Depois de descido o vagão da prensa, há que desenceirar, isto é, retirar o bagaço das ceiras que foram apertadas. Esse bagaço servia para alimento dos porcos (ver abaixo, sobre a vianda)...
Como últimas tarefas, temos a medição do azeite, verificar a sua acidez e, por fim, fazer a maquia (retirar algum azeite para ficar em posse do lagar, como pagamento do trabalho efectuado)...
Creio que todos conhecerão a palavra vianda, que significa a comida para os porcos preparada com restos das refeições das pessoas, podendo ser adicionados outros ingredientes. Na nossa terra, os porcos eram alimentados com esses restos aos quais, muitas vezes, se adicionava farinha, para a mistura ficar mais forte...
Além destes restos, os porcos eram também alimentados com abóboras, chilas, beterrabas, batatas (completas ou só as cascas), couves e outras hortaliças. E, enquanto havia, bagaço de azeitona. Este bagaço era trazido do lagar para junto de casa. Era despejado numa tulha, onde era calcado para se conservar até ir servindo para adicionar nas viandas.
No final do verão, os figos das figueiras faziam as delícias dos animais... No princípio do inverno, eram ainda alimentados com landes e bolotas varejadas dos sobreiros e azinheiras, mas como estas árvores começaram a escassear, há muito isso caiu em desuso...
Tanto quanto me parece (ou me lembro, de pequeno), antes da década de 1970, não era comum que em cada família da nossa aldeia se fizessem vinho, vinagre, aguardente ou jeropiga. Não havia essa "cultura do vinho", isto é, quase ninguém cultivava videiras em quantidade suficiente, nem o regime político existente (ditadura) o facilitava/incentivava. Pelo contrário, havia até uma perseguição à feitura caseira dessas bebidas...
Era costume, nas nossas casas, conservar uvas durante mais uns meses, após a vindima, dependurando-as nos tectos das lojas ou salas (quanto mais fresca a divisão, melhor). Também se fazia o mesmo com os marmelos. (...)
(Nota: maior desenvolvimento deste assunto em artigo de 26jun2013)
Toda a gente sabe o que é um arado e para que serve. No entanto, nem todos (principalmente os mais novos) tiveram a possibilidade de observar os tipos de arado usados na nossa aldeia.
Como os solos das nossas terras contêm geralmente uma pequena camada arável, os arados/charruas eram muito simples, quando comparados com outras zonas do país. Possuíam apenas um espigão ou bico (relha) e uma cauda (rabiça), que o lavrador segura pela mão. À frente, para ajudar a deslizar no solo, uma pequena roda. Os mais antigos eram totalmente de madeira, sem roda, claro. (Ainda me lembro deles). Depois surgiram os de metal/ferro. Nestes, a relha (parte afiada que rasga a terra) era aparafusada e substituída quando ficava muito desgastada ou se se partia, o que às vezes acontecia devido a alguma rocha ou até raiz de árvore mais firmes...
Depois de lavradas as terras das hortas, para ajudar a apanhar restos de ervas ou para desfazer as irregularidades deixadas (cômaros), passava-se com uma grade por cima. A grade podia também ser de ferro ou madeira, tinha pequenos dentes e era usada tanto com os dentes virados para baixo ou para cima, consoante o estado do terreno que se queria "agradar" (gradar)...
Para aumentar o peso do utensílio, usava-se às vezes pedras ou lajes por cima, principalmente se era de madeira, mais leve. Ou, então, o peso de quem andava a lavrar, guiando o animal com as rédeas viradas para trás, mais compridas...


















