terça-feira, 12 de abril de 2011

Participação na III Feira das Sopas e do Maranho

Através da sua Associação LAVRAR, a aldeia participou na 3.ª Feira das Sopas e do Maranho, que teve lugar nos dias 9 e 10 de abril (fim de semana), em Proença-a-Nova.

Em primeiro lugar, é justo e oportuno expressar o nosso muito obrigado a todos os que se empenharam na realização do evento. No caso dos valecarreirenses, agradecemos especialmente às nossas incansáveis e prestáveis mulheres, que, apesar de poucas, nos deleitaram com magníficas iguarias. E ao sempre dedicado Jorge Alves, Tesoureiro da LAVRAR, bem como ao António Joaquim ("Lavrador"), que se dedicou ao transporte dos produtos "mais delicados e sensíveis"!

De facto, elas empenharam-se em preparar as sopas, maranhos, pão, tigeladas, filhós, etc, de acordo com as receitas típicas. Aqui se recordam alguns dos momentos da preparação dos "petiscos", bem como do ambiente da feira, que teve lugar no Pavilhão Municipal.

Como se refere no artigo publicado no "site" do nosso município (http://www.cm-proencanova.pt/noticias/index.asp?IDN=1297&op=2), participaram nesta feira "seis associações e três casas comerciais". "No sábado à noite a animação musical esteve a cargo do acordeonista e organista Gilberto Neves, enquanto na tarde de domingo subiram ao palco 'Os Amigos da Concertina'”.   

Agradecemos ainda aos dirigentes/vereadores municipais o convite para a participação e algumas dádivas (taças para as sopas, caçoilos para tigeladas - alguns tinham sobrado de anteriores feiras). Da nossa parte, esperamos poder voltar a participar em próximos certames do género, apesar do esforço para a concretização estar a ser cada vez maior para os habitantes da aldeia, que "são poucos e quase sempre os mesmos!"...

E obrigado também a todos os que nos honraram com a sua visita, dando o seu contributo para a obtenção de mais uma pequena verba, que esperamos venha a ser mais um contributo para a construção da futura sede da nossa querida Associação LAVRAR. (Criada há cerca de 11 anos, ainda não tem uma sede própria, coitadinha!... - Não há por aí quem nos faça um substancial donativo?...)  
    
Seguem fotos alusivas ao evento:

A feitura do pão:
 


As sopas (falta aqui o 'caldo verde'):



As filhós e tigeladas:



À nossa volta:





E sempre com animação musical:

(Nota: fotos de amador, como se vê!...)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Entrudo de antigamente

Antigamente, na nossa aldeia, o Entrudo (que significa "entrada na Quaresma", ou Carnaval = "adeus à carne"), era vivido de forma muito simples, genuína e divertida, talvez mais do que agora. Não havia tentativas de imitar outros de outras paragens, pois não se via TV, nem se liam jornais, etc.
    
Na manhã desse dia, os homens juntavam-se e iam arranjar os principais caminhos que partiam da aldeia para os campos (da estrada até à eira; desta até ao Vale do Russinho; do Fundo do Lameiro até Bouça Enxuta; da Conecril até Pernadinhas e Vale das Ovelhas; etc.). Com as chuvadas do inverno, os caminhos degradavam-se, abriam regueiras, pelo que era preciso recolocar terra, pedras, desviar águas, etc... Assim ficariam mais transitáveis para o período de primavera/verão, em que seriam mais usados...

Em muitas das famílias, por grande influência da religião (ia entrar-se na Quaresma, período de jejum e abstinência que antecede a Páscoa), nesses dias, entre o Domingo, o chamado "Domingo-Gordo", e a terça-feira, dia do Entrudo, fazia-se o "adeus à carne". Assim, o almoço devia ter por base a carne de porco. Fosse um cozido com couve, toucinho, bucho, etc., ou grão cozido com massa e couve, cabeça, chispe e rabo de porco (uma espécie de rancho, à nossa moda)...

Na parte da tarde desse dia, já não se costumava trabalhar: as pessoas dedicavam-se às brincadeiras/ partidas de Entrudo/Carnaval.

Começo por referir que não havia grandes vestimentas, disfarces ou apetrechos. Era muito frequente as raparigas e os rapazes vestirem-se com roupas velhas e andarem pela aldeia, pregando partidas uns aos outros.
    
Uma das formas de divertimento era "mascarrar" os outros com as mãos, negras de fuligem do forno do pão, após se terem esfregado nas paredes deste. Depois corria-se atrás de uns e outros até lhes "pintar" a cara. (Às vezes quem pagava era a roupa, por isso se devia andar mais mal vestido...) Atirar água e farinha era outra das formas de "abordar" alguém...
    
Apesar de parecer que essas formas de passar o dia poderiam trazer consequências negativas, tal não acontecia. Em vez disso, era fortalecido o espírito de convívio entre toda a aldeia, a alegria reinava e todos se distraiam e divertiam. Às vezes o contacto pessoa a pessoa "ajudava a quebrar algum gelo" e mais as pessoas se aproximavam. Casos houve em que alguns começaram a namorar após essas partidas: "- Aleijaste-me!" "- Desculpa, foi sem querer!"... "Para fazer as pazes, dá cá/toma lá um beijinho..."
    
E assim se passava normalmente toda a tarde do dia de terça-feira. Pois o Entrudo resumia-se unicamente a esse dia, e não aos anteriores. Só mais recentemente se começou a usar o ditado "a vida são dois dias e o Carnaval são três"; por isso divirta-se!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Descubra portas, janelas e outros detalhes da aldeia (em atualização)

Quem reconhece a porta da sua casa atual (ou daquela onde nasceu)? Com toda a certeza que já foi bem diferente da de hoje!... E os palheiros, janelas, etc.?!

Eis uma variedade de fotos, retratando traços típicos da nossa aldeia. Agradeço as ideias e colaboração do meu primo Jorge Alves e do meu afilhado Tiago Cassapo Dias.

(NB: Com tempo, pretendo adicionar outros detalhes: janelas, portas de currais, palheiros, ferramentas, placas, marcos da estrada, pontão, etc...)



















(Eu vi um gatinho!...)

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(Costela para pássaros grandes e perdizes. Para pássaros pequenos e ratos, são mais pequenas...
Podem ser fixas a uma base de madeira ou cordel.)


(tão docinho...)





(Temos do colocar a moer, um dia...)





Viv´o descanso!...



Estas 3 acima são de material já muito fatigado...







Aguarde mais...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Os nomes dos locais da aldeia (toponímia)

Segue uma relação (para ir completando, gradualmente) com os nomes atribuídos pelos nossos antepassados aos diversos locais de cultivo: hortas, courelas, olivais, floresta, etc.:

- Açude
- Atalhinhos
- Atalhos
- Azenha
- Bacelo
- Barreirinhas
- Barroca da Corga
- Barroco Fundeiro
- Bouça Enxuta
- Bouça Velha
- Cabeçalta
- Cabeço Alto
- Cabulo
- Cão do Currel (ou Covão do Curral) *
- Cão da Ucha
- Castanheiros
- Cerro da Portelinha
- Cimo da Corga
- Cimo da Corguinha Madeiros
- Cimo do Vale
- Cimo do Valtorno
- Có Ferreiro (ou Corga do Ferreiro) *
- Có Friura
- Có Palerto
- Có Raposas
- Có Salgueiro
- Conecril (ou Corga do Alecrim)
- Corga
- Corga da Fonte
- Corga de Frade
- Corguinha Madeiros
- Corguinha (ou Correguinha) Videira
- Cortimpires (ou Corga Tio Pires)
- Costa do Cão
- Costa Galega
- Covão
- Eira
- Fonte Velha
- Fundo do Lameiro
- Fundo do Povo
- Horta do Meio
- Horta Nova
- Hortas
- Hortelha
- Lameiras
- Lameiro
- Lenteiro (ou Linteiro)
- Moinho (ou Munho)
- Nateiro
- Pernadinhas
- Piçarras (ou Picerras)
- Portela
- Ribeira (de Mesão Frio)
- Tapada(s)
- Tapada Cimeira
- Tapada de Trás
- Tapada Fundeira
- Valdanta (ou Vale d´Anta) *
- Vale da Estrada
- Vale da Figueira
- Vale das Ovelhas
- Vale de Sete
- Vale (do) Russinho
- Vale Indreu
- Vale Travesso
- Valitos
- Valtorno (ou Vale Torno)
- Varja Grande
- Varja Videira
- Varjas

* Nota: Os termos "cão", "có" e "val" são abreviaturas de "covão", "corga" e "vale", respetivamente... "Varja" é o mesmo que "Várzea".

(Obrigado ao Fernando Alves, que me lembrou alguns. Quem conhecer ou se lembrar doutros locais, que mos indique, por favor...)