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quinta-feira, 12 de maio de 2022

Poema do António Joaquim Alves

Mais um belo poema alusivo à situação actual da nossa aldeia, cada vez mais deserta...

Agradeço ao António ter-me permitido publicar a matéria.

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"Desenho espaços cósmicos
onde em tardes de primavera
só giestas, estevas, moitas
são agora telas vivas
pintadas de amarelo, branco, lilás.

Personagens redundantes
em campos abandonados.

Recantos onde antes
gentes de todas as idades
preenchiam o tempo
com aquela sabedoria própria
de quem aprendeu fazendo.

Tempos  velhos quase esquecidos
casas vazias
que guardam memórias
dos que se foram
dos que partiram deste mundo.

Lugares onde agora
encontramos mortos ainda vivos
presos a trabalhos
há muito suspendidos.

António Alves
12/05/2022"


terça-feira, 12 de outubro de 2021

Pedido de divulgação...

"O Centro Ciência Viva da Floresta acolhe no próximo sábado, dia 16 de outubro, uma iniciativa que pretende assinalar o Dia Internacional da Alimentação que terá dois momentos: da parte da manhã realiza-se a segunda edição da Rota das Plantas Aromáticas e Medicinais na História da Medicina que assinala os cem anos da descoberta da insulina; da parte da tarde decorrerá a 11ª oficina do BioAromas (este ano em conjunto com o BioAromas – liis) dedicada ao tema das “Plantas aromáticas e medicinais na alimentação sustentável e consciente”. No primeiro caso as inscrições são gratuitas (e obrigatórias) e no segundo têm um custo de 13€ e o limite de 30 participantes. As mesmas podem ser formalizadas até 14 de outubro junto do Centro Ciência Viva da Floresta através do link:

https://www.ccvfloresta.com/actividades/oficinas/488-rota-das-aromaticas-bioaromas-bioaromasliis

Em anexo segue o cartaz."

sábado, 24 de novembro de 2018

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira...

Mais um belo texto/poema do nosso Valecarreirense António Alves, retirado do Facebook: Vejo nele imagens da nossa aldeia, muito bem retratadas pela sua sensibilidade poética. E vocês? Leiam e deliciem-se...
Obrigado, António!


Tudo, incessantemente tudo, até as memórias
desenhadas, redesenhadas, percorrem a nudez
do chão raso de poeira, desnudado de rosas,
terra magra e enxuta dos que já partiram, dos
poucos que ainda estão, canto ritmado de cigarras
e grilos – sentado nos varais duma carroça vejo
tempos em que tudo fervilhava…

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira...

Entre duas leiras abandonadas o que foi um muro,
um amontoado de silvas e tábuas velhas, o que
resta duma picota – um poço vazio, no fundo
partes dum fogão, um vime a querer sobreviver…

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…

Uma roseira, mais velha que o tempo, que sobreviveu
às intempéries e ao abandono, jovem e bela
aos meus olhos, perfumada, filha da terra,
mãe de muitos amores – quantas casas e quantas mesas
terá encantado antes de ser um pouco minha,
antes de fazer parte, de ser a rainha do meu jardim?…

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…

E eu aqui, a roseira e rosas – únicas, perenes no
meu encantamento, no amor à terra onde nasci,
e a ti…

António Alves
21/06/2017

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vamos voltar a dedicar-nos mais à agricultura?

     Seja por necessidades relacionadas com a crise surgida nos últimos anos (há quem diga que houve um retrocesso de cerca de 30/40 anos nas condições de vida, poder de compra, preços dos produtos hortícolas), ou até como forma de ocupar o tempo livre, ou ainda porque é moda, o facto é que se está a notar-se um aumento crescente de pessoas que se dedicam a cultivar, quase exclusivamente para consumo próprio, verduras, legumes, ervas aromáticas, flores, frutas, etc.

     Tudo vale para arranjar pequenas hortinhas, não nos mesmos moldes de antigamente, em que se cultivavam maiores porções de terreno, fora das habitações. Hoje, são muitos os exemplos virados para os mini-quintais, em prateleiras, canteiros, etc. Todos os suportes servem para neles colocar um pedaço de terra, e ficarem resguardados mesmo dentro dos apartamentos, ou em redor das casas...

     A rega pode ser simples ou mais elaborada. Quem precisar, pode mesmo idealizar pequenas estufas, com plásticos, vidros, etc.

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Seguem algumas imagens retiradas da net, para dar ideias:

















     Como se vê, tudo pode servir, desde que possa conter terra e água. Haja lugar à imaginação!...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Noutros tempos (3)

9 - O almofariz. As papas de linhaça e outras mezinhas caseiras:

Quem não sabe o que é um almofariz? Antigamente, na aldeia havia um, que pertencia a todas as famílias (em regime comunitário, à semelhança do que acontecia com outros bens, nomeadamente o alambique, o búzio, a eira, o(s) forno(s), etc.)...

Almofariz...

Utensílio feito de bronze (creio), era bastante pesado, sobretudo quando, ainda pequenos, lhe tentávamos pegar! Actualmente, há quem possua instrumentos parecidos (até de porcelana ou madeira), mas os mesmos servem mais para pisar ervas aromáticas e outros condimentos para a cozinha!

Mas antigamente não era assim: o almofariz era quase um objecto sagrado e o seu uso denotava que havia alguma maleita por perto... Esse utensílio era imprescindível para moer ervas, sementes ou grãos que se usavam nas mezinhas caseiras... A utilização mais comum era para pisar/moer sementes de linhaça e, assim, obter as "papas de linhaça", que eram usadas para combater diversos males, principalmente os ligados à parte respiratória. Usava-se uma cataplasma sobre o peito...


Sementes de linhaça.

Sabe-se, hoje, que são imensos os benefícios da linhaça: rejuvenescimento, vitalidade física, diminuição de peso, combate anemia,  acne e cancro (mama, próstata, cólon, pulmões, etc.), auxilia no equilíbrio hormonal (distúrbios associados à menstruação e menopausa), auxilia o sistema cardiovascular (diminuição do risco de arteriosclerose e redução do mau colesterol - LDL), auxilia no controlo da diabetes (glicemia), beneficia o sistema digestivo (e funcionamento dos intestinos), o sistema nervoso, o sistema imunológico (e doenças inflamatórias), combate a agressividade e a obesidade, produz benefícios na pele e no cabelo…

Lembrei-me agora de mais umas mezinhas do tempo dos nossos pais e avós, a saber:

- Água de malvas para lavar/desinfectar feridas, etc.;
- Mistura de azeite e vinagre (para feridas, ulcerações e inflamações);
- Folha de couve untada com banha (no pescoço para curar a papeira);
- Fel para tirar farpas das mãos ou pés;
- Panos de água quente;
- Chás de: erva de S. Roberto, erva cidreira, barbas de milho, flor de tília, flor de carqueja, folha de oliveira, laranjeira, etc;
- "Pomada" caseira para os calos;
- Folhas de eucalipto (queimadas ou simplesmente ao ar);
- Bochechar aguardente para aliviar dores de dentes;
- Embebedar-se com aguardente para suportar mordeduras de escorpião;
- Passar água fria pela testa para estancar hemorragias do nariz;

(... se souber de mais alguma, pode ajudar-me...)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ande o frio por onde andar...

Lembrei-me hoje de escrever sobre o ditado popular (provérbio) muito conhecido "Ande o frio por onde andar, pelo Natal cá vem parar".

Uma das razões que me levaram a escrever sobre isto tem a ver com o tempo relativamente ameno que temos tido desde o final do verão. De facto, tivemos setembro e a primeira parte de outubro com tempo seco e temperaturas bem acima do normal. Depois choveu bastante, no final de outubro. E mais recentemente, a chuva voltou a afastar-se: desde 22nov até 09dez não choveu; depois choveu pouco de 10 a 16dez...

Assim, o tempo frio quase ainda não apareceu. Nas regiões do litoral ou próximo, ainda as temperaturas não baixaram dos 6 a 8 graus e, no interior, apenas em alguns pontos mais altos e no interior das Beiras e Trás-os-Montes, a temperatura já foi negativa... É normal, em quase todos os anos, por esta altura em minha casa já se ter acendido a lareira, mas este ano ainda não foi preciso!...

Sabe-se que a natureza (plantas, animais...) agem em função dos valores do tempo/clima. Com este tempo ameno e incaracterístico, algumas árvores, plantas, vegetação rasteira, etc. ficaram "baralhadas": foi como se estivessem já na primavera! Vejam aqui umas fotos, tiradas entre os dias 22dez e 22jan, em Massamá:

 
 Uma figueira, que já há semanas começou a ganhar folhas e figos!...

Uma acácia pujante, quase a florir...

Laranjeiras em flor...

 Alecrim em flor e ervas em crescimento, sem sinais de frio...

Ervas e arbustos floridos por todo o lado...

Mas este tempo ameno não vai continuar, pois, como diz o ditado a que se faz referência, vem aí um maior arrefecimento, pelo que as temperaturas vão descer, o frio acentuar-se. Com ele, aumentarão as geadas e o gelo (pela madrugada).

Agasalhe-se, pois. E cuidado com o piso escorregadio!... Veja as previsões, usando as ligações na barra do lado direito do blogue...

sábado, 24 de julho de 2010

Flores e Plantas (em construção...)

Aqui vão ser apresentadas flores e plantas da flora da nossa zona... É para expandir. Quem quiser colaborar, é só enviar-me os contributos (textos, fotos, etc.). (Isto serve para todo o blogue...)

Tojo em flor:

Moita:

 Esteva (flores com chagas, 5 ou mais pétalas):

Esteva (flores sem chagas - por vezes chamadas "de N.ª Sr.ª" ou "albinas"): 

Rosmaninho:

Carqueja:

Trovisqueiro/trovisco:

Garfos (relógios ou cordeiros):
 

?

Gazânia, mas "Flores do meio-dia" (diz a Alice) - "Bons dias" (diz a Fátima):

Capela (marcela)/perpétua?

Papoilas:


Dedaleira (calças-de-cuco ou campainhas):

 Cravo:

 (E as seguintes, como se chamam?...) - Camomila?

Jarros:

Cravinas:

Malmequer (margarida):
 

Suga-mel (ou erva-das-sete-sangrias):

(E esta?)

Vinca (...):

E estas?

Zínias (obrigado a Adélia -?- pela sua colaboração):

E as seguintes?



Dente de Leão (?):

Girassol:

Videira (com uvas ainda verdes):

Aqui com uvas já maduras ('morangueiras'):

Figueira (com figos, alguns quase maduros ou "desemparelhados"):

Silvas (com amoras maduras e verdes), misturadas com uvas:

Macieira (com maçãs):

Pessegueiro (com pêssegos ainda bem verdes):


Ameixas a amadurecer, vermelhas (acima) e amarelas (abaixo):

Cerejeira com cerejas (ainda verdes):


etc...
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Actualização de 13mar2023