segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Mais imagens do temporal (ciclone) daquele sábado (em vídeo)...
À experiência, aqui vai o meu primeiro vídeo do blogue. Pretendo mostrar vários efeitos do mau tempo daquele sábado (19jan2013) através de imagens elaboradas por mim ou recolhidas de diversos sites... Vejamos se sai bem!...
Veja acima a sequência de imagens: avisos, o ciclone antes de entrar no Minho, o seu trajecto estimado, destruição em terra e no mar, bem como perturbações na aviação...
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domingo, 20 de janeiro de 2013
O mau tempo do sábado, dia 19jan2013...
"Depois da tempestade vem a bonança", diz o provérbio. E confirmou-se: tivemos hoje um dia com pouco vento, embora ainda com chuva...
O dia 19jan2013 fica marcado por um temporal enorme, de norte a sul, com muitos prejuízos contabilizados ou a contabilizar ainda. Apresento aqui alguma informação sobre o que aconteceu. Provavelmente, no futuro surgirão informações mais rigorosas sobre a situação vivida neste terrível dia de sábado, em Portugal Continental... (Por isso, estes dados não têm grande exactidão ou rigor. Tal poderá suceder nos estudos que o IPMA - "ex. IM" - venha a realizar/divulgar...)
A aproximação e passagem duma depressão intensa, na fase de "ciclogénese explosiva" (com pressão atmosférica em rápido cavamento/decréscimo), vinha sendo prevista nos diversos modelos de previsão... Embora a situação tenha ainda sido um pouco mais severa do que indiciavam a generalidade das previsões/modelos (nalguns casos, o erro foi de quase 10 hPa), suponho que não houve maiores fatalidades pelo facto de os avisos meteorológicos e da Protecção Civil terem sido atempados... (Ou ainda pelo facto de ter ocorrido num fim de semana - ?! -...)
![]() |
| Avisos do IPMA. |
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| Problemas no ar, em terra e no mar (fotos Sapo.pt, asbeiras.pt e local.pt) |
Poderemos
falar dum ciclone? Sem prejuízo de novos dados e revelações que venham a ser
feitos pelas autoridades competentes, eu considerá-lo-ia como tal. Desde fevereiro de 1941,
que Portugal Continental não era atingido por uma depressão com valor tão
baixo. O centro penetrou no Minho ao princípio da manhã e deslocou-se
de WNW para ESE, atravessou a região do Douro, tendo entrado em
Espanha ainda antes do meio dia...
![]() |
| Trajecto estimado do ciclone. |
Comecemos por ver a imagem do satélite de órbita polar NOAA-19, das 02:28 do dia 19 - (a letra L indica a posição de Lisboa, aprox.):
Já nessa imagem se notava o típico formato (gancho) das depressões em cavamento rápido (também conhecido por "ciclogénese explosiva"). E daí até às 06 horas, acentuou-se o centro-imagem do ciclone. A partir daí, começou a mistura de massas de ar no centro e a depressão deixou de cavar.
Em termos de vento, o máximo de actividade sentiu-se ao longo da manhã, com muitas rajadas entre os 100 e os 140 km/h. A precipitação mais intensa verificou-se durante a noite e atingiu valores apreciáveis (entre 40 e 70 mm, em 12 horas). A seguir estão imagens de satélite que mostram o evoluir e deslocação do mesmo, de 6 em 6 horas.
| 00 H |
| 06 H |
| 12 H |
| 18 H |
![]() |
| Imagem satélite da Univ. Wisconsin-Madison (CIMSS). Gráfico da pressão em Pedras Rubras, do site do IPMA. |
Eu apenas tinha passado por uma experiência semelhante a esta. Nos Açores - creio que em fev1989 - uma depressão tão explosiva como esta, atravessou o Grupo Central do arquipélago com tal violência que, na Base das Lajes, a pressão atmosférica foi de cerca de 955 hPa...
(Um dia ainda vou colocar aqui dados daquela depressão...)
(Um dia ainda vou colocar aqui dados daquela depressão...)
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domingo, 13 de janeiro de 2013
As Janeiras na Capelania do Caniçal
Mais uma vez, se transcreve um artigo sobre a tradição de cantar as Janeiras, da autoria de Fernando Alves, publicado no Jornal "O Concelho de Proença-a-Nova" n.º 682, de 10jan2013:
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"As populações das aldeias de Bairrada, Mesão Frio, Vale da Carreira, Caniçal Fundeiro e Caniçal Cimeiro viveram na noite do passado dia 05 e manhã do dia 06 (sábado e domingo) a tradição, quiçá centenária, (desconhece-se a data de início) do cantar das Janeiras.
Fortemente enraizada nestas gentes, todos esperam ouvir as vozes fortes, a cortar o frio da noite, de dois grupos de homens, entoando versos alusivos aos reis magos e apelando ao espírito da caridade cristã, enquanto outros batem de porta em porta, para receber as ofertas. Estas dádivas, popularmente designadas de esmolas, revertem para os fundos da Capelania do Caniçal e são dadas com a intenção de serem celebradas missas pelas "almas" dos seus entes queridos já falecidos.
Depois da celebração da missa de domingo, foram leiloados, no adro da capela, os géneros ofertados (muitas pessoas optam por doações monetárias diretas).
Como já temos referido em notícias publicadas em anos anteriores, também agora vieram muitos que residem fora mas estão fortemente ligados, por laços de sangue, a estas terras.
Em todos os participantes no cantar das Janeiras, dos vinte aos oitenta anos, reside o forte desejo de a tradição não se perder. Enquanto houver vida humana e cristãos por estas paragens, estamos convictos, vamos continuar a cantar as Janeiras.
Fortemente enraizada nestas gentes, todos esperam ouvir as vozes fortes, a cortar o frio da noite, de dois grupos de homens, entoando versos alusivos aos reis magos e apelando ao espírito da caridade cristã, enquanto outros batem de porta em porta, para receber as ofertas. Estas dádivas, popularmente designadas de esmolas, revertem para os fundos da Capelania do Caniçal e são dadas com a intenção de serem celebradas missas pelas "almas" dos seus entes queridos já falecidos.
Depois da celebração da missa de domingo, foram leiloados, no adro da capela, os géneros ofertados (muitas pessoas optam por doações monetárias diretas).
Como já temos referido em notícias publicadas em anos anteriores, também agora vieram muitos que residem fora mas estão fortemente ligados, por laços de sangue, a estas terras.
Em todos os participantes no cantar das Janeiras, dos vinte aos oitenta anos, reside o forte desejo de a tradição não se perder. Enquanto houver vida humana e cristãos por estas paragens, estamos convictos, vamos continuar a cantar as Janeiras.
Fernando António Alves"
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Ver também os artigos de jan/fev 2010:
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/01/as-janeiras-reis.html (versos das Janeiras)
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/02/tradicao-das-janeiras.html (as Janeiras em 2010)
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Ver também os artigos de jan/fev 2010:
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/01/as-janeiras-reis.html (versos das Janeiras)
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/02/tradicao-das-janeiras.html (as Janeiras em 2010)
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Este ano, vamos olhar mais para o céu!
Por achar interessante e ser possível observarem-se com maior facilidade nos locais menos iluminados, como é a nossa aldeia, transcrevo do site online da Rádio Renascença (http://rr.sapo.pt), do dia 6jan2013:
Asteroide "99942 Apophis".
“Vamos
passar o ano a olhar para o céu.
Dois
cometas e dois asteróides vão passar pela Terra em 2013.
O ano de 2013 é uma raridade para os astrónomos, que vão
poder admirar dois asteróides e dois cometas, alguns dos quais numa órbita tão
perto da Terra que serão visíveis até pelos amadores.
A partir da próxima semana, é
o asteróide "99942 Apophis" que visitará a Terra. Os radares da NASA
estão já direccionados para ele. Vai passar a 9 de Janeiro, a cerca de 14,5
milhões de quilómetros.
O asteróide "2012
DA14" (com 57 metros de diâmetro) é menor do que o "Apophis",
mas vai mover-se muito mais perto da Terra a 15 de Fevereiro: 34.500 km de
altitude, o que significa que vai passar na órbita dos satélites geo-estacionários.
Se os asteróides são
essencialmente compostos por rocha e por metal, os cometas são compostos por
gelo e por poeira. Estes viajantes solitários formaram-se quando o sistema
solar nasceu e giram à volta do Sol com frequências que variam muito, desde
alguns anos a vários milhões. Quando se aproximam da nossa estrela, o calor é
tal que liberam gases e um rasto de poeira que se reflecte na luz do sol. É a
este fenómeno que chamamos a "cauda" dos cometas.
O primeiro que vem visitar o
planeta azul este ano chama-se "2011 L4", apelidado de
"Panstarrs", o nome do telescópio instalado na Universidade do Havai,
que o detectou em 2011. O "Panstarrs" deve atingir o seu ponto mais
brilhante entre 8 e 12 de Março.
Porém, é o cometa
"ISON" (International Scientific Optical Network) que deve obter
maior sucesso junto do público. De acordo com alguns cálculos, o
"ISON" pode ser visível a olho nu, logo depois do pôr-do-sol, no
final de Novembro, um fenómeno raro que deve prolongar-se por vários meses.”
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Veremos se será mesmo possível observar algo e se este último cometa será assim tão brilhante!
De salientar também que dos 5 eclipses previstos para o ano, 4 deles são visíveis em Portugal!Ver o artigo "Olhando para o Céu..." (http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010_09_01_archive.html)
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Então é Natal...
Seguem outros versos, também propícios para a quadra festiva que atravessamos, da autoria de John Lennon e Yoko Ono - (sabe quem foram? Leia http://en.wikipedia.org/wiki/John_Lennon):
"Então é Natal
E o que você fez?
O ano
termina
E nasce
outra vez.
Então é Natal
A festa cristã
Do velho e do novo
Do amor como um todo.
Então é Natal
E um Ano Novo também.
Que seja feliz quem
Souber o que é o bem.
Então é
Natal
Pro enfermo
e pro são
Pro rico e
pro pobre
Num só
coração.
Então, bom Natal
Pro branco e
pro negro
amarelo e
vermelho
Pra paz,
afinal.
Então, bom Natal
E um Ano Novo também
Que seja feliz quem
Souber o que é o bem.
Então é Natal
E o que a gente fez?
O ano termina
E começa outra vez.
Então é Natal
A festa cristã
Do velho e do novo
Do amor como um todo.
Então é Natal
E um Ano Novo também
Que seja feliz quem
Souber
o que é o bem."
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
É Natal!...
FESTAS FELIZES a todos! A propósito da quadra festiva que vivemos, aqui vão uns versos que ontem descobri, e que me pareceu oportuno publicar. São de Ary dos Santos, poeta e declamador português.
1. Os Amigos:
"Quem faz o Natal para todos nós? São os
amigos
Quem nos dá prazer e dá calor? São os amigos
A quem é que damos a ternura? É aos amigos
A quem é que damos o melhor? É aos amigos
Os amigos são o nosso bolo de Natal
Cada amigo nosso vale mais que um Pai Natal
É um irmão nosso que trabalha no Natal
E com suas mãos faz a diferença do Natal.
O dinheiro pouco importa
O que importa é a verdade
E a prenda mais valiosa
É a prenda da amizade.
Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de Amor
Um Natal todos os dias.”
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2. Quando um homem quiser:
"Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da
solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão.
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da
solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão.
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma
vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da Mulher.
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão.
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão.
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma
vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da Mulher.”
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domingo, 25 de novembro de 2012
Dias comemorativos
Ao longo do ano, existem muitos dias (ou datas) comemorativos. Aqui deixo apenas alguns:
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Consulte também as ligações:
Dia
de ano novo; dia mundial da paz – 01 de
janeiro;
Dia
dos namorados – 14 de fevereiro;
Dia
internacional da mulher – 08 de março;
Dia
mundial dos direitos do consumidor – 15 de março;
Dia
do pai – 19 de março;
Dia mundial da floresta (da árvore); dia mundial
da poesia; dia mundial para a eliminação da discriminação racial – 21 de março;
Dia mundial da água – 22 de março;
Dia de Páscoa – entre 22mar e 25abr (no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre
depois do equinócio da primavera, no hemisfério norte, ou do outono, no hemisfério sul. O Carnaval será 47 dias antes) – ver http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2011/06/datas-da-pascoa-e-carnaval-no-sec-xxi.html
Dia mundial da meteorologia – 23 de março;
Dia
das mentiras – 01 de abril;
Dia mundial da Terra – 22 de abril;
Dia mundial da Terra – 22 de abril;
Dia
do trabalhador – 01 de maio;
Dia
da mãe – primeiro domingo de maio;
Dia internacional da família – 15 de maio;
Dia dos vizinhos – última terça-feira de maio;
Dia mundial do não fumador – 31 de maio;
Dia dos vizinhos – última terça-feira de maio;
Dia mundial do não fumador – 31 de maio;
Dia mundial da criança – 01 de junho;
Dia
de Santo António – 13 de junho;
Dia
de São João – 24 de junho;
Dia
de São Pedro – 29 de junho;
Dia
das bruxas (“halloween”) – 31 de outubro;
Dia de todos-os-santos –
01 de novembro;
Dia de São Martinho – 11 de novembro;
Dia de São Martinho – 11 de novembro;
Noite de consoada – 24 de dezembro;
Dia de Natal – 25 de dezembro;
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Consulte também as ligações:
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Utilidades
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Noutros tempos (4 - cont...)
10. O rebanho: buços e barbilhos; o nosso queijo típico (de cabra e/ou ovelha)
Desde pequeno que me lembro dos meus pais terem algumas cabras (a princípio também algumas ovelhas), o mesmo sucedendo com praticamente todas as famílias da nossa aldeia. Cada um ia guardando o seu pequeno rebanho (quase sempre menos de 5 ou 6 cabeças), normalmente isolado do gado dos vizinhos.
Os nossos pais tratavam dos campos e desse gado, com a ajuda dos filhos, aos fins de semana e noutros tempos livres da escola, pelo que iam pastorando mais em redor das suas propriedades. Mas juntavam-se os animais quando era preciso. Por exemplo, quando falecia alguém duma família...
Por isso, foi fácil a certa altura (por volta de 1970) constituir um rebanho único da aldeia, com pastor próprio. Como consequência, aumentou o número de cabeças de gado na aldeia, com alguns a possuírem mais de 10. A par do gradual abandono de cultivo dos campos que se verificou e do aumento de mato, foi possível o gado pastorar até mais longe da aldeia...
A situação manteve-se apenas por cerca duma década: creio que foi por começar a haver falta de pastores ou por eles quererem ganhar além do que era rentável pagar-se. Então, foi decidido continuar com o rebanho único, mas cada dia o guardava uma família, em sistema de rotatividade... Eu próprio cheguei a ir o dia inteiro pelos campos, quando estava de férias ou de fim de semana na aldeia. Só não era agradável quando estava mau tempo!
Em qualquer dos casos, dado haver muita diversidade de pasto natural pelos campos (apenas escasseava na parte final dum ou outro verão), sempre os queijos caseiros feitos na nossa aldeia se mostraram muito saborosos e apreciados. Também era devido ao modo paciente e cheio de experiência de todo o processo de fabrico (uso de cardo para coagular/colhar o leite, o cincho/acincho de alumínio, o processo de cura e secagem, a conserva em talhas/potes de azeite, etc.).
O queijo tanto podia ser só de cabra como de mistura (com leite de ovelha, se as houvesse). Enquanto os cabritos (e borregos) eram muito jovens, não se ordenhava as suas mães para fazer queijo. Mas, à medida que eles iam crescendo, iam sendo desmamados (desabituados de se alimentarem só de leite). Começava-se por lhes ir dando umas folhas de hortaliça, enquanto ainda ficavam sem acompanhar o rebanho. Depois, colocava-se-lhes na boca um barbilho (pedaço de pau trabalhado, seguro aos cornos, que possibilitava comer mas não agarrar/chupar nas tetas) ou um buço (pano a tapar a boca). Desse modo se ia começando a aproveitar o leite para fazer o queijo. Passados uns tempos, os cabritos eram vendidos, mortos, ou desabituavam-se do leite.
Quando se fazia o queijo, ao ser apertada a coalhada/colhada no cincho, sobrava aquele soro (almece) tão apreciado por nós para comer com pedaços/sopas de pão! E se ainda contivesse algum "borreguinho" (pedaço de colhada), então ainda melhor. Comia-se fresco, com ou sem açúcar ou mel... Que saudades!!!
Presentemente, quase não há gado na aldeia: creio que apenas 2 famílias ainda têm cabras. Tudo muda, mas os queijos que fazem continuam de qualidade...
Sobre o assunto, muito mais haveria a dizer, talvez noutro artigo adiante... Se alguém se habilitar a escrever, faça favor. Prometendo colocar mais alguma foto, no futuro (sobre queijo, cincho, barbilho...), aqui deixo uma dum rebanho ainda existente (em 2004, tal como agora):
Os nossos pais tratavam dos campos e desse gado, com a ajuda dos filhos, aos fins de semana e noutros tempos livres da escola, pelo que iam pastorando mais em redor das suas propriedades. Mas juntavam-se os animais quando era preciso. Por exemplo, quando falecia alguém duma família...
Por isso, foi fácil a certa altura (por volta de 1970) constituir um rebanho único da aldeia, com pastor próprio. Como consequência, aumentou o número de cabeças de gado na aldeia, com alguns a possuírem mais de 10. A par do gradual abandono de cultivo dos campos que se verificou e do aumento de mato, foi possível o gado pastorar até mais longe da aldeia...
A situação manteve-se apenas por cerca duma década: creio que foi por começar a haver falta de pastores ou por eles quererem ganhar além do que era rentável pagar-se. Então, foi decidido continuar com o rebanho único, mas cada dia o guardava uma família, em sistema de rotatividade... Eu próprio cheguei a ir o dia inteiro pelos campos, quando estava de férias ou de fim de semana na aldeia. Só não era agradável quando estava mau tempo!
Em qualquer dos casos, dado haver muita diversidade de pasto natural pelos campos (apenas escasseava na parte final dum ou outro verão), sempre os queijos caseiros feitos na nossa aldeia se mostraram muito saborosos e apreciados. Também era devido ao modo paciente e cheio de experiência de todo o processo de fabrico (uso de cardo para coagular/colhar o leite, o cincho/acincho de alumínio, o processo de cura e secagem, a conserva em talhas/potes de azeite, etc.).
O queijo tanto podia ser só de cabra como de mistura (com leite de ovelha, se as houvesse). Enquanto os cabritos (e borregos) eram muito jovens, não se ordenhava as suas mães para fazer queijo. Mas, à medida que eles iam crescendo, iam sendo desmamados (desabituados de se alimentarem só de leite). Começava-se por lhes ir dando umas folhas de hortaliça, enquanto ainda ficavam sem acompanhar o rebanho. Depois, colocava-se-lhes na boca um barbilho (pedaço de pau trabalhado, seguro aos cornos, que possibilitava comer mas não agarrar/chupar nas tetas) ou um buço (pano a tapar a boca). Desse modo se ia começando a aproveitar o leite para fazer o queijo. Passados uns tempos, os cabritos eram vendidos, mortos, ou desabituavam-se do leite.
Quando se fazia o queijo, ao ser apertada a coalhada/colhada no cincho, sobrava aquele soro (almece) tão apreciado por nós para comer com pedaços/sopas de pão! E se ainda contivesse algum "borreguinho" (pedaço de colhada), então ainda melhor. Comia-se fresco, com ou sem açúcar ou mel... Que saudades!!!
Presentemente, quase não há gado na aldeia: creio que apenas 2 famílias ainda têm cabras. Tudo muda, mas os queijos que fazem continuam de qualidade...
Sobre o assunto, muito mais haveria a dizer, talvez noutro artigo adiante... Se alguém se habilitar a escrever, faça favor. Prometendo colocar mais alguma foto, no futuro (sobre queijo, cincho, barbilho...), aqui deixo uma dum rebanho ainda existente (em 2004, tal como agora):
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Noutros tempos (3)
9 - O almofariz. As papas de linhaça e outras mezinhas caseiras:
Mas antigamente não era assim: o almofariz era quase um objecto sagrado e o seu uso denotava que havia alguma maleita por perto... Esse utensílio era imprescindível para moer ervas, sementes ou grãos que se usavam nas mezinhas caseiras... A utilização mais comum era para pisar/moer sementes de linhaça e, assim, obter as "papas de linhaça", que eram usadas para combater diversos males, principalmente os ligados à parte respiratória. Usava-se uma cataplasma sobre o peito...
Sabe-se, hoje, que são imensos os benefícios da linhaça: rejuvenescimento, vitalidade física, diminuição de peso, combate anemia, acne e cancro (mama, próstata, cólon, pulmões, etc.), auxilia no equilíbrio hormonal (distúrbios associados à menstruação e menopausa), auxilia o sistema cardiovascular (diminuição do risco de arteriosclerose e redução do mau colesterol - LDL), auxilia no controlo da diabetes (glicemia), beneficia o sistema digestivo (e funcionamento dos intestinos), o sistema nervoso, o sistema imunológico (e doenças inflamatórias), combate a agressividade e a obesidade, produz benefícios na pele e no cabelo…
Lembrei-me, então, de mais algumas mezinhas do tempo dos nossos pais e avós, a saber:
- Água de malvas para lavar/desinfectar feridas, etc.;
(... se se lembrar de mais alguma, ajude-me...)
Quem não sabe o que é um almofariz? Antigamente, na
aldeia havia um, que pertencia a todas as famílias (em regime
comunitário, à semelhança do que acontecia com outros bens, nomeadamente o alambique, o búzio, a eira, o(s) forno(s), etc.)...
Utensílio feito de bronze (creio), era bastante pesado, sobretudo quando, ainda pequenos, lhe tentávamos pegar! Actualmente, há quem possua instrumentos parecidos (até de porcelana ou madeira), mas os mesmos servem mais para pisar ervas aromáticas e outros condimentos para a cozinha!
Sementes de linhaça.
Sabe-se, hoje, que são imensos os benefícios da linhaça: rejuvenescimento, vitalidade física, diminuição de peso, combate anemia, acne e cancro (mama, próstata, cólon, pulmões, etc.), auxilia no equilíbrio hormonal (distúrbios associados à menstruação e menopausa), auxilia o sistema cardiovascular (diminuição do risco de arteriosclerose e redução do mau colesterol - LDL), auxilia no controlo da diabetes (glicemia), beneficia o sistema digestivo (e funcionamento dos intestinos), o sistema nervoso, o sistema imunológico (e doenças inflamatórias), combate a agressividade e a obesidade, produz benefícios na pele e no cabelo…
Lembrei-me, então, de mais algumas mezinhas do tempo dos nossos pais e avós, a saber:
- Água de malvas para lavar/desinfectar feridas, etc.;
- Mistura de azeite e vinagre (para feridas, ulcerações e inflamações);
- Folha de couve untada com banha (no pescoço para curar a papeira);
- Fel para tirar farpas das mãos ou pés;
- Panos de água quente;
- Chás de: erva de S. Roberto, erva cidreira, barbas de milho, flor de tília, flor de carqueja, folha de oliveira, laranjeira, etc;
- "Pomada" caseira para os calos;
- "Pomada" caseira para os calos;
- Folhas de eucalipto (queimadas ou simplesmente ao ar);
- Bochechar aguardente para aliviar dores de dentes;
- Embebedar-se com aguardente para suportar mordeduras de escorpião;
- Passar água fria pela testa para estancar hemorragias do nariz;
(... se se lembrar de mais alguma, ajude-me...)
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