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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Fases da Lua e Eclipses em 2020

Dado que podem ser úteis, coloco aqui as fases da Lua, durante 2020:


Quanto aos eclipses do ano:

- Da Lua, apenas haverá 4, todos penumbrais, sem grande interesse para ver.
- Do Sol haverá 2, um total e outro anular, mas nenhum visível em Portugal.

Curiosidade: embora não sejam visíveis num mesmo local da Terra, os eclipses aparecem sempre agrupados em número de 2 ou 3 (menos frequentemente), alternando entre o Sol e a Lua, separados por 14 ou 15 dias!...

Mais sobre os eclipses:

https://www.timeanddate.com/eclipse/2020

http://oal.ul.pt/documentos/2019/12/eclipses2020.pdf/

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Não há fome que não dê em fartura! - E um Natal "quente"!...

O provérbio "não há fome que não dê em fartura" é apropriado para a situação em que estamos. Há poucos meses, o país encontrava-se em situação de seca acentuada (chegando a ser extrema ou severa, nalgumas zonas) e agora temos água a mais! Mesmo inundações, nas proximidades de rios e outras linhas de água...

Efectivamente, desde os dias 11 ou 12dez, que tem caído chuva abundante. Em vários dias e locais, tem havido totais acima de várias dezenas de milímetros (ou litros por metro quadrado). E ontem, 19dez, por acção de uma depressão/tempestade  a que foi dado o nome "Elsa", o dia foi de tempo muito gravoso, com precipitação e vento pouco habituais, a provocar estragos e mesmo vítimas...

Vejamos os seguintes mapas, com valores das estações automáticas do IPMA (ainda sujeitos a validação):

Total da precipitação diária.
(Vários valores acima de 120mm!)

Intensidade máxima do vento.
(São vários os valores superiores a 100km/h, chegando mesmo a cerca de 150, em Fajão - Pampilhosa da Serra!)

Acrescentado em 21dez:

E o dia 20 também foi de valores elevados de precipitação:

Precipitação de 20dez.
(Valores muito elevados, particularmente na Beira Interior)

Dizem alguns que é o resultado das "alterações climáticas". Eu não direi tanto e lembro que o nosso país e muitos das latitudes médias estão (e talvez sempre estiveram) sujeitos a apreciáveis flutuações de algumas variáveis do clima, especialmente a precipitação e a temperatura...

A maioria das reservas de água (barragens, lagoas, charcas, poços, etc.) estão no máximo da capacidade! Excepção para o S/SE do país. As inundações em zonas ribeirinhas, que há muito não se viam, voltaram...

Prevê-se que o tempo melhore gradualmente, começando pelo Sul, ao longo da próxima semana. E talvez na seguinte não chova, nem no Norte...

Acrescentado em 26dez:

Reparem agora nas temperaturas máximas do dia de Natal, um dia muito ameno, relativamente quente para a época do ano (o Inverno astronómico começou no dia 22), com alguns locais do Sul a atingirem quase 25 graus! Quase todo o litoral esteve acima dos 20... Estes os valores das estações automáticas do IPMA:

Temp. Máx. do dia 25dez.

domingo, 24 de novembro de 2019

Novo ciclone tropical nos Açores...

Aí está o segundo ciclone tropical a atingir os Açores neste ano: a tempestade tropical Sebastien, que está (estava) ainda bastante longe, a SW do Arquipélago.


Mas está a mover-se cada vez mais rapidamente para NE e vai afectar especialmente os Grupos Ocidental e Central, para o fim do dia e durante a noite de hoje para amanhã. Ao longo da manhã, vai afastar-se rapidamente e dissipar-se...

Os Açorianos (particularmente os das Flores e do Corvo) devem preparar-se para alguma precipitação intensa, vento e ondulação...

Acrescentado em 25nov:

A tempestade passou mesmo junto às Flores e ao Corvo, cerca da meia-noite. Praticamente só se notou pela intensidade do vento, que soprou com algumas rajadas de cerca de 90 km/h. E está já bastante longe, como se vê na imagem das 06H:


sábado, 26 de outubro de 2019

Mudança para a hora de Inverno

Na noite de hoje (26out) para amanhã, há que atrasar os relógios uma hora: entra-se, assim, na chamada "hora de Inverno", que vai perdurar até ao último fim-de-semana de Março.

Há imensa gente a quem desagrada esta mudança, mas vamos ter de continuar com o ritual, pelo menos mais uns anos... Paciência, serão apenas 5 meses, contra os 7 da "hora de Verão".

Nos dispositivos electrónicos, o ajuste é, por norma, automático.

Não se esqueçam de fazer também o acerto nas viaturas...

Vejam como:

(Clique, para ver melhor)

Nota: Quando chegar 29mar2020, voltaremos à hora de Verão, adiantando uma hora...

sábado, 28 de setembro de 2019

Furacão "Lorenzo" nos Açores

O Furacão "Lorenzo" está em vias de começar a atingir os Açores, já para o final do dia 01out.

Acompanhe a evolução, no site do IPMA (comunicados), nas TV's (RTP Açores e outras), nas redes sociais, etc.

Eis aqui imagens de satélite, dia-a-dia, para se perceber a gradual aproximação do furacão:

Imagem do Lorenzo (zona a vermelho, à esquerda), em 28set, às 06H.

E, passadas 24h, já está um pouco mais a N.

Já está a mover-se para NE e vai começar a aumentar a velocidade de deslocamento...

A sua localização, em 30set - 06h.

Dia 01out: o Furacão já se desloca mais rapidamente para NE.
Vai aproximando-se do Arquipélago...

O centro do Lorenzo vai passar mesmo a W do Grupo Ocidental (Flores e Corvo). Ao final do dia, começará a fustigar os Açores.  A noite e a madrugada/manhã vão ser complicadas!... Especialmente no respeitante ao vento e ondulação. A precipitação também pode ter, pontualmente, alguma intensidade, susceptível de gerar enxurradas...

Na tarde de amanhã, 02out, com o rápido deslocamento em direcção à Irlanda, a situação no Arquipélago vai regressar à normalidade. Depois, contabilizar e reparar os estragos...

Desejamos que, além dos inevitáveis prejuízos materiais, não haja fatalidades! 
Portanto, toda a precaução e cuidado são necessários...

Editado, às 08h do dia 02out:

Tal como se previa, foi entre as 4 e as 6 horas da manhã que o "Lorenzo" esteve mais próximo das Flores e Corvo:


Então, o centro do furacão já passou, a menos de 100 quilómetros a W das Flores e Corvo! Está agora a mover-se mais rapidamente para NE, afastando-se do Arquipélago. É agora de cat. 1 e passará, dentro de horas, a ser considerado extra-tropical.

Na imagem de satélite das 06h, nota-se bem a desorganização da sua estrutura, sinal do seu enfraquecimento:

O Lorenzo, a desorganizar-se, agora já centrado a NW do Arquipélago. 

A melhoria gradual vai sentir-se no vento e precipitação; apenas mais tarde, na ondulação...

Estragos:

Devida à pouca precipitação caída, parece não ter havido enxurradas! Mas os ventos fortes, com rajadas, chegaram a atingir valores entre 140 e 150 km/h., nas ilhas do Grupo Ocidental. A ondulação e agitação do mar fizeram os maiores estragos, apenas danos materiais, como se mostra a seguir:






Finalmente, convém referir que, desde que os Ciclones Tropicais são seguidos regularmente pelos Centros/Serviços meteorológicos para isso vocacionados (e com a ajuda de imagens de satélite), nunca um Furacão, nestas latitudes, tinha atingido o grau 5 (cat. 5), o mais elevado da classificação (Saffir-Simpson).

Depois de se ter tornado Furacão, em 25set, foi gradualmente ganhando intensidade e, no dia 29, atingiu o máximo. Nas proximidades dos Açores, já estava bem mais fraco, em cat. 2 ou 1. Cerca de 9 a 10 horas depois, passou a depressão extra-tropical.

Eis o seu registo:


domingo, 15 de setembro de 2019

O Outono a chegar...

Claro, já estamos no meio de Setembro! O Outono vai dando sinais: ontem houve precipitação típica da estação, aguaceiros e uma ou outra trovoada isolada...

A situação meteorológica caracteriza-se por uma zona depressionarária centrada no SE de Espanha, estendendo a sua influência, de forma muito menos acentuada, sobre Portugal Continental.

Durante esta semana, continuará a precipitação, dispersa e principalmente no Norte. Haverá um ou outro dia, mesmo sem ela... Mas, a mudança está aí... Parece que, de 20 em diante, vai estender-se a todo o país...

Oxalá acabe o flagelo dos fogos!

Actualizado, em 19set: confirmo a precipitação, apenas para os dias 20 e 21. Mas as temperaturas já são mais baixas, a humidade é maior e as nuvens vão fazendo companhia...

Eis a precipitação do dia 14set, Sábado, nas estações automáticas do IPMA:


E também a do dia 15set, Domingo:


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Então, Verão!?

Neste atípico ano, junho acabou por ser o mais frio das últimas 2 décadas, e julho começa com o mesmo cenário! Devia predominar o sol e temperaturas mais altas, mas não tem sido o caso.

Depressão centrada perto do Porto (8jul).

Tal se deve ao facto da persistência, quase constante, de zonas depressionárias centradas a oeste ou NW da Península Ibérica. Em consequência, ar marítimo, mais húmido e fresco, do quadrante oeste, impede a subida da temperatura e o aparecimento de céus limpos. Apenas as zonas mais interiores, junto à fronteira este com Espanha, têm ficado um pouco livres...

Temp. Máx. de Lisboa: depois das "promessas" de Maio, no início de Junho houve uma descida brusca...

Actualização de 14jul:

O tempo continua "aos solavancos"! Depois de um ou outro dia quente, surgem de novo depressões a transportar ar marítimo, mais húmido e com períodos de nebulosidade.

Como esperado, mais um "solavanco": em 10 e 11jul, houve calor (o record da temp. máxima do ano está, até agora, em 43,1 graus, em Alvega), seguindo-se, em 12 e 13, uma descida apreciável de temperatura e alguns aguaceiros ou trovoadas. Mas, foi no dia 13 que, a norte do Douro, houve precipitação abundante, por vezes com trovoada e saraiva, especialmente nas zonas de Mogadouro a Moncorvo. Veja, a seguir:

 Temp. Máx. de 11jul.

Precip. em 12jul.

Precip. em 13jul.

Imagem sat. 13jul/18H.

Mesmo nas regiões do interior, também tem havido oscilações apreciáveis nas temperaturas. No entanto, os valores são mais elevados,
com menos nebulosidade e vento...


Actualização de 28jul:

Este Julho continua mesmo incomum! O normal seria haver temperaturas elevadas e pouca humidade. Mas, pelo menos nas regiões do litoral, nem parece Verão!

Continuam regiões depressionárias no lado oeste da Península Ibérica, transportando ar marítimo sobre o território. Ao mesmo tempo, a maior parte da Europa sofre a influência de massas de ar, vindas de sul, o que leva a recordes de temperatura (acima dos 40 graus)...

E voltou a haver precipitação em grande parte do país, durante esta semana (dados do IPMA):

Precipitação em 25jul.

 Precipitação em 27jul.

Nebulosidade e precipitação,
associadas a zonas depressionarárias,
junto à Pen. Ibérica (27jul).


Actualização de 10ago:

E o princípio de Agosto continuou semelhante: influência de ar marítimo e ausência de Anticlone dos Açores, que costuma estender uma crista pelo norte da Península Ibérica!...

Eis uma depressão, bem típica dos meses de Inverno, com sistema frontal bem visível (imagem do dia 8):


A "corrente perturbada de oeste" a ela associada produziu precipitação em quase todo o país (excepção provável ao Baixo Alentejo e Algarve mais perto de Espanha). Eis os valores dos dias 7, 8 e 9. As quantidades, nada normais para a altura do ano, foram apreciáveis nomeadamente no NW (cf. site do IPMA):

Precip. de 07ago.

Precip. de 08ago.

Precip. de 09ago.

domingo, 14 de outubro de 2018

No rescaldo de Leslie: Depois da tempestade, a bonança...

Hoje, 14out2018, é domingo, um dia calmo e sereno! Dia de bonança, que se segue a um dia muito atípico, agitado, de autêntica tempestade!

O Furacão Leslie, que desde 23 de setembro vagueava entre a Bermuda e os Açores (fig. 1), cerca do dia 9 ou 10out (fig. 2), ganhou intensidade e começou a tomar um rumo mais certo, na direcção ENE (es-nordeste), ameaçando atingir território português. Felizmente, de 12 para 13out, passou bastante a Sul dos Açores, depois aproximou-se do Arquipélago da Madeira, na manhã do dia 13, passando um pouco mais longe do que era esperado, cerca de 300 km a Norte. Mesmo assim, provocou ainda algum vento e ondulação - (fig. 3 e 4).

A sua velocidade ia aumentando e, apesar de se mover sobre águas mais frias, não se dirigia para a zona das Ilhas Canárias, antes continuava mais na direcção NE (nordeste), de tal modo que ao final do dia 13 atingiu a costa do Continente português, já como tempestade tropical, embora com ventos ainda característicos de furacão cat. 1 - (fig. 13).

Quase todos os cenários apontavam, de início, para que atingisse com intensidade a Madeira e se dissipasse na zona das Ilhas Canárias... Mas o seu trajecto, numa área não comum para estes ciclones, foi sendo sucessivamente revisto, cada vez se deslocando mais para o Norte do país, desde o Algarve até à zona de Lisboa, depois entre Peniche e Figueira da Foz (fig. 5 a 8)...

Acabou por entrar em terra na zona da Figueira da Foz, entre as 22 e as 23h. Aí, bem como na margem esquerda do Rio Mondego e Soure, provocou os maiores estragos (fig. 9 a 12).

Nas horas seguintes  foi perdendo actividade, mas deixando ainda vestígios nos distritos de Coimbra, Viseu, Vila Real e Bragança... De um modo geral, todo o litoral desde a foz do Tejo até  Aveiro acabou por ser afectado!

Na fig. 14, apresenta-se o trajecto completo deste furacão, que esteve activo durante 21 dias, um dos mais duradouros e erráticos de sempre. (O Furacão John, no Pacífico, em ago/set 1994, durou 31 dias, o máximo atingido conhecido!)...

Em 1998, 2005 e 2017, Portugal Continental tinha já sofrido com ciclones topicais. Os Açores têm sido sempre mais sujeitos a estes acontecimentos: nos últimos 45 anos, foram assolados ou ameaçados cerca de 35 vezes! - (Veja, na barra lateral deste blogue: Portugal e os Ciclones Tropicais). Tal como o Continente, também a Madeira muito raramente é afectada. Parece que o foi, e severamente destruída, no longínquo ano de 1842. Ao que parece, esse evento ainda atingiu o Algarve. - (Note-se que o muito falado Ciclone de fev/1941 não tinha as características de ciclone tropical, mas sim de uma intensa depressão das latitudes médias).

Aparentemente, estamos cada vez mais a ser atingidos por estas calamidades! Efeitos das alterações climáticas???

Acrescentado, em 16out: as fig. 15 e 16 apresentam, respectivamente, o vento máximo (rajadas) e a precipitação total do dia 13out (nas estações automáticas da rede do Instituto Português do Mar e da Atmosfera  - IPMA - do seu site). Os ventos foram bem significativos nas zonas próximas do centro da tempestade/depressão, tendo-se, na Figueira da Foz, atingido o máximo alguma vez registado em Portugal Continental (rajada de 176,4 km/h). Em Aveiro, Coimbra e Caramulo, foram registadas rajadas de 120 km/h, 122 km/h e 140 km/h, respectivamente. Já a precipitação foi bastante inferior ao esperado...

Fig. 1

Fig. 2

Fig. 3 - O furacão Leslie a N da Madeira

Fig. 4 - Ondas enormes na costa Norte da Madeira

Fig. 5

Fig. 6

Fig. 7

Fig. 8

Fig. 9

Fig. 10

Fig. 11

Fig. 12

Fig. 13 - Imagem de radar meteo., cerca de 40 min. antes de atingir terra

Fig. 14 - Trajecto total do Furacão Leslie

Fig. 15 - Vento máximo (rajada)

Fig.16 - Precipitação total

Nota: imagens ou fotos obtidas do IPMA, Correio da Manhã, Diário de Notícias, TVI,  NOAA, Wunderground.com, Facebook. - (Para melhor definição, clique nas imagens)