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sábado, 10 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
BOAS FESTAS!
Feliz Natal a todos os Valecarreirenses, familiares e amigos! E, porque não, a todos os que lerem esta mensagem...
É tempo de juntar as famílias, tempo de tolerância, tempo para tudo o que de bom se possa imaginar... Deixemo-nos levar por esses princípios, que só nos fazem bem e engrandecem...
Aqui fica uma foto do meu presépio (muito antigo e modesto, mas genuíno):
"Alegrem-se os céus e a Terra,
Cantemos com alegria!
Já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!
Entrai, pastores, entrai
Por esse portal sagrado.
Vinde adorar o Menino
Numas palhinhas deitado..."
Já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!
Entrai, pastores, entrai
Por esse portal sagrado.
Vinde adorar o Menino
Numas palhinhas deitado..."
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Dia dos Namorados!
Tradicionalmente, o dia 14 de fevereiro é conhecido por ser o Dia de São Valentim, ou Dia dos Namorados... A propósito, já se lembrou do seu/sua namorado/a ou da/do sua/seu "cara metade"? Ofereça-lhe um presente, faça-lhe uma surpresa, um carinho diferente, etc.
Em suma, dê-lhe mais atenção, ame... Puxe pela imaginação!... Surpreenda!
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Brinquedos de papel, madeira, etc.
Nos tempos em que era miúdo, na aldeia, costumávamos passar largos períodos de tempo entretidos a fazer os nossos próprios brinquedos.
Os materiais iam da madeira ao papel, passando pelas folhas de milho, de azinheira, de esteva, junco, arame, etc.
domingo, 30 de novembro de 2014
O canto da lenha (noutros tempos - cont.)
Todas as casas da aldeia tinham (e
continuam a ter) lareira, visto haver
necessidade de aquecer a casa e seus habitantes, nos tempos mais frios, bem
cozinhar alimentos para pessoas e alguns animais domésticos...
A matéria combustível
usada na fogueira compreende: para iniciar a chama, risca-se/acende-se um
fósforo ou sopra-se uma brasa da fogueira anterior, que inflamam uma carqueja
(ou mesmo palha, papel, pinha, etc., quando não há carqueja seca); depois, uns
paus miúdos e, por cima disso, a lenha mais grossa, desde esteva a torga,
azinheira, oliveira, etc.
De salientar que,
antigamente, os fósforos eram mais escassos, não se podia (no salazarismo) usar
isqueiros. E, para colmatar isso, era frequente as nossas mães/avós irem
perguntar às vizinhas se lhes podiam dispensar alguma brasa que restasse das
suas fogueiras anteriores (ou se já as tivessem aceso antes). Isto apesar de
ser muito habitual, ao findar do serão, as mães acondicionarem debaixo da
cinza algumas das melhores brasas que ainda havia, para as tentarem se manter
até de madrugada...
Ao lado da lareira, havia sempre um canto da lenha. Era o local, num canto da cozinha, onde se
colocava a lenha que iria ser queimada. Não era a grande (ou maior) reserva de
lenha que se tinha. Essa era guardada num canto da cabana ou num curral seco,
onde, no final do Verão ou começo do Outono, se amontoava, principalmente a mais grossa, para ser usada nos meses mais frios...
Numa linguagem meio
português meio espanhol, contavam os nossos pais que, no tempo da guerra civil
em Espanha (1936-39), em que muitos espanhóis se refugiaram em Portugal, alguns
escondendo-se dos seus rivais, diziam uns para os outros: "Se te vas a
Portugal, não te ponhas en el "canto da lenha", porque está lá o
portuguesito que está siempre a decir: "mete lenha, mete lenha"."
domingo, 3 de agosto de 2014
Aí estão as canículas (primeiros doze dias de Agosto)...
Alguém se lembra de ouvir os seus pais, avós ou vizinhos falar das canículas? Eu lembro. E vou explicar do que se trata.
Diziam os antigos que os primeiros dias de Agosto de cada ano "arremedavam" o tempo do ano seguinte! Isto é, acreditavam eles que o estado do tempo nos primeiros 12 dias de Agosto daria uma indicação genérica do tempo que iria estar no ano seguinte. Agricultores, pastores, pescadores, etc. tinham necessidade de projectar (prever/antever) o que iria acontecer...
Cada dia corresponderia a um mês. O dia 1 indicava o tempo em Agosto (o primeiro dia era guardado para si); o dia 2 arremedava Janeiro; o 3, Fevereiro; etc. Consoante o tempo que estava ao longo do dia (pela manhã, à tarde e à noite), assim iria ser o mês correspondente, no ano seguinte. Esta era a correspondência:
1 - ago
2 - jan (O jan. de 2015 seria chuvoso. Aqui poderá dar certo!!!)
3 - fev
4 - mar
5 - abr
6 - mai
7 - jun
8 - jul
9 - set
10 - out
11 - nov
12 - dez
De notar que, de zona para zona do país (penso que mais na parte sul), havia algumas diferenças na distribuição dos dias...
Isto deixa logo antever o rigor ou a veracidade da tal correspondência! E a tão grande distância!? Evidentemente que, com os conhecimentos de hoje em dia, que são aceites numa base científica, a previsão dos elementos do tempo (ou clima) não pode ser vista da mesma forma de antigamente... Até a designação de "fenómenos" meteorológicos deixava a ideia de que não se sabia a origem ou razão de ser dos estados do tempo... Tudo isso mudou.
No entanto, para que os mais novos saibam algo mais do nosso passado, aqui ficou esta descrição...
sábado, 26 de julho de 2014
Desafio... (Editado em 15fev2017: Nova foto das Tulhas do Lagar - Ver nomeadamente a pág. 11... Obrigado.)
Hoje lanço aqui um desafio a todos os valecarreirenses: vamos ver quem tem as fotografias mais antigas da aldeia, dos costumes, dos nossos antepassados, etc. Querem colaborar? Cedam-mas, enviando para o meu mail... (Ou publiquem no Facebook, etc., onde eu as possa ver e copiar) Obrigado.
Colocá-las-ei aqui, por ordem de antiguidade (se souberem o ano/anos, tanto melhor...). Para começar, vejam:
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No casamento do Raul Sonso - 22out1962:

As Tulhas do Lagar, em 1963 (Créditos: Museu de Etnologia e Benjamim Pereira):
Matança do porco, no Covão, nos anos 70:
A debulha dos cereais, na eira, em 1974:
A aldeia em 1976:
Notas: - Até agora, a foto mais antiga é de 1940-1950;
- Estas e outras fotos podem ser também encontradas noutros artigos, nomeadamente:
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/p/fotos-antigas-familias-eventos.html
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/07/paisagens-do-vale-da-carreira-em.html
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/03/matanca-do-porco.html
- http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=1®PAG=50&CRITERIO=MES%c3%83O+FRIO&IDFOTO=84513
- ...

A debulha dos cereais, na eira, em 1974:

A aldeia em 1976:

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- Estas e outras fotos podem ser também encontradas noutros artigos, nomeadamente:
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/p/fotos-antigas-familias-eventos.html
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/07/paisagens-do-vale-da-carreira-em.html
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/03/matanca-do-porco.html
- http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=1®PAG=50&CRITERIO=MES%c3%83O+FRIO&IDFOTO=84513
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
Cuidado com o maio!
Havia uma superstição (e tradição) antiga, na nossa aldeia, que dizia que, mal chegasse o mês de Maio, não se devia ficar na cama até tarde! Ou seja, pelo menos no dia 1, todos tinham de se levantar cedo (antes do nascer do sol), pois, caso contrário, o tal bicho maio podia entrar-lhes pelo rabo!!!
Percebe-se a intenção: como os dias começam a ficar mais quentes, é pela madrugada (pelo fresco) que se devem fazer prioritariamente os trabalhos do campo, logo toda a gente deve começar a levantar-se cedo...
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Conservação de uvas, marmelos, cebolas, etc. (dependurados pela casa...)
Antigamente, uma forma de conservar uvas, marmelos, etc., passava por dependurá-los no tecto da sala, despensa, adega. Depois de feita a vindima, alguns cachos de uva eram seleccionados para o efeito, ficando dependuradas durante mais 2 ou 3 meses (até cerca do Natal). Era natural que, gradualmente, os bagos começassem a secar, dando um sabor cada vez mais adocicado à uva.
O mesmo se passava (ou passa ainda) com as cebolas e alhos. Estes por vezes ficavam fora de casa (na cabana ou num anexo).
As uvas e os marmelos ficavam presos por um cordel ou ráfia, ligeiramente afastados do tecto, para evitar o acesso dos ratos. Já as cebolas e alhos eram aglomerados em forma de trança e assim ficavam dependurados.
(arranjar fotos)
domingo, 21 de abril de 2013
Noutros tempos: a ribeira do Vale d'Anta, a azenha, os pastores e as cabras...
Mais uma colaboração do António. Obrigado, grande poeta e pintor. Aproveitem para espreitar o seu blogue, ainda na fase inicial: Leiriartes (http://leiriartes.blogspot.pt).
Tempos "Idos" a ribeira do Vale
D'Anta e a Azenha... os pastores e as cabras...
...
Meio Dia…
O sol aquece
e esquece a sombra
que parada dorme
na solidão das horas.
O gado descansa
debaixo da árvore
que abrasada esconde
e mata o sol.
No silêncio da água
quente, parada
a rã saltitona
entra nos juncos
e canta afinada
um som dormente.
Os frutos maduros
dão vida ao pastor;
o cão acordado
aguarda a partida.
As ervas crescem,
a vida renova-se
na minha ribeira.
O moinho parado
relembra outros tempos.
O verão e as cabras.
A sesta e os pastores.
António Alves
20/04/2013
domingo, 24 de março de 2013
A Semana Santa e as Endoenças.
Designa-se por Semana Santa a que vai do
Domingo de Ramos (este ano precisamente hoje) até ao dia de Páscoa. É um
período rico em cerimónias religiosas, principalmente na Quinta-Feira, dia da
Paixão de Cristo. Os diversos serviços (ofícios) religiosos desse dia eram (são) designados por Endoenças.
Não
havia nas nossas aldeias quem não fosse à vila (Proença) assistir às Endoenças.
Para os mais novos, significava ainda (ou principalmente) o receber dos pais
e/ou padrinhos as amêndoas da Páscoa. As variedades eram poucas e não havia
ainda a tradição dos ovos da Páscoa. As de chocolate e as torradas ainda não
existiam. Em alguns estabelecimentos, chegava a haver um aglomerado tão grande
de gente a comprá-las!...
Saliento as
cerimónias no interior da Igreja Matriz (Paixão de Cristo) e a procissão dos
passos ou do encontro, no Largo da Devesa. Aí era feito um grande sermão. Na Sexta-Feira Santa, à tarde, havia ainda a procissão do
enterro.
Quanto ao tempo para esta semana, confirma-se o ditado ou crença dos nossos antepassados: "a Semana Santa gosta muito de chuva"!...
Quanto ao tempo para esta semana, confirma-se o ditado ou crença dos nossos antepassados: "a Semana Santa gosta muito de chuva"!...
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domingo, 13 de janeiro de 2013
As Janeiras na Capelania do Caniçal
Mais uma vez, se transcreve um artigo sobre a tradição de cantar as Janeiras, da autoria de Fernando Alves, publicado no Jornal "O Concelho de Proença-a-Nova" n.º 682, de 10jan2013:
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"As populações das aldeias de Bairrada, Mesão Frio, Vale da Carreira, Caniçal Fundeiro e Caniçal Cimeiro viveram na noite do passado dia 05 e manhã do dia 06 (sábado e domingo) a tradição, quiçá centenária, (desconhece-se a data de início) do cantar das Janeiras.
Fortemente enraizada nestas gentes, todos esperam ouvir as vozes fortes, a cortar o frio da noite, de dois grupos de homens, entoando versos alusivos aos reis magos e apelando ao espírito da caridade cristã, enquanto outros batem de porta em porta, para receber as ofertas. Estas dádivas, popularmente designadas de esmolas, revertem para os fundos da Capelania do Caniçal e são dadas com a intenção de serem celebradas missas pelas "almas" dos seus entes queridos já falecidos.
Depois da celebração da missa de domingo, foram leiloados, no adro da capela, os géneros ofertados (muitas pessoas optam por doações monetárias diretas).
Como já temos referido em notícias publicadas em anos anteriores, também agora vieram muitos que residem fora mas estão fortemente ligados, por laços de sangue, a estas terras.
Em todos os participantes no cantar das Janeiras, dos vinte aos oitenta anos, reside o forte desejo de a tradição não se perder. Enquanto houver vida humana e cristãos por estas paragens, estamos convictos, vamos continuar a cantar as Janeiras.
Fortemente enraizada nestas gentes, todos esperam ouvir as vozes fortes, a cortar o frio da noite, de dois grupos de homens, entoando versos alusivos aos reis magos e apelando ao espírito da caridade cristã, enquanto outros batem de porta em porta, para receber as ofertas. Estas dádivas, popularmente designadas de esmolas, revertem para os fundos da Capelania do Caniçal e são dadas com a intenção de serem celebradas missas pelas "almas" dos seus entes queridos já falecidos.
Depois da celebração da missa de domingo, foram leiloados, no adro da capela, os géneros ofertados (muitas pessoas optam por doações monetárias diretas).
Como já temos referido em notícias publicadas em anos anteriores, também agora vieram muitos que residem fora mas estão fortemente ligados, por laços de sangue, a estas terras.
Em todos os participantes no cantar das Janeiras, dos vinte aos oitenta anos, reside o forte desejo de a tradição não se perder. Enquanto houver vida humana e cristãos por estas paragens, estamos convictos, vamos continuar a cantar as Janeiras.
Fernando António Alves"
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Ver também os artigos de jan/fev 2010:
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/01/as-janeiras-reis.html (versos das Janeiras)
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/02/tradicao-das-janeiras.html (as Janeiras em 2010)
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Ver também os artigos de jan/fev 2010:
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/01/as-janeiras-reis.html (versos das Janeiras)
- http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/02/tradicao-das-janeiras.html (as Janeiras em 2010)
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domingo, 25 de novembro de 2012
Dias comemorativos
Ao longo do ano, existem muitos dias (ou datas) comemorativos. Aqui deixo apenas alguns:
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Consulte também as ligações:
Dia
de ano novo; dia mundial da paz – 01 de
janeiro;
Dia
dos namorados – 14 de fevereiro;
Dia
internacional da mulher – 08 de março;
Dia
mundial dos direitos do consumidor – 15 de março;
Dia
do pai – 19 de março;
Dia mundial da floresta (da árvore); dia mundial
da poesia; dia mundial para a eliminação da discriminação racial – 21 de março;
Dia mundial da água – 22 de março;
Dia de Páscoa – entre 22mar e 25abr (no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre
depois do equinócio da primavera, no hemisfério norte, ou do outono, no hemisfério sul. O Carnaval será 47 dias antes) – ver http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2011/06/datas-da-pascoa-e-carnaval-no-sec-xxi.html
Dia mundial da meteorologia – 23 de março;
Dia
das mentiras – 01 de abril;
Dia mundial da Terra – 22 de abril;
Dia mundial da Terra – 22 de abril;
Dia
do trabalhador – 01 de maio;
Dia
da mãe – primeiro domingo de maio;
Dia internacional da família – 15 de maio;
Dia dos vizinhos – última terça-feira de maio;
Dia mundial do não fumador – 31 de maio;
Dia dos vizinhos – última terça-feira de maio;
Dia mundial do não fumador – 31 de maio;
Dia mundial da criança – 01 de junho;
Dia
de Santo António – 13 de junho;
Dia
de São João – 24 de junho;
Dia
de São Pedro – 29 de junho;
Dia
das bruxas (“halloween”) – 31 de outubro;
Dia de todos-os-santos –
01 de novembro;
Dia de São Martinho – 11 de novembro;
Dia de São Martinho – 11 de novembro;
Noite de consoada – 24 de dezembro;
Dia de Natal – 25 de dezembro;
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Consulte também as ligações:
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Utilidades
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Noutros tempos (4 - cont...)
10. O rebanho: buços e barbilhos; o nosso queijo típico (de cabra e/ou ovelha)
Desde pequeno que me lembro dos meus pais terem algumas cabras (a princípio também algumas ovelhas), o mesmo sucedendo com praticamente todas as famílias da nossa aldeia. Cada um ia guardando o seu pequeno rebanho (quase sempre menos de 5 ou 6 cabeças), normalmente isolado do gado dos vizinhos.
Os nossos pais tratavam dos campos e desse gado, com a ajuda dos filhos, aos fins de semana e noutros tempos livres da escola, pelo que iam pastorando mais em redor das suas propriedades. Mas juntavam-se os animais quando era preciso. Por exemplo, quando falecia alguém duma família...
Por isso, foi fácil a certa altura (por volta de 1970) constituir um rebanho único da aldeia, com pastor próprio. Como consequência, aumentou o número de cabeças de gado na aldeia, com alguns a possuírem mais de 10. A par do gradual abandono de cultivo dos campos que se verificou e do aumento de mato, foi possível o gado pastorar até mais longe da aldeia...
A situação manteve-se apenas por cerca duma década: creio que foi por começar a haver falta de pastores ou por eles quererem ganhar além do que era rentável pagar-se. Então, foi decidido continuar com o rebanho único, mas cada dia o guardava uma família, em sistema de rotatividade... Eu próprio cheguei a ir o dia inteiro pelos campos, quando estava de férias ou de fim de semana na aldeia. Só não era agradável quando estava mau tempo!
Em qualquer dos casos, dado haver muita diversidade de pasto natural pelos campos (apenas escasseava na parte final dum ou outro verão), sempre os queijos caseiros feitos na nossa aldeia se mostraram muito saborosos e apreciados. Também era devido ao modo paciente e cheio de experiência de todo o processo de fabrico (uso de cardo para coagular/colhar o leite, o cincho/acincho de alumínio, o processo de cura e secagem, a conserva em talhas/potes de azeite, etc.).
O queijo tanto podia ser só de cabra como de mistura (com leite de ovelha, se as houvesse). Enquanto os cabritos (e borregos) eram muito jovens, não se ordenhava as suas mães para fazer queijo. Mas, à medida que eles iam crescendo, iam sendo desmamados (desabituados de se alimentarem só de leite). Começava-se por lhes ir dando umas folhas de hortaliça, enquanto ainda ficavam sem acompanhar o rebanho. Depois, colocava-se-lhes na boca um barbilho (pedaço de pau trabalhado, seguro aos cornos, que possibilitava comer mas não agarrar/chupar nas tetas) ou um buço (pano a tapar a boca). Desse modo se ia começando a aproveitar o leite para fazer o queijo. Passados uns tempos, os cabritos eram vendidos, mortos, ou desabituavam-se do leite.
Quando se fazia o queijo, ao ser apertada a coalhada/colhada no cincho, sobrava aquele soro (almece) tão apreciado por nós para comer com pedaços/sopas de pão! E se ainda contivesse algum "borreguinho" (pedaço de colhada), então ainda melhor. Comia-se fresco, com ou sem açúcar ou mel... Que saudades!!!
Presentemente, quase não há gado na aldeia: creio que apenas 2 famílias ainda têm cabras. Tudo muda, mas os queijos que fazem continuam de qualidade...
Sobre o assunto, muito mais haveria a dizer, talvez noutro artigo adiante... Se alguém se habilitar a escrever, faça favor. Prometendo colocar mais alguma foto, no futuro (sobre queijo, cincho, barbilho...), aqui deixo uma dum rebanho ainda existente (em 2004, tal como agora):
Os nossos pais tratavam dos campos e desse gado, com a ajuda dos filhos, aos fins de semana e noutros tempos livres da escola, pelo que iam pastorando mais em redor das suas propriedades. Mas juntavam-se os animais quando era preciso. Por exemplo, quando falecia alguém duma família...
Por isso, foi fácil a certa altura (por volta de 1970) constituir um rebanho único da aldeia, com pastor próprio. Como consequência, aumentou o número de cabeças de gado na aldeia, com alguns a possuírem mais de 10. A par do gradual abandono de cultivo dos campos que se verificou e do aumento de mato, foi possível o gado pastorar até mais longe da aldeia...
A situação manteve-se apenas por cerca duma década: creio que foi por começar a haver falta de pastores ou por eles quererem ganhar além do que era rentável pagar-se. Então, foi decidido continuar com o rebanho único, mas cada dia o guardava uma família, em sistema de rotatividade... Eu próprio cheguei a ir o dia inteiro pelos campos, quando estava de férias ou de fim de semana na aldeia. Só não era agradável quando estava mau tempo!
Em qualquer dos casos, dado haver muita diversidade de pasto natural pelos campos (apenas escasseava na parte final dum ou outro verão), sempre os queijos caseiros feitos na nossa aldeia se mostraram muito saborosos e apreciados. Também era devido ao modo paciente e cheio de experiência de todo o processo de fabrico (uso de cardo para coagular/colhar o leite, o cincho/acincho de alumínio, o processo de cura e secagem, a conserva em talhas/potes de azeite, etc.).
O queijo tanto podia ser só de cabra como de mistura (com leite de ovelha, se as houvesse). Enquanto os cabritos (e borregos) eram muito jovens, não se ordenhava as suas mães para fazer queijo. Mas, à medida que eles iam crescendo, iam sendo desmamados (desabituados de se alimentarem só de leite). Começava-se por lhes ir dando umas folhas de hortaliça, enquanto ainda ficavam sem acompanhar o rebanho. Depois, colocava-se-lhes na boca um barbilho (pedaço de pau trabalhado, seguro aos cornos, que possibilitava comer mas não agarrar/chupar nas tetas) ou um buço (pano a tapar a boca). Desse modo se ia começando a aproveitar o leite para fazer o queijo. Passados uns tempos, os cabritos eram vendidos, mortos, ou desabituavam-se do leite.
Quando se fazia o queijo, ao ser apertada a coalhada/colhada no cincho, sobrava aquele soro (almece) tão apreciado por nós para comer com pedaços/sopas de pão! E se ainda contivesse algum "borreguinho" (pedaço de colhada), então ainda melhor. Comia-se fresco, com ou sem açúcar ou mel... Que saudades!!!
Presentemente, quase não há gado na aldeia: creio que apenas 2 famílias ainda têm cabras. Tudo muda, mas os queijos que fazem continuam de qualidade...
Sobre o assunto, muito mais haveria a dizer, talvez noutro artigo adiante... Se alguém se habilitar a escrever, faça favor. Prometendo colocar mais alguma foto, no futuro (sobre queijo, cincho, barbilho...), aqui deixo uma dum rebanho ainda existente (em 2004, tal como agora):
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Noutros tempos (3)
9 - O almofariz. As papas de linhaça e outras mezinhas caseiras:
Mas antigamente não era assim: o almofariz era quase um objecto sagrado e o seu uso denotava que havia alguma maleita por perto... Esse utensílio era imprescindível para moer ervas, sementes ou grãos que se usavam nas mezinhas caseiras... A utilização mais comum era para pisar/moer sementes de linhaça e, assim, obter as "papas de linhaça", que eram usadas para combater diversos males, principalmente os ligados à parte respiratória. Usava-se uma cataplasma sobre o peito...
Sabe-se, hoje, que são imensos os benefícios da linhaça: rejuvenescimento, vitalidade física, diminuição de peso, combate anemia, acne e cancro (mama, próstata, cólon, pulmões, etc.), auxilia no equilíbrio hormonal (distúrbios associados à menstruação e menopausa), auxilia o sistema cardiovascular (diminuição do risco de arteriosclerose e redução do mau colesterol - LDL), auxilia no controlo da diabetes (glicemia), beneficia o sistema digestivo (e funcionamento dos intestinos), o sistema nervoso, o sistema imunológico (e doenças inflamatórias), combate a agressividade e a obesidade, produz benefícios na pele e no cabelo…
Lembrei-me, então, de mais algumas mezinhas do tempo dos nossos pais e avós, a saber:
- Água de malvas para lavar/desinfectar feridas, etc.;
(... se se lembrar de mais alguma, ajude-me...)
Quem não sabe o que é um almofariz? Antigamente, na
aldeia havia um, que pertencia a todas as famílias (em regime
comunitário, à semelhança do que acontecia com outros bens, nomeadamente o alambique, o búzio, a eira, o(s) forno(s), etc.)...
Utensílio feito de bronze (creio), era bastante pesado, sobretudo quando, ainda pequenos, lhe tentávamos pegar! Actualmente, há quem possua instrumentos parecidos (até de porcelana ou madeira), mas os mesmos servem mais para pisar ervas aromáticas e outros condimentos para a cozinha!
Sementes de linhaça.
Sabe-se, hoje, que são imensos os benefícios da linhaça: rejuvenescimento, vitalidade física, diminuição de peso, combate anemia, acne e cancro (mama, próstata, cólon, pulmões, etc.), auxilia no equilíbrio hormonal (distúrbios associados à menstruação e menopausa), auxilia o sistema cardiovascular (diminuição do risco de arteriosclerose e redução do mau colesterol - LDL), auxilia no controlo da diabetes (glicemia), beneficia o sistema digestivo (e funcionamento dos intestinos), o sistema nervoso, o sistema imunológico (e doenças inflamatórias), combate a agressividade e a obesidade, produz benefícios na pele e no cabelo…
Lembrei-me, então, de mais algumas mezinhas do tempo dos nossos pais e avós, a saber:
- Água de malvas para lavar/desinfectar feridas, etc.;
- Mistura de azeite e vinagre (para feridas, ulcerações e inflamações);
- Folha de couve untada com banha (no pescoço para curar a papeira);
- Fel para tirar farpas das mãos ou pés;
- Panos de água quente;
- Chás de: erva de S. Roberto, erva cidreira, barbas de milho, flor de tília, flor de carqueja, folha de oliveira, laranjeira, etc;
- "Pomada" caseira para os calos;
- "Pomada" caseira para os calos;
- Folhas de eucalipto (queimadas ou simplesmente ao ar);
- Bochechar aguardente para aliviar dores de dentes;
- Embebedar-se com aguardente para suportar mordeduras de escorpião;
- Passar água fria pela testa para estancar hemorragias do nariz;
(... se se lembrar de mais alguma, ajude-me...)
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terça-feira, 31 de julho de 2012
Feira da Tigelada - 2012
Realizou-se, no passado fim de semana (dias 28 e 29jul), mais uma Feira da Tigelada, em Proença. A LAVRAR - Liga dos Amigos do Vale da Carreira participou, com o empenho das já habituais pessoas residentes na aldeia, a quem cabe manifestar os nossos agradecimentos...
No site do Município (www.cm-proencanova.pt), foi publicada notícia com o título "Teatro e história na Feira da Tigelada", da qual transcrevemos uns excertos:
"Realizada no Mercado Municipal, a Feira da Tigelada contou com a adesão das associações e mostrou as diferentes receitas e variações com o doce mais típico do concelho."
"Além da animação de época, para recordar o foral manuelino foi distribuída uma brochura com a transcrição dos dois forais atribuídos a Proença, com um enquadramento histórico feito pelo professor António Manuel Silva."
"Seguiu-se a apresentação de um livro sobre o ciclo do linho, da autoria de Manuel Lopes Marcelo." "No livro “Bailado de sonho – As voltas do linho”, são transcritas as músicas e letras de 15 cantigas relacionadas com o linho. Cinco delas foram interpretadas por elementos do Rancho Folclórico de Aranhas, no concelho de Penamacor, terra natal de Lopes Marcelo. Lembrando a importância que a temática do linho tem na nossa região, o presidente da Câmara, João Paulo Catarino, elogiou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo autor, “defensor das nossas raízes”."
"Seguiu-se a apresentação de um livro sobre o ciclo do linho, da autoria de Manuel Lopes Marcelo." "No livro “Bailado de sonho – As voltas do linho”, são transcritas as músicas e letras de 15 cantigas relacionadas com o linho. Cinco delas foram interpretadas por elementos do Rancho Folclórico de Aranhas, no concelho de Penamacor, terra natal de Lopes Marcelo. Lembrando a importância que a temática do linho tem na nossa região, o presidente da Câmara, João Paulo Catarino, elogiou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo autor, “defensor das nossas raízes”."
A animação contou ainda com "karaoke, com o microfone
aberto a todos os que quiseram contribuir para a diversão e soltar a música."
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NB: As fotos acima são do Jorge Alves (Tesoureiro). Obrigado, primo.
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NB: As fotos acima são do Jorge Alves (Tesoureiro). Obrigado, primo.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Noutros tempos... (2)
5 - As tulhas e o lagar:
Depois de descido o vagão da prensa, há que desenceirar, isto é, retirar o bagaço das ceiras que foram apertadas. Esse bagaço servia para alimento dos porcos (ver abaixo, sobre a vianda)...
Como últimas tarefas, temos a medição do azeite, verificar a sua acidez e, por fim, fazer a maquia (retirar algum azeite para ficar em posse do lagar, como pagamento do trabalho efectuado)...
Creio que todos conhecerão a palavra vianda, que significa a comida para os porcos preparada com restos das refeições das pessoas, podendo ser adicionados outros ingredientes. Na nossa terra, os porcos eram alimentados com esses restos aos quais, muitas vezes, se adicionava farinha, para a mistura ficar mais forte...
Além destes restos, os porcos eram também alimentados com abóboras, chilas, beterrabas, batatas (completas ou só as cascas), couves e outras hortaliças. E, enquanto havia, bagaço de azeitona. Este bagaço era trazido do lagar para junto de casa. Era despejado numa tulha, onde era calcado para se conservar até ir servindo para adicionar nas viandas.
No final do verão, os figos das figueiras faziam as delícias dos animais... No princípio do inverno, eram ainda alimentados com landes e bolotas varejadas dos sobreiros e azinheiras, mas como estas árvores começaram a escassear, há muito isso caiu em desuso...
Tanto quanto me parece (ou me lembro, de pequeno), antes da década de 1970, não era comum que em cada família da nossa aldeia se fizessem vinho, vinagre, aguardente ou jeropiga. Não havia essa "cultura do vinho", isto é, quase ninguém cultivava videiras em quantidade suficiente, nem o regime político existente (ditadura) o facilitava/incentivava. Pelo contrário, havia até uma perseguição à feitura caseira dessas bebidas...
Mas, depois do 25 de abril, tudo mudou: começaram a plantar-se videiras em praticamente todas as hortas. Nalguma divisão da casa ou anexo, quase todos arranjavam uma pequena adega, onde ficava um ou mais pipos (normalmente eram de madeira). Construíram também locais próprios para pisar as uvas: lagares. À medida que era feita a pisa, o mosto era retirado para os pipos. E aí era feita a fermentação do resto do mosto com as cascas e grainhas (bagulho), durante cerca de 9 dias e, depois, fazia-se a aguardente, no alambique comunitário (ver artigo de out2010).
Era costume, nas nossas casas, conservar uvas durante mais uns meses, após a vindima, dependurando-as nos tectos das lojas ou salas (quanto mais fresca a divisão, melhor). Também se fazia o mesmo com os marmelos. (...)
Toda a gente sabe o que é um arado e para que serve. No entanto, nem todos (principalmente os mais novos) tiveram a possibilidade de observar os tipos de arado usados na nossa aldeia.
Como os solos das nossas terras contêm geralmente uma pequena camada arável, os arados/charruas eram muito simples, quando comparados com outras zonas do país. Possuíam apenas um espigão ou bico (relha) e uma cauda (rabiça), que o lavrador segura pela mão. À frente, para ajudar a deslizar no solo, uma pequena roda. Os mais antigos eram totalmente de madeira, sem roda, claro. (Ainda me lembro deles). Depois surgiram os de metal/ferro. Nestes, a relha (parte afiada que rasga a terra) era aparafusada e substituída quando ficava muito desgastada ou se se partia, o que às vezes acontecia devido a alguma rocha ou até raiz de árvore mais firmes...
Depois de lavradas as terras das hortas, para ajudar a apanhar restos de ervas ou para desfazer as irregularidades deixadas (cômaros), passava-se com uma grade por cima. A grade podia também ser de ferro ou madeira, tinha pequenos dentes e era usada tanto com os dentes virados para baixo ou para cima, consoante o estado do terreno que se queria "agradar" (gradar)...
Para aumentar o peso do utensílio, usava-se às vezes pedras ou lajes por cima, principalmente se era de madeira, mais leve. Ou, então, o peso de quem andava a lavrar, guiando o animal com as rédeas viradas para trás, mais compridas...
A azeitona, depois de apanhada e já limpa das folhas, era transportada para próximo dos lagares. Havia dois lagares: o de Cima, junto ao cruzamento da Bairrada/Pracana/Carvoeiro (M537), e o do Baixo, depois (abaixo) do Mesão Frio. Aí, cada família possuía uma tulha onde a azeitona era depositada, aguardando que chegasse a sua vez de ser moída. Neste espaço de tempo, que podia ser de várias semanas, aí era conservada, compactada.
Cada tulha tinha uma largura que variava de cerca de metro e meio até 4 ou 5 metros. Era construída em pedra comum da zona (xisto) e, às vezes, revestida de cimento. No fundo, possuía um pequeno buraco por onde escorria alguma "albufeira", que se formava pelo facto da azeitona estar apertada...
Tulhas do Lagar de Cima (entre o Vale da Carreira e o Mesão Frio)
Créditos de Museu Nacional de Etnologia e Benjamim Pereira
As sacas eram despejadas uma a uma e, com o auxílio dos pés e dum maço de madeira, era bem calcada. No final, colocavam-se por cima algumas pedras grandes (por vezes em cima de ceiras).
Quando chegava a altura de ser moída, retiravam-se as pedras. Depois enchiam-se cestos e levava-se a azeitona para um local próximo do pio/galgas, onde era gradualmente despejada. Nalguns lagares isso era feito para uma área superior do lagar. Daí saía uma rampa própria, por onde escorria a azeitona, à medida que o lagareiro o desejava...
No interior do lagar, o lagareiro e seu(s) ajudante(s) executam uma série de tarefas, das quais salientamos: moer (lançar a azeitona no pio, onde as galgas rodam e a calcam); enceirar (colocar a massa/pasta resultante dentro das ceiras); prensar (apertar/espremer hidraulicamente as ceiras empilhadas no vagão); vigiar o azeite que vai saindo da prensa para as talhas/tarefas (adicionando água quente da caldeira sobre as ceiras na prensa e ir purgando para retirar a albufeira, etc.).Depois de descido o vagão da prensa, há que desenceirar, isto é, retirar o bagaço das ceiras que foram apertadas. Esse bagaço servia para alimento dos porcos (ver abaixo, sobre a vianda)...
Como últimas tarefas, temos a medição do azeite, verificar a sua acidez e, por fim, fazer a maquia (retirar algum azeite para ficar em posse do lagar, como pagamento do trabalho efectuado)...
6 - A vianda dos porcos:
Creio que todos conhecerão a palavra vianda, que significa a comida para os porcos preparada com restos das refeições das pessoas, podendo ser adicionados outros ingredientes. Na nossa terra, os porcos eram alimentados com esses restos aos quais, muitas vezes, se adicionava farinha, para a mistura ficar mais forte...
Além destes restos, os porcos eram também alimentados com abóboras, chilas, beterrabas, batatas (completas ou só as cascas), couves e outras hortaliças. E, enquanto havia, bagaço de azeitona. Este bagaço era trazido do lagar para junto de casa. Era despejado numa tulha, onde era calcado para se conservar até ir servindo para adicionar nas viandas.
No final do verão, os figos das figueiras faziam as delícias dos animais... No princípio do inverno, eram ainda alimentados com landes e bolotas varejadas dos sobreiros e azinheiras, mas como estas árvores começaram a escassear, há muito isso caiu em desuso...
7 - Vinho, vinagre, jeropiga e aguardente:
Tanto quanto me parece (ou me lembro, de pequeno), antes da década de 1970, não era comum que em cada família da nossa aldeia se fizessem vinho, vinagre, aguardente ou jeropiga. Não havia essa "cultura do vinho", isto é, quase ninguém cultivava videiras em quantidade suficiente, nem o regime político existente (ditadura) o facilitava/incentivava. Pelo contrário, havia até uma perseguição à feitura caseira dessas bebidas...
Uns dias antes da apanha das uvas, o(s) pipo(s) era(m) posto(s) na rua, e a madeira era forçada a inchar, com água abundante, até estar bem vedado e poder receber o mosto.
O mosto da pisa das uvas era posto a fermentar nos pipos, adicionando-se um pouco de aguardente. Durante cerca de 2 a 3 meses, aí ficava a fermentar até "desdobrar", isto é, o mosto deixava de ser adocicado e se transformava em vinho. Havia quem lhe juntasse um pouco de fruta (maçã, amoras..), na parte final, para dar aroma...
Por vezes, acontecia que o mosto não desdobrava mas azedava: em vez de vinho, fazia vinagre. Era uma chatice (!), mas sempre se conseguia vender ou dar algum aos vizinhos, que quase sempre ficavam satisfeitos por não necessitarem de o comprar nas mercearias...
Na nossa casa (e em muitas outras), à saída da pisa, era costume a mãe fazer jeropiga. Numa garrafa quase cheia de mosto era adicionada alguma aguardente (mais ou menos na proporção de 3 para 1) e, se o mosto não for muito doce, um pouco de açúcar... Pouco tempo depois (cerca de um mês), essa bebida podia ser consumida, principalmente para aquecer as gargantas, nas manhãs frias de outono...
8 - Uvas e marmelos dependurados pela casa:
Era costume, nas nossas casas, conservar uvas durante mais uns meses, após a vindima, dependurando-as nos tectos das lojas ou salas (quanto mais fresca a divisão, melhor). Também se fazia o mesmo com os marmelos. (...)
9 - Arado, charrua e grade:
Toda a gente sabe o que é um arado e para que serve. No entanto, nem todos (principalmente os mais novos) tiveram a possibilidade de observar os tipos de arado usados na nossa aldeia.
Como os solos das nossas terras contêm geralmente uma pequena camada arável, os arados/charruas eram muito simples, quando comparados com outras zonas do país. Possuíam apenas um espigão ou bico (relha) e uma cauda (rabiça), que o lavrador segura pela mão. À frente, para ajudar a deslizar no solo, uma pequena roda. Os mais antigos eram totalmente de madeira, sem roda, claro. (Ainda me lembro deles). Depois surgiram os de metal/ferro. Nestes, a relha (parte afiada que rasga a terra) era aparafusada e substituída quando ficava muito desgastada ou se se partia, o que às vezes acontecia devido a alguma rocha ou até raiz de árvore mais firmes...
Depois de lavradas as terras das hortas, para ajudar a apanhar restos de ervas ou para desfazer as irregularidades deixadas (cômaros), passava-se com uma grade por cima. A grade podia também ser de ferro ou madeira, tinha pequenos dentes e era usada tanto com os dentes virados para baixo ou para cima, consoante o estado do terreno que se queria "agradar" (gradar)...
Para aumentar o peso do utensílio, usava-se às vezes pedras ou lajes por cima, principalmente se era de madeira, mais leve. Ou, então, o peso de quem andava a lavrar, guiando o animal com as rédeas viradas para trás, mais compridas...
domingo, 27 de maio de 2012
Noutros tempos... (1)
Hoje vou aqui começar este tema, de forma abrangente,
reunindo uma série de actividades mais ou menos antigas... (Reparem que já me
sinto na dúvida se hei-de passar a usar o NAO - Novo Acordo Ortográfico! Na
dúvida, e dada a polémica que se tem levantado sobre o mesmo, creio que, a
partir de agora, não o vou usar: é curioso que até a
própria sigla me parece ajudar!!! Que acham?).
Mas, como dizia, vou reunir aqui, para
ir actualizando, uma série de actividades e tradições típicas da vida
quotidiana das gentes da nossa aldeia e que estão a passar à história, ou seja,
foram total ou parcialmente abandonadas, mas que mostram o carácter e a
vivência dos nossos antepassados. Neste caso, relato aquilo de que me lembro;
portanto, desde o final dos anos 50... Já agora, se me quiserem fornecer mais
dados, aceito-os, agradecido, pois de muita coisa me vou esquecer nos assuntos
a tratar.
(Nota: Vou escrever um pouco
cada dia, para me poder ir lembrando do máximo de detalhes... E esperar por
vós, pela vossa participação - contacto por e-mail, comentários, etc.!!!)
Eis, então:
1 - A
salgadeira:
(Ver também o artigo sobre a matança do porco:
http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/03/matanca-do-porco.html)
http://vale-da-carreira.blogspot.pt/2010/03/matanca-do-porco.html)
O animal mais criado para o
fornecimento de carne era o porco. Porque não havia electricidade na nossa
aldeia, as carnes de porco que não se consumiam no imediato eram salgadas, em
sal grosso, e colocadas em camadas nas salgadeiras.
Eram de madeira e tinham pés ou ficavam
apoiadas em paus, para que não ficassem assentes no chão e, assim, permitir que
algum do líquido (salmoura) que escorresse não fizesse apodrecer a madeira. E
assim, ao longo de todo o ano, à medida que era necessário, se retirava do sal
as peças de carne conservada.
É claro que, com o tempo, alguma carne
sempre ganhava algum ranço (ou arranço), ficando amarelada... Sobretudo se o
sal se derretia à sua volta e se não fosse vigiada...
Cabeça, patas e mãos costumavam ser
colocadas no fundo. Depois, bandas de toucinho, costelas e lombos ou
lombinhos. Os presuntos e chispes também lá ficavam, mas apenas durante
cerca de 2 a 3 meses, sendo, depois, retirados e colocados ao ar, depois de envoltos
numa capa especial de pimentão, etc. Mais tarde, depois de terem sido fumados,
havia quem colocasse na salgadeira também os enchidos.
As excepções à salgadeira, além do
fumeiro, eram: a conservação em azeite de enchidos saídos do fumeiro, dentro de
talhas de barro; febras ou costeletas em banha derretida...
2 - A
talha das azeitonas:
Quase tão fundamental como ter pão, era
ter azeitonas o ano inteiro. Dizia-se que desde que houvesse pão e azeitonas já
não se passava fome! Uma mesa onde não houvesse azeitonas não estava "bem
composta"...
Após a apanha da azeitona, a grande
maioria desta era destinada à produção do azeite, nos lagares. No entanto,
alguma era seleccionada para ser comida. Se se pretendia logo para as semanas
seguintes, era retalhada (com uns golpes), às vezes passada por água a ferver
e, de seguida, metida em água que se mudava frequentemente. Antes de ser
comida, adicionava-se-lhe uns grãos de sal...
Uma maior quantidade de azeitona
destinada ao consumo era colocada dentro duma talha com água. Assim ficava,
simplesmente de molho, durante cerca de um mês. Depois, era lavada (retirada
alguma mole ou podre) e regressava à talha. Adicionava-se-lhe, então, o sal
(farpão, limão...) e assim se conservava para o resto do ano...
Normalmente essa talha era muito grande
(as famílias também costumavam ser grandes e o ano é longo!) e (lembro-me bem)
era uma trabalheira levar essa talha para a rua, onde se costumava mais
facilmente proceder à operação de mudar a água da azeitona!
3 - O fumeiro: enchidos e o paio "nascediço":
Após a matança do(s) porco(s), era
tradição, no mesmo dia, serem feitos os primeiros enchidos (ou chouriças, termo
genérico para os enchidos): as morcelas. É fácil perceber porquê: a carne
ensanguentada e o sangue usado era mais facilmente deteriorável. Por
outro lado, as morcelas não precisavam de ficar a ganhar sabor, como as outras
carnes que eram temperadas, com sal e outros condimentos, e ficavam vários dias
a apurar/marinar...
As morcelas, depois de feitas, levavam
uma fervura de alguns minutos, eram postas a escorrer/arrefecer e logo
colocadas no fumeiro. Por isso, as morcelas, após terem sido esquentadas,
ficavam prontas a poder ser comidas. Muitas das vezes, no dia da matança ou no
seguinte, era hábito comer couves com carne (cozido próprio onde entrava
obrigatoriamente a morcela nova, os bofes, etc.)
À medida que se desmanchava o animal,
eram separadas as diversas carnes que iriam servir para os restantes
enchidos. (Ver ainda o artigo da matança do porco - 22mar2010) - Nos
dias seguintes, eram feitos os restantes enchidos: magras, mouras, bucho,
bexiga, rosqueiros, paios e, por fim, as farinheiras.
Quando o fumeiro estava completo, dava
gosto olhar para aquela quantidade enorme de "chouriças". Era normal
as farinheiras serem em maior número, as que levavam menos carne (juntamente
com farinha, ficando, assim, mais baratas). Eram, pois, o enchido que mais
frequentemente acompanhava as comidas ao longo do ano. Alguns enchidos, como os
paios, ficavam restringidos a ser comidos em ocasiões mais especiais, visto que
eram relativamente poucos, pois eram feitos das tripas grossas do porco -
intestino grosso - que não dava para muitos!...
De entre os paios, havia um, enorme e
grosso, a que era dado o nome de "nascediço" ou "nacediço"!
A malta costumava brincar com esse nome, por se confundir com "não se
disse": - "Como é que se chama aquele paio?" -
"Nacediço!" - "Então porque é que estás a dizer?"
4 - As arcas dos cereais:
Tal como as
salgadeiras, eram de madeira e muitas vezes afastadas do contacto directo com o
chão, para não absorverem a humidade (no inverno). O trigo, centeio e milho,
depois de trazidos das eiras, eram para aqui despejados e se conservavam ao
longo do ano. Paralelamente, havia por vezes também arcas para a farinha dos
mesmos cereais: depois de moídos, a farinha era trazida em taleigos e para aí despejada, onde se conservava até ao seu consumo...
Havia muito o hábito de esconder ou
conservar algumas frutas e pão no meio dos cereais!... Talvez para desviar a
atenção dos ratos, mas era frequente estes abrirem buracos nas arcas, sobretudo
nas partes mais escondidas, sem serem detectados e por aí entrarem e fazerem o
seu roubo!
Convém lembrar que, nas casas rurais,
os ratos sempre foram um grande problema, tentando apoderar-se dos bens dos proprietários.
Por isso, não havia família que não possuísse pelo menos um gato ou gata. Além
disso, estes animais eram (e são) uma protecção contra alguns insectos e répteis...
(Ao contrário, os cães eram muito pouco habituais na nossa aldeia...)
sábado, 14 de abril de 2012
O pontão
O pontão era um dos lugares muito típicos da nossa aldeia, principalmente antigamente. Por baixo dele passa a barroca da Corga. Com muros dum e doutro lado da estrada, na curva mais apertada da aldeia, era aí que muitas vezes o pessoal, principalmente os mais novos, se juntava para conversar e conviver.
O pontão.
Fosse apenas para observar a água que corria veloz por baixo, quando havia maiores enchentes, ou para apanhar sol, conversar ou ajudar a passar o tempo, encostávamos-nos ao muro, ou sentávamos-nos encima...
Às vezes, alguns rapazes mais destemidos mostravam as suas habilidades, quer andando por cima dos muros ou passando duma ponta à outra, apoiados nos braços por cima e com as pontas dos pés num estreito friso da parte de trás deles... Era um desafio perigoso, mas não me lembro de alguém ter tido azar!
Vou referir aqui ainda outros acontecimentos passados junto ao pontão, que recordo como se fossem de agora.
Ali se ouviram muitas histórias da guerra nas ex-colónias ("do ultramar", como o regime lhe chamava). Nomeadamente, o Aníbal e o António ("Lavradores"), bem como o Manuel Alves. Os que os ouviam ficavam impressionados com os relatos, grande parte das vezes horríveis, mas mesmo assim não arredavam pé e assim se entrava, às vezes, pela noite dentro com muita atenção ao que era contado...
Era ali que os rapazes mais novos iniciavam e terminavam corridas ao desafio, organizadas pelo Sr. Bonifácio, quando este vinha de Lisboa para a nossa aldeia, a fim de passar uns dias de férias ou descanso... Os vencedores de cada corrida recebiam dele alguns tostões! Eu, por ser mais novo ou mais lento, normalmente não me safava!... Depois, quase sempre lá se ia ao Mesão frio trocar os tostões por rebuçados e sempre me tocava algum...
Uma vez, num domingo à tarde (por volta de 1980), enquanto havia muita gente por ali, começou a ouvir-se o barulho dum automóvel, que vinha de baixo, a grande velocidade! Ao tentar fazer a curva, derrapou e despistou-se, embatendo num monte de lenha que estava na ribanceira, tendo ainda sido detido pelas rodas presas num tronco de árvore (creio que de eucalipto) que estava estendido na berma da estrada. De dentro do carro saíram apressadamente os ocupantes, um dos quais com a cabeça a sangrar. Pensou-se que se tinha magoado no acidente, mas veio a constatar-se, depois, que afinal já vinha ferido, por ter caído na ribeira do Freixoeiro e estava a ser levado para o Hospital de Proença... Daí a grande velocidade a que seguiam... Do despiste não resultou grande coisa, o carro foi puxado para a estrada e lá seguiram apressadamente o seu caminho, com o amigo ferido... Mas foi cá um susto para todos!...
Hoje, o pontão está mais bonito: pintado e com reflectores Não me consta que tenha havido por aqui grandes "aceleras", mas, pelo sim, pelo não, e dado que são vários os perigos dentro da aldeia, vamos solicitar que a Câmara se digne colocar sinalização que limite a velocidade dentro da aldeia, digamos para os 30 ou 40 km/h.
Hoje, o pontão está mais bonito: pintado e com reflectores Não me consta que tenha havido por aqui grandes "aceleras", mas, pelo sim, pelo não, e dado que são vários os perigos dentro da aldeia, vamos solicitar que a Câmara se digne colocar sinalização que limite a velocidade dentro da aldeia, digamos para os 30 ou 40 km/h.
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Se alguém se lembrar de mais histórias aqui passadas, que diga... ou que corrija alguma informação prestada.
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Para meditar: Natal de quem?
Não resisti a copiar esta poesia que vi no Facebook. É para se meditar, hoje que é Dia de Natal e em tempo de crise (qual crise?!)...
NATAL DE QUEM?
Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru,
das rabanadas.
- Não
esqueças o colorau!
O azeite
e o bolo-rei!
- Está
bem, eu sei!
- E as
garrafas de vinho?
- Já vão
a caminho!
- Oh mãe, estou pra ver
Que prendas vou ter.
Que
prendas terei?
- Não
sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O
Deus-Menino
Murmura
baixinho:
- Então
e Eu,
Toda a
gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há
sinal da cruz,
Nem
oração ou reza.
Tilintam
copos e talheres.
Crianças,
homens e mulheres
Em
eufórico ambiente.
Lá fora
tão frio,
Cá
dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então
e Eu,
Toda a
gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam
os barulhos
Com mais
oferendas.
Amontoam-se
sacos e papeis
Sem
regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então
e Eu,
Toda a
gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um
vai transportar
Bem-estar
no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então
e Eu,
Toda a
gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do
princípio ao fim,
Quem se
lembrou de Mim?
Não tive
teto nem afeto!
Em tudo,
tudo, eu medito
E
pergunto no fechar da luz:
- Foi este o
Natal de Jesus?!!!
(João Coelho dos
Santos in “Lágrima do Mar” - 1996)
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