sábado, 10 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Depois do incêndio, a aldeia ficou triste!
O Vale da Carreira foi fustigado pelo tão falado incêndio que começou na Várzea dos Cavaleiros, Sertã, no passado dia 23jul, e que se propagou rapidamente para sul, na direcção dos concelhos de Proença e Mação... Ao final desse dia, durante a noite e no dia seguinte, os poucos residentes portaram-se como heróis ao defenderem a aldeia, evitando que as casas fossem atingidas pelo fogo. Merecem o nosso agrdecimento e, sem dúvida, uma homenagem pública...
Há muitos anos, ou talvez nunca, se tinha vivido aqui uma situação tão dramática como esta... Felizmente, não houve habitações ardidas nem acidentes pessoais!
Eis uma pequena amostra da triste situação em que ficou a paisagem:
Agradeço ao João Patrício a cedência das fotos acima. Também são suas estas palavras: "Desta vez foi por pouco. Graças ao Zé, ao Jorge, ao Ramiro, ao João
Branco, à Alice e dois amigos lá se salvou a aldeia. À nossa casa
valeram os Bombeiros de Proença que passaram na hora certa, apagaram as
chamas à volta da casa e seguiram. Obrigado a todos."
Para mais fotos, no seu Facebook: https://www.facebook.com/joao.patricio.54/posts/10207431772712874?pnref=story
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Acrescentado em 02set2017:
Como o António Joaquim Alves descreve a desolação na aldeia:
Vale da Carreira
são das estevas as cinco chagas de cristo:
brancas, de jade, contrastam com as folhas, os caules
são das abelhas quase todas as flores:
urzes, rosmaninho, alecrim, flores de laranjeira
das minhas, de algumas, agora restam cinzas
são dos lameiros o branco cru do linho que há de vestir-nos,
as margaças amarelas e brancas, as papoilas frágeis, vermelhas
muitas vezes lavrei as terras, invoquei a chuva, fugi do calor,
mondei as cearas, amanheci e anouteci com o sol
à noite a luz era de candeia, a panela de barro a cozer os feijões,
o serão o começo do dia seguinte,
não havia tempo para insónias
eram tempos de milho trigo e centeio, de moinhos a vento,
de nascer e morrer quase sem sair do mesmo lugar
as ruas eram carqueja, tojos, rosmaninho, moitas
eram o adubo para as próximas sementeiras
aprender era feito de experiência, trabalho natural
numa curva da estrada a minha casa, branca de dois pisos,
uma luz sempre acesa, “Nossa Senhora de Fátima”
estive lá ontem, o fogo engoliu o verde da natureza, dos pinheiros
restam as casas quase todas vazias, agora tristes de gente
António Alves
27/08/2017
urzes, rosmaninho, alecrim, flores de laranjeira
das minhas, de algumas, agora restam cinzas
são dos lameiros o branco cru do linho que há de vestir-nos,
as margaças amarelas e brancas, as papoilas frágeis, vermelhas
muitas vezes lavrei as terras, invoquei a chuva, fugi do calor,
mondei as cearas, amanheci e anouteci com o sol
à noite a luz era de candeia, a panela de barro a cozer os feijões,
o serão o começo do dia seguinte,
não havia tempo para insónias
eram tempos de milho trigo e centeio, de moinhos a vento,
de nascer e morrer quase sem sair do mesmo lugar
as ruas eram carqueja, tojos, rosmaninho, moitas
eram o adubo para as próximas sementeiras
aprender era feito de experiência, trabalho natural
numa curva da estrada a minha casa, branca de dois pisos,
uma luz sempre acesa, “Nossa Senhora de Fátima”
estive lá ontem, o fogo engoliu o verde da natureza, dos pinheiros
restam as casas quase todas vazias, agora tristes de gente
António Alves
27/08/2017
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Acrescentado em 24out2017:
Apresento aqui uma imagem de satélite de hoje, da banda visível, de Portugal Continental, bem elucidativa do que ardeu neste verão. As áreas a escuro (preto) representam os efeitos dos incêndios (com excepção da albufeira do Alqueva)... Note-se que ardeu em locais até ao litoral da zona centro (entre Aveiro e Figueira da Foz e Pinhal de Leiria)!
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Acrescentado em 30out2017:
Apenas ontem, mais de 3 meses depois do incêndio, passei na aldeia... Confirmou-se o que temia: encontrar uma espécie de "buraco negro", em toda aquela área. A tristeza invade-nos a alma só de olhar para o que se levanta à frente dos nossos olhos. E imaginar o sofrimento dos que, no local, naqueles dois dias (23 e 24jul) sofreram e se debateram com aquele "inferno"!...
No pouco tempo que tive para tirar fotos, eis mais uma amostra do que se pode ainda encontrar:
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A aldeia,
Agradecimento,
História,
Homenagens
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Outro poema do António Alves
Tudo, incessantemente tudo, até as memórias
desenhadas, redesenhadas, percorrem a nudez
do chão raso de poeira, desnudado de rosas,
terra magra e enxuta dos que já partiram, dos
poucos que ainda estão, canto ritmado de cigarras
e grilos – sentado nos varais duma carroça vejo
tempos em que tudo fervilhava…
desenhadas, redesenhadas, percorrem a nudez
do chão raso de poeira, desnudado de rosas,
terra magra e enxuta dos que já partiram, dos
poucos que ainda estão, canto ritmado de cigarras
e grilos – sentado nos varais duma carroça vejo
tempos em que tudo fervilhava…
um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…
Entre duas leiras abandonadas o que foi um muro,
um amontoado de silvas e tábuas velhas, o que
resta duma picota – um poço vazio, no fundo
partes dum fogão, um vime a querer sobreviver…
um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…
uma roseira, mais velha que o tempo, que sobreviveu
às intempéries e ao abandono, jovem e bela
aos meus olhos, perfumada, filha da terra,
mãe de muitos amores – quantas casas e quantas mesas
terá encantado antes de ser um pouco minha,
antes de fazer parte, de ser, a rainha do meu jardim?…
um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…
e eu aqui, a roseira e rosas – únicas, perenes no
meu encantamento, no amor à terra onde nasci,
e a ti…
António Alves
21/06/2017
Entre duas leiras abandonadas o que foi um muro,
um amontoado de silvas e tábuas velhas, o que
resta duma picota – um poço vazio, no fundo
partes dum fogão, um vime a querer sobreviver…
um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…
uma roseira, mais velha que o tempo, que sobreviveu
às intempéries e ao abandono, jovem e bela
aos meus olhos, perfumada, filha da terra,
mãe de muitos amores – quantas casas e quantas mesas
terá encantado antes de ser um pouco minha,
antes de fazer parte, de ser, a rainha do meu jardim?…
um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…
e eu aqui, a roseira e rosas – únicas, perenes no
meu encantamento, no amor à terra onde nasci,
e a ti…
António Alves
21/06/2017
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Mais um poema do António Joaquim Alves sobre a aldeia
Olho a ribeira.
Continua a haver maio mas já não há milho
as noras estão sem alcatruzes
a água está parada
o açude mingou.
De olhos fechados vejo gente
escuto o tic-tac das noras
vozes.
Sonho!...
Um rebanho de cabras desce a encosta
os chocalhos
umas mais afoitas acercam-se da horta.
Uma pedra fende o ar
o Manuel Branco está sentado debaixo duma oliveira.
Ao lado o cão faz-se de morto
de olhos abertos.
António Alves
09/06/2017
Foto/ Arranjo - António Alves.
(...nada como uma boa mesa e boa companhia.)
Continua a haver maio mas já não há milho
as noras estão sem alcatruzes
a água está parada
o açude mingou.
De olhos fechados vejo gente
escuto o tic-tac das noras
vozes.
Sonho!...
Um rebanho de cabras desce a encosta
os chocalhos
umas mais afoitas acercam-se da horta.
Uma pedra fende o ar
o Manuel Branco está sentado debaixo duma oliveira.
Ao lado o cão faz-se de morto
de olhos abertos.
António Alves
09/06/2017
Foto/ Arranjo - António Alves.
(...nada como uma boa mesa e boa companhia.)
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A aldeia,
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Poesia
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Números de telefone para ter à mão... (ou consultar aqui)
Porque podem salvar vidas...
- Escutar – Voz de Apoio: 225 506 070;
- Conversa Amiga: 808 237 327 / 210 027 159;
- Telefone da Esperança: 222 030 707.
E ainda, no âmbito do programa de Prevenção do Suicídio:
- SOS – Voz Amiga: 800 209 899 / 21 354 45 45 / 91 280 26 69 / 96 352 46 60;
- Telefone da Amizade: 808 223 353 / 228 323 535;
- SOS – Estudante: 808 200 204 / 969 554 545;
- Telefone da Amizade: 808 223 353 / 228 323 535;
- SOS – Estudante: 808 200 204 / 969 554 545;
- Escutar – Voz de Apoio: 225 506 070;
- Conversa Amiga: 808 237 327 / 210 027 159;
- Telefone da Esperança: 222 030 707.
Encontro de Janeireiros realizou-se no dia 21jan, em Proença-a-Nova
"É uma das tradições que ainda se realiza na maior
parte das aldeias do concelho de Proença-a-Nova durante o mês de janeiro: de
porta em porta, o grupo de janeireiros deseja prosperidade no início de mais um
ano, anunciando o nascimento de Jesus e pedindo aos residentes as “sobras” das
festas natalícias. “As Janeiras” são cânticos seculares realizados
maioritariamente por grupos de homens que, antigamente, percorriam várias
aldeias recolhendo cereais, batatas, azeite e enchidos, entre outros bens, que
eram depois leiloados na missa de domingo.
(do Site do nosso Município: http://www.cm-proencanova.pt)
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Danças e cantares,
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Janeiras/Reis
sábado, 14 de janeiro de 2017
Agenda dos Mercados "Os Quintais nas Praças do Pinhal", em 2017
Eis a agenda prevista dos Mercados da série "Os Quintais nas Praças do Pinhal", durante o ano corrente (tendo já decorrido o primeiro, na Sertã, em 08jan):
Acompanhe os eventos na Página 12 ou no Facebook de "Os Quintais nas Praças do Pinhal" (https://www.facebook.com/osquintaisnaspracasdopinhal/?ref=ts&fref=ts)
Nota, em 28jun2017: A página 12 estará, por vezes, desactivada. Mas os Mercados continuam, seguindo a Agenda acima apresentada...
Nota, em 28jun2017: A página 12 estará, por vezes, desactivada. Mas os Mercados continuam, seguindo a Agenda acima apresentada...
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
BOAS FESTAS!
Feliz Natal a todos os Valecarreirenses, familiares e amigos! E, porque não, a todos os que lerem esta mensagem...
É tempo de juntar as famílias, tempo de tolerância, tempo para tudo o que de bom se possa imaginar... Deixemo-nos levar por esses princípios, que só nos fazem bem e engrandecem...
Aqui fica uma foto do meu presépio (muito antigo e modesto, mas genuíno):
"Alegrem-se os céus e a Terra,
Cantemos com alegria!
Já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!
Entrai, pastores, entrai
Por esse portal sagrado.
Vinde adorar o Menino
Numas palhinhas deitado..."
Já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!
Entrai, pastores, entrai
Por esse portal sagrado.
Vinde adorar o Menino
Numas palhinhas deitado..."
domingo, 13 de novembro de 2016
Super Lua Cheia...
Se puder e tiver sorte de ter céu sem nuvens, não perca a Super Lua de 14 de novembro (amanhã).
O seu tamanho será o maior dos últimos 68 anos. Uma Lua Cheia semelhante só irá acontecer em 2034... Altura melhor para observar o fenómeno: próximo do seu nascimento ou ocaso (um pouco depois do pôr do Sol e um pouco antes do nascer do Sol, no dia seguinte)...
http://www.tvi24.iol.pt/tecnologia/universo/vem-ai-a-maior-super-lua-de-2016
https://www.vercalendario.info/pt/quando/proxima-super-lua.html
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