueira (mangual).

     Depois, à mão, separavam-se alguns grãos restantes. Se possível, a malha devia ser feita dentro de casa (ou numa chamada "casa de milho"), para não se perderem os grãos que saltavam.

     A última tarefa consistia em transportar os camisos para os palheiros, em carroças ou dentro de panos, para aí serem guardados, antes de virem as primeiras chuvas do outono...

     Posteriormente, no final da década de 60, apareceram as debulhadoras mecânicas, movidas por trator, fazendo o trabalho mais rapidamente e com menor esforço. (ver "À eira, colmo", de 27jan2010 e a Pág. 11 - Fotos antigas...)

--------------------
    
(Espero um dia acrescentar outras fotos, mesmo que sejam actuais...)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Locais de Interesse (ou "Maravilhas da Aldeia")

     Na nossa terra, há locais com interesse, seja para visitar ou recordar, não só pelos mais velhos, mas também pelos mais jovens, que talvez nem saibam onde se encontram alguns...

     Ora então vejam lá as "maravilhas da aldeia" que seleccionei, algumas já bem antigas. Conhecem-nas? Sempre que possam, visitem, apreciem e estimem-nas. Com estas dicas, não há desculpas!...

O Largo P.e José Alves Júnior (ou 'Largo da Fonte'):

     É o centro da aldeia, o único local onde, durante mais de 40 anos, se ia buscar água e onde os animais bebiam, com um bonito bebedouro. Embora a água possa já não ser própria para beber (por não ser controlada), serve para outros fins... Este é o local onde mais se junta(va)m as pessoas, para conversar ou conviver (dançar, jogar, etc.) e onde se fazem(iam) as fogueiras de Natal e S. João, bem como os magustos, etc... O seu actual nome serve de homenagem ao ilustre padre da nossa aldeia, já falecido (1928-1997).

Vista geral do Largo.


Busto do P.e José Alves.




O bebedouro, já sem água. Note os azulejos do fundo.

N. Sra. de Fátima:

     A imagem está colocada na parede da casa da família do Ti Germano/Ti Carma. Sempre muito bem arranjada e ornada de flores, é o local predileto para as rezas do terço e novenas da aldeia.

 
Santa Teresinha:

     É o outro local de culto da aldeia, visitado por transeuntes forasteiros, que param, rezam e doam muitas vezes a sua esmola... Como a anterior, está sempre bem cuidada. Era (É) costume a lanterna dependurada ser acesa de noite (usando-se azeite)...


  
A Fonte Velha:

     Onde se ia antigamente buscar a maior parte da água potável consumida, além de ser usada para lavar a roupa, no verão, quando escasseava a água no ribeiro e/ou ribeira. Antes da sua existência, a água para beber provinha quase sempre da Corga, de uma outra fonte da qual ainda me lembro, mas no local já não há vestígios. Depois de 1960, com a construção da mina e da nova fonte (no largo), foi gradualmente abandonada.



O Moinho de Água:

     Ao fundo da "Corga de Frade" (ou na "Varja Videira"), lá está ele, sozinho! Embora já não seja usado para moer, está pronto para visita. As paredes e o telhado foram conservados há poucos anos... A levada, que transporta a água desde o açude a norte, está já muito danificada. É preciso não deixar apodrecer a porta! Cuidado, ao entrarem nele: passeiam-se por lá uns pequenos répteis (osgas)...


A Ponte 'do tipo romano':

     A escassas dezenas de metros da Fonte Velha e do Moinho de Água, é o ponto de passagem para estes, sobre o ribeiro, que por vezes tende a transbordar na época de chuvas. Apesar de já ser bem velhinha, encontra-se em razoável estado de conservação, pois foi construída segundo as técnicas dos romanos - arco redondo em pedra...
             



A Mina:

    Foi construída cerca de 1960, resultando num bom melhoramento, na altura, fornecendo a água potável para consumo das pessoas e animais. A nascente era boa, pois a mina tem/tinha cerca de cem metros de comprimento, captando água dos lençóis por baixo do cabeço, em direção ao Vale Torno (ou Valtorno). Apenas me lembro de ter faltado a água uma única vez, na década de 70, e apenas por breves horas, ao final dum dia em que havia uma série de casas em obras e o consumo de água foi exagerado! Mas, na manhã seguinte, já corria de novo em quantidade suficiente... 

     Começou por abastecer uma única torneira (no Largo da Fonte, atualmente Largo P.e José Alves Júnior), mas depois foi adicionada outra torneira, junto à estrada (e 'forno de cima'), mantendo-se até cerca do ano 2005 (a confirmar), altura em que a água passou a vir da Barragem das Corgas (descendo ao longo da estrada, passando pelos Caniçais) e chegar a cada casa, com contador individual.



A Eira:

     Antigamente era aqui que lhe malhavam os cereais, e mais tarde debulhavam com auxilio de máquinas: trigo, centeio, cevada, e por vezes milho. Havia alguns palheiros dos quais só há vestígios, a sul. As medas e os montes de palha eram característicos da sua paisagem. Presentemente, apenas resta parte da parede lateral e o adro. - (Ver também o artigo "À eira, colmo!", de 27jan2010)


Agora, de vez em quando, a eira até serve de estacionamento!

Os Fornos do Pão:

     Nos fornos da aldeia, tradicionalmente faziam-se o pão, os bolos para as festas e, mais raramente, os assados (em tabuleiros ou simplesmente, sobre o 'lar' quente, batatas e cebolas...). Havia grande entendimento e união entre as famílias, pelo que, quase todos os dias, os únicos dois fornos existentes eram usados, de forma concertada, sem qualquer conflito.
    
     Os tempos mudaram e, hoje, quase todas as famílias têm o seu próprio forno... As fotos abaixo são exemplos disso. Descubram a que fornos pertencem!...

     (Espero brevemente explanar mais este assunto, em tema próprio, a não ser que algum de vós se antecipe... - pois continuo à espera de contributos sobre qualquer assunto relativo à nossa aldeia.)





O último forno e o respetivo pão são da Alice. Até faz crescer água na boca!

-----------
(Última revisão/actualização, em 08jan2012)