quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Depressão/tempestade Kristin

Na madrugada de 28jan2026, conforme vinha sendo previsto pelos serviços de meteorologia em geral, o território continental português foi assolado pela depressão/tempestade Kristin.

Tendo-se começado a formar a oeste dos Açores, moveu-se muito rapidamente para este e, já próximo do continente português, acentuou-se/intensificou-se (tal situação é designada por "ciclogénese explosiva").


Imagem do radar (IPMA).
X indica o centro de Kristin, entrando em Portugal Continental, cerca das 05h. Depois, continuou em deslocamento rápido para este, saindo pela Beira Interior, em direção a Madrid e, mais tarde, costa mediterrânica espanhola...

Fez a sua entrada em terra entre Leiria e Figueira da Foz (sensivelmente na mesma zona da "tempestade Martinho", em 2025, e da "tempestade tropical Leslie", em 2018 - ver artigos neste blogue). 

Estas depressões, na fase de "ciclogénese explosiva", apresentam efeitos mais destrutivos (ventos com rajadas fortes a muito fortes - as intensidades máximas verificam-se na área do "sting jet", aqui bem nítido junto a Leiria)...

Os efeitos devastadores, principalmente devidos ao vento (que ultrapassou os 100 km/h - foi registada uma rajada de cerca de 176 km/h, na Base Aérea de Monte Real, e a estação automática de Soure (CIM) registou mais de 208 km/h - ver mapa abaixo), fizeram-se sentir com intensidade máxima, na zona centro, numa faixa quase horizontal, começando pelo distrito de Leiria até ao norte do de Santarém, sul do de Coimbra e sul do de CasteloBranco, apesar de quase toda a zona a sul do Douro ter tido estragos. Eis alguns:


































A entrada do cemitério de Proença-a-Nova estava neste estado, 3 dias depois - (foto minha).

(As restantes fotos foram recolhidas de diversas fontes: facebook, jornais... Agradecimentos a quem as publicou.)

As rajadas máximas observadas nas estações automáticas do IPMA foram estas:


A seta aponta para Soure (CIM), onde foi registado o valor de 208,8 km/h (penso que passou a ser o recorde de vento registado em Portugal).

Apresento agora um gráfico (esboço meu, salvo melhor análise do IPMA ou outros) com a variação da pressão atmosférica, na estação da Base de Monte Real, sendo bem revelador o perfil em V dos valores observados entre as 00H e as 12H:


Variação da pressão atmosférica (QNH) na BA5. O centro/vale depressionário 'passou' cerca das 05H, com o valor de 977hPa. Em 5 horas, a pressão desceu 24hPa! (Algo absolutamente estrondoso)

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Notas:

- Além dos imensos danos materiais, contabilizam-se 6 mortos, por queda de estruturas e árvores. Outras vítimas se sucederam, nos trabalhos de reconstrução/reparação de estruturas...

- Com o acumular das precipitações quase contínuas, nos últimos meses, os solos ficaram saturados e as barragens cheias. Os caudais que vêm de Espanha, nos rios internacionais e o degelo da neve dos locais afetados, a situação agravou-se. Como consequência, aí temos as inundações e derrocadas e deslizes de terras... O país já não estava habituado a situações destas, há muitos anos...

- Tudo isso tem dificultado o regresso à vida normal para muitas populações...


- E leia também esta análise sobre a enorme precipitação deste inverno: https://www.ipma.pt/pt/media/noticias/news.detail.jsp?y=2026&f=Periodo_excepcional_precipitacao.html