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segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Crowdfunding PPL" - Promotor: Município de Proença

Recebemos da proteção civil do nosso município o seguinte texto, que divulgamos:

"A campanha RAPI de Proença arrancou na plataforma de crowdfunding PPL, tendo como promotor o Município de Proença-a-Nova.

A iniciativa prevê a criação de uma rede municipal de apoio de proximidade para resposta a situações de isolamento de populações, articulada com as Juntas de Freguesia, associações locais e serviços municipais.

Neste sentido, vimos solicitar a vossa colaboração na divulgação da campanha através dos vossos canais de comunicação, nomeadamente redes sociais e outros meios considerados adequados.

Brevemente será também disponibilizada uma divulgação oficial por parte do Município, cuja partilha agradecemos igualmente.

A campanha pode já ser consultada através do seguinte link: https://ppl.pt/RAPI

Agradecemos toda a colaboração e disponibilidade. (...)"

Do site, com link acima.

sábado, 28 de outubro de 2023

Aos cogumelos! Mas cuidado!

Com as chuvas do Outono, começa a época dos cogumelos. Mas cuidado: todos os anos morrem pessoas, por comerem espécies venenosas!...

Procure aqui por espécies comestíveis.

Os chamados "gasalhos", na nossa terra.

Atenção: há um venenoso muito fácil de confundir com este... O mesmo pode acontecer com outras variedades. Por isso, muito cuidado.

Pode consultar este site, sobre o envenenamento por cogumelos.

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E aqui são apresentados alguns dos venenosos.

Para o caso de ser necessário, use o contacto 213303271 ou 808250143 (Centro de Informação Antivenenos)...

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Mais uma 'partida': do Aníbal Joaquim.

O Vale da Carreira continua, pouco-a-pouco, a despedir-se dos seus. Neste caso, foi o Aníbal Joaquim que nos deixou.

Recordo aqui partes da sua vida; algumas delas não foram nada fáceis, mas ele sempre superou com coragem e resignação, até este momento fatídico:

- De 1963 a 1965, cumprindo o serviço militar (obrigatório), foi mobilizado para a Guiné. Na altura, a guerra colonial estava 'bem acesa' nas 'Províncias Ultramarinas'. Quando de lá regressou, passava horas a contar-nos episódios da guerra, realçando a bravura dos nossos...;

- Depois, foi trabalhar para Setúbal/Palmela, numa fábrica de montagem de veículos automóveis. Sendo só (nunca casou), passou a morar na aldeia de Pontes, onde uma família o ajudava, quase como se fosse da família...;

- Mais tarde (década de 1970), sofreu com uma crise nervosa. A conselho e empenho do seu pai (Ti António 'Lavrador'), veio para a aldeia, para se recuperar. Recordo que o pai o levava consigo para participar nos trabalhos hortícolas, mantendo-o ocupado, física e mentalmente. O pai punha-o a tirar água à picota ou regar a horta com o 'ogadouro' ou sachola... Assim recuperou muito bem desse infortúnio (que podia estar relacionado com o que viu e passou na guerra - stress pós-traumático);

- Já depois de atingir a reforma, continuou por Pontes até lhe surgir um tumor na língua/boca (por volta de 2010). Depois de acolhido pelo irmão José, foi-se aguentando, resilientemente;

- Em 2020, foi acolhido no Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Proença-a-Nova, onde agora estava. Tendo resurgido o tumor, nos últimos tempos, não o conseguiu vencer;

- Faleceu no dia 08/ago/2023, com 81 anos de idade. Paz à sua alma e os sentimentos aos irmãos e familiares!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A Página 13 já está ACTIVA (procure na barra lateral)...

Informações sobre o próximo Convívio/Festa na aldeia.

Mantenha-se a par do Programa e outras informações relacionadas com o evento.

Nota: alguma (ou a mesma) informação também será transposta para o grupo do Facebook "Eu sou Valecarreirense". Se ainda não é membro e reune as condições para o ser, solicite a adesão...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

De novo, luto na aldeia

No passado dia 15dez, deixou-nos o sr. José Rosa,  de 88 anos de idade, marido da Ilda Tavares (Rosa). Era natural da Sobreira Formosa.

Apesar de saber que ele já vinha sofrendo, com a saúde deteriorada, nos últimos anos, foi com surpresa que recebi a notícia.


À Ilda, aos 2 filhos, 3 netos e demais familiares endereçamos os nossos sentimentos. Ele descansa em paz, com toda a certeza.

Embora já demente, esta é uma das suas frases, que os netos recordam e com a qual ficam felizes: "pensem sempre em coisas positivas". Que belo conselho, amigo sr. Zé Rosa!

Paz à sua alma e conforto aos seus!

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Poema do António Joaquim Alves

Mais um belo poema alusivo à situação actual da nossa aldeia, cada vez mais deserta...

Agradeço ao António ter-me permitido publicar a matéria.

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"Desenho espaços cósmicos
onde em tardes de primavera
só giestas, estevas, moitas
são agora telas vivas
pintadas de amarelo, branco, lilás.

Personagens redundantes
em campos abandonados.

Recantos onde antes
gentes de todas as idades
preenchiam o tempo
com aquela sabedoria própria
de quem aprendeu fazendo.

Tempos  velhos quase esquecidos
casas vazias
que guardam memórias
dos que se foram
dos que partiram deste mundo.

Lugares onde agora
encontramos mortos ainda vivos
presos a trabalhos
há muito suspendidos.

António Alves
12/05/2022"


segunda-feira, 2 de maio de 2022

Faleceu a Ti Conceição Branco

Ontem, dia 01mai, deixou-nos a Ti Conceição, viúva do Ti Manuel Branco, aos 93 anos de idade.

Aos filhos, netos, irmã, nora, sobrinhos e primos deixamos aqui os nossos sentidos pêsames. Que ela descanse em paz!

Na Capela do Caniçal Cimeiro, dia 03, às 14h, será/foi celebrada missa e exéquias fúnebres, sendo depois sepultada no cemitério de Proença. 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Vale da Carreira e Mesão Frio, quase simultaneamente, entram de luto

Com apenas 1 dia de diferença, estes nossos dois concidadãos/amigos ascenderam à eternidade. Os nossos sentimentos às famílias enlutadas e amigos. 

Como as vivências e a longevidade podem ser tão diferentes entre as pessoas!

Primeiro, o Rui Pacheco, que casou no Vale da Carreira, com a Conceição Cardoso (Pacheco), era ainda relativamente novo (73 anos), mas vinha já evidenciando problemas de saúde:



2 fotos do Rui com a família feliz.

No dia seguinte, partiu a Ti(a) Maria da Conceição Augusto Farinha (viúva há imensos anos), de Mesão Frio. Ela foi a pessoa com maior longevidade por mim conhecida (e, penso, pelas gentes destas aldeias, pelo menos nas últimas décadas): tinha 106 anos!:



A Tia Conceição,
na comemoração dos 101 anos.

Sobre ela, diz Gracinda Tavares Dias, sua sobrinha, por afinidade (viúva dum seu sobrinho, o Virgílio):

"Pessoa com uma memória privilegiada, transmitindo-me muitos usos e costumes..." E, depois:

"A minha tia de Mesão Frio, de Cardigos era muito rija.
Andou sempre bem de saúde.
Só acamou muito recentemente.
Foi muito estimada pela família.
Não é, muita gente que chega, assim aos 106, quase 107 anos.
Deixou-nos, ontem, com muita pena nossa.
Penso ser merecedora de um bom lugar, na eternidade."

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Que ambos descansem na paz do Senhor!

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Agradecimento à Vida

O António Joaquim Alves, numa ida recente à aldeia, voltou a mostrar os seus dotes poéticos e de pintor, com o seguinte texto (e pintura), que me permitiu aqui publicar. Mais uma vez, obrigado, António, por ajudares a enriquecer este blogue.

- - -

"Ao interior pela paz, pelo canto das aves.
Aos campos da minha aldeia pelas recordações, pelas flores silvestres (esteva, rosmaninho, tojo, carqueja). Às oliveiras pelo verde, pela esperança. 
À água que corre no ribeiro pela frescura cristalina.
Aos lugares onde me fiz homem pelos cheiros, pelo endeusamento, pela vontade de voltar. 
Ao sol que aquece o corpo e a alma e que ainda me faz sonhar.
À vida pelos ensinamentos, pela sabedoria.
Às minhas irmãs e irmãos pelo acolhimento, pela amizade.
A todos que amo por estarem sempre presentes.
À alegria.
À vida!

António Alves

09/04/2021

Pintura: Óleo sobre tela

Autor: (eu) António Alves."

(copiado do Facebook)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

O Natal e a minha aldeia...

Este é mais um poema, um retrato da nossa aldeia, da autoria do poeta/pintor Valecarreirense, António Joaquim Alves. Como ele permite que eu transcreva para este blogue, agradeço-lhe...

(Nota: coloquei alguma pontuação, que espero não tenha alterado o sentido e a interpretação desejados pelo poeta António...)

É este o poema, retirado do seu Facebook:

"O Natal e a minha aldeia
passado e presente
saudades…

Recordo estevas orvalhadas
a velha laranjeira
o sol a beijar as casas.

O lume aceso
a ceia em família
pais, filhos, netos.

A mesa bem composta
couves, batatas e bacalhau
amizade, amor.

Tudo muda
tudo mudou em 2020
pandemia covid-19.

Sem estar, estamos lá todos
os que já partiram
os ainda vivos.

Sem sair do presente
gosto de voltar ao passado
reviver.

A família,
jardim de rosas e violetas,
somos todos.

António Alves

25/12/2020"

sábado, 21 de março de 2020

Rede de solidariedade para situações de emergência - interlocutor da aldeia

Entre no site do Município de Proença-a-Nova (https://www.cm-proencanova.pt/HomePage.aspx) e veja o artigo: "Aldeias com rede de solidariedade para evitar deslocações da população de risco".

Destaco:

"Para evitar que a população incluída no grupo mais vulnerável ao contágio pelo novo coronavírus saia de casa, nomeadamente idosos e pessoas com doenças crónicas, o Município de Proença-a-Nova e as Juntas e Uniões de Freguesia criaram uma rede de solidariedade para situações de emergência, nomeadamente para compra de medicamentos ou bens de primeira necessidade, entre outras. Em cada aldeia está a ser definido um interlocutor entre a população e as Juntas de Freguesia para comunicação das necessidades, sendo da responsabilidade do Município a entrega posterior das encomendas. (...)

O Município, que tem os Paços do Concelho encerrados ao público, garante os serviços essenciais, nomeadamente a recolha do lixo e o abastecimento de água, entre outros serviços. O número geral da Câmara (274 670 000) continua disponível entre as 9h00 e as 12h30 e das 14h00 às 17h30. Também o telemóvel 939 623 269 - e respetivo WhatsApp – está disponível para contacto com os serviços camarários."

(Nota: João Branco disponibiliza-se para ser o interlocutor...)




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Nota: o "estado de emergência" foi declarado em 18mar2020...


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Reajustamento das faixas de gestão de combustíveis...

Consultem as novas faixas, por aldeias ou aglomerados, publicadas no site do concelho:

"As faixas de gestão de combustível em redor de cada um dos aglomerados populacionais do concelho de Proença-a-Nova foram reajustadas no âmbito do Plano de Defesa da Floresta contra Incêndios de 3ª geração, em função do edificado atual: em alguns casos, antigas habitações estão abandonadas e já não fazem parte do aglomerado populacional e, noutras situações, novas habitações foram construídas alterando as faixas de cem metros onde é obrigatório, por lei, proceder à gestão do material combustível. Os mapas atualizados podem ser consultados na página do Município, em www.cm-proencanova.pt, devendo os proprietários de terrenos nas faixas de gestão de combustível ter em atenção os novos limites.
De acordo com o Decreto-Lei 124/2006 - Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, os “proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obrigados a proceder à gestão de combustível numa faixa com as seguintes dimensões: a) Largura não inferior a 50 m, medida a partir da alvenaria exterior do edifício, sempre que esta faixa abranja terrenos ocupados com floresta, matos ou pastagens naturais; b) Largura definida no PMDFCI, com o mínimo de 10 m e o máximo de 50 m, medida a partir da alvenaria exterior do edifício, quando a faixa abranja exclusivamente terrenos ocupados com outras ocupações”. No ponto 10, lê-se ainda que “nos aglomerados populacionais inseridos ou confinantes com espaços florestais, e previamente definidos nos PMDFCI, é obrigatória a gestão de combustível numa faixa exterior de proteção de largura mínima não inferior a 100 m, podendo, face à perigosidade de incêndio rural de escala municipal, outra amplitude ser definida nos respetivos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios”. Estes trabalhos devem estar realizados até 30 de abril de cada ano, caso não haja alterações decorrentes da Lei do Orçamento de Estado: em 2019, por exemplo, o prazo foi alterado para 15 de março."

No caso da nossa aldeia, eis o mapa com as faixas (clicar para ver maior, ou ir ao site, pelo link acima. ):



Clicar para ver maior. Ou ir ao site, pelo link acima. Comece pela freguesia/união de freguesias, onde estão as aldeias, por ordem alfabética...

domingo, 19 de janeiro de 2020

10 anos depois!

Há exactamente 10 anos, comecei este blogue! À experiência, como referi na altura. Mas o "bichinho" atacou e não me contive: enveredei por caminhos desconhecidos, aprendi a gerir o blogue e cá estamos...

Assim, comecei por tentar retratar actividades ou situações do dia-a-dia dos nossos antepassados. Depois, acrescentei páginas sobre convívios, festas e eventos da aldeia e de famílias; danças, cantigas e contos tradicionais; dicionário de termos típicos e expressões; informação dos Mercados da série "Os Quintais nas Praças do Pinhal".

Sobre o tema Humor, são já 3 páginas, porque "rir faz bem" e há cada vez mais a necessidade de se "aliviar o stress"! E não havia outra opção, a não ser que fosse eliminando publicações mais antigas...

Mais tarde, acrescentei uma página de homenagens, para que os Valecarreirenses dediquem umas palavras a familiares e, especialmente, aos seus ascendentes queridos.

Há ainda muita informação sobre "O Tempo", com ligações a sites de informação meteorológica. Também informação sobre fases da Lua, nascer e pôr-do-Sol, eclipses ou outros eventos astronómicos, marés (no Verão)...

Curiosidades e utilidades diversas, fotos antigas, listagem de provérbios são outros dos assuntos versados.

A Página 10 é dedicada à Associação LAVRAR - Liga dos Amigos do Vale da Carreira, onde se convocam os membros para as Assembleias, se publicam resumos de Actas, etc.

Passados, então, 10 anos do surgimento deste blogue, iremos continuar lentamente, não esquecendo de agradecer a todos os que já colaboraram connosco e solicitando a que outros Valecarreirenses também o façam.

Na barra lateral, à direita, tenho vindo a adicionar os colaboradores do blogue. É provável que me vá esquecendo de um ou outro; quem vir que está "esquecido", solicito que me avise...

Esperamos que esta nova década nos traga um aliviar gradual da "opressão" económica e financeira a que o país foi sujeito. E que isso se reflicta nas vidas dos Valecarreirenses sobrevivos.

Muito obrigado! Saudações! E vivam os Valecarreirenses, cada vez mais espalhados pelo mundo!...

sábado, 24 de novembro de 2018

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira...

Mais um belo texto/poema do nosso Valecarreirense António Alves, retirado do Facebook: Vejo nele imagens da nossa aldeia, muito bem retratadas pela sua sensibilidade poética. E vocês? Leiam e deliciem-se...
Obrigado, António!


Tudo, incessantemente tudo, até as memórias
desenhadas, redesenhadas, percorrem a nudez
do chão raso de poeira, desnudado de rosas,
terra magra e enxuta dos que já partiram, dos
poucos que ainda estão, canto ritmado de cigarras
e grilos – sentado nos varais duma carroça vejo
tempos em que tudo fervilhava…

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira...

Entre duas leiras abandonadas o que foi um muro,
um amontoado de silvas e tábuas velhas, o que
resta duma picota – um poço vazio, no fundo
partes dum fogão, um vime a querer sobreviver…

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…

Uma roseira, mais velha que o tempo, que sobreviveu
às intempéries e ao abandono, jovem e bela
aos meus olhos, perfumada, filha da terra,
mãe de muitos amores – quantas casas e quantas mesas
terá encantado antes de ser um pouco minha,
antes de fazer parte, de ser a rainha do meu jardim?…

Um poço, um algeirós de pedra, uma roseira…

E eu aqui, a roseira e rosas – únicas, perenes no
meu encantamento, no amor à terra onde nasci,
e a ti…

António Alves
21/06/2017

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Acabou o Convívio/Festa de 2018! Obrigado a todos!

Obrigado a todos os convivas que nos honraram com a sua presença, nos dias 23 e/ou 24jun, no Convívio/Festa do São João...
E a todas as pessoas e Entidades que, de qualquer forma, nos apoiaram, ficamos muito gratos.

T-shirt do Raul Alves Sonso, alusiva ao evento.

Veja fotos e descrição na Página 2, além do Facebook, (evento "Convívio do São João" e cronologias de vários Valecarreirenses)...

O próximo está previsto para 26 e 27 de junho de 2021. - (Mais informação na Pág. 13, que estará activa ao aproximar-se o evento...)

O Presidente da Direcção da LAVRAR,
José Luís Dias (Zé Luís)

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Depois do incêndio, a aldeia ficou triste!

O Vale da Carreira foi fustigado pelo tão falado incêndio que começou na Várzea dos Cavaleiros, Sertã, no passado dia 23jul, e que se propagou rapidamente para sul, na direcção dos concelhos de Proença e Mação... Ao final desse dia, durante a noite e no dia seguinte, os poucos residentes portaram-se como heróis ao defenderem a aldeia, evitando que as casas fossem atingidas pelo fogo. Merecem o nosso agradecimento e, sem dúvida, uma homenagem pública...

Há muitos anos, ou talvez nunca, se tinha vivido aqui uma situação tão dramática como esta... Felizmente, não houve habitações ardidas nem acidentes pessoais!

Eis uma pequena amostra da triste situação em que ficou a paisagem:
 


Nota: Agradeço ao João Patrício a cedência das fotos acima. Também são suas estas palavras: "Desta vez foi por pouco. Graças ao Zé, ao Jorge, ao Ramiro, ao João Branco, à Alice e dois amigos lá se salvou a aldeia. À nossa casa valeram os Bombeiros de Proença que passaram na hora certa, apagaram as chamas à volta da casa e seguiram. Obrigado a todos."


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Acrescentado em 02set2017:

Como o António Joaquim Alves descreve a desolação na aldeia:

"Vale da Carreira
são das estevas as cinco chagas de cristo:
brancas, de jade, contrastam com as folhas, os caules
são das abelhas quase todas as flores:
urzes, rosmaninho, alecrim, flores de laranjeira
das minhas, de algumas, agora restam cinzas
são dos lameiros o branco cru do linho que há de vestir-nos,
as margaças amarelas e brancas, as papoilas frágeis, vermelhas
muitas vezes lavrei as terras, invoquei a chuva, fugi do calor,
mondei as cearas, amanheci e anouteci com o sol
à noite a luz era de candeia, a panela de barro a cozer os feijões,
o serão o começo do dia seguinte,
não havia tempo para insónias
eram tempos de milho trigo e centeio, de moinhos a vento,
de nascer e morrer quase sem sair do mesmo lugar
as ruas eram carqueja, tojos, rosmaninho, moitas
eram o adubo para as próximas sementeiras
aprender era feito de experiência, trabalho natural
numa curva da estrada a minha casa, branca de dois pisos,
uma luz sempre acesa, “Nossa Senhora de Fátima”
estive lá ontem, o fogo engoliu o verde da natureza, dos pinheiros
restam as casas quase todas vazias, agora tristes de gente
António Alves
27/08/2017"

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Acrescentado em 24out2017: 

Apresento aqui uma imagem de satélite de hoje, da banda visível, de Portugal Continental, bem elucidativa do que ardeu neste verão. As áreas a escuro (preto) representam os efeitos dos incêndios (com excepção da albufeira do Alqueva)... Note-se que ardeu em locais até ao litoral da zona centro (entre Aveiro e Figueira da Foz e Pinhal de Leiria)!


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Acrescentado em 30out2017: 

Apenas ontem, mais de 3 meses depois do incêndio, passei na aldeia... Confirmou-se o que temia: encontrar uma espécie de "buraco negro", em toda aquela área. A tristeza invade-nos a alma só de olhar para o que se levanta à frente dos nossos olhos. E imaginar o sofrimento dos que, no local, naqueles dois dias (23 e 24jul) sofreram e se debateram com aquele "inferno"!...

No pouco tempo que tive para tirar fotos, eis mais uma amostra do que se pode ainda encontrar:







sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mais um poema do António Joaquim Alves sobre a aldeia

"Olho a ribeira.

Continua a haver maio mas já não há milho
as noras estão sem alcatruzes
a água está parada
o açude mingou.

De olhos fechados vejo gente
escuto o tic-tac das noras
vozes.

Sonho!...

Um rebanho de cabras desce a encosta
os chocalhos
umas mais afoitas acercam-se da horta.

Uma pedra fende o ar
o Manuel Branco está sentado debaixo duma oliveira.

Ao lado o cão faz-se de morto
de olhos abertos.

António Alves
09/06/2017"


Foto/ Arranjo - António Alves.
(...nada como uma boa mesa e boa companhia.)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Retrato do Vale da Carreira

Nem a propósito! Como que respondendo ao meu pedido de contributos, aqui vai um texto do António Alves, que espelha a situação da aldeia...

Copiei do Facebook e agradeço-lhe...

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"Vale da Carreira…

Portas e janelas cerradas na solidão de quase não existir vida,
ruas desertas da minha infância quase nuas de paisagem.
Casas afogadas de memórias, com saudades de já não haver domingos.

Não se ouvem vozes de crianças a cirandar pelas ruas quase desertas,
até os pássaros deixaram de ter música.
Nas paredes algumas inscrições ainda recordam nomes de antepassados.

As mães já não geram filhos, os pais estão na velhice, gastos, cansados.
Existe uma paz abandonada, uma tristeza que chora e dói de saudade.

Abro os braços e respiro solidão, lembranças de muitos ontens.
Por entre pedras nuas caminho debaixo dum sol que frita os ossos.

Que me importa este silêncio se até o chão e o vazio falam comigo?

António Alves
28/09/2016

Foto - António Alves."



segunda-feira, 2 de março de 2015

O Vale da Carreira de luto, novamente...

     As Famílias Alves e Mendes e, em geral, todos os Valecarreirenses estão de luto, pois a Tia Conceição Alves partiu... Ela que tinha a mais bonita idade de todos (93 anos). A toda a família enlutada deixamos os sentidos pêsames. Que ela descanse em paz e se junte no Céu ao marido, Tio Francisco, que nos deixou já há 20 anos...

     A Tia Conceição foi uma grande mulher, esposa, mãe/avó/bisavó, tia, etc... Penso que, desde a origem da aldeia, terá sido aquela que teve a maior descendência: 13 filhos, 16 netos e 5 bisnetos...

A Tia Conceição, em jun2009.


A Tia, aos 90 anos (dez2011).



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Nota: Veja também publicação mais recente (19mar), bem como a Pág. 4... 

domingo, 30 de novembro de 2014

O canto da lenha (noutros tempos - cont.)

Todas as casas da aldeia tinham (e continuam a ter) lareira, visto haver necessidade de aquecer a casa e seus habitantes, nos tempos mais frios, bem cozinhar alimentos para pessoas e alguns animais domésticos...

A matéria combustível usada na fogueira compreende: para iniciar a chama, risca-se/acende-se um fósforo ou sopra-se uma brasa da fogueira anterior, que inflamam uma carqueja (ou mesmo palha, papel, pinha, etc., quando não há carqueja seca); depois, uns paus miúdos e, por cima disso, a lenha mais grossa, desde esteva a torga, azinheira, oliveira, etc.

De salientar que, antigamente, os fósforos eram mais escassos, não se podia (no salazarismo) usar isqueiros. E, para colmatar isso, era frequente as nossas mães/avós irem perguntar às vizinhas se lhes podiam dispensar alguma brasa que restasse das suas fogueiras anteriores (ou se já as tivessem aceso antes). Isto apesar de ser muito habitual, ao findar do serão, as mães acondicionarem  debaixo da cinza algumas das melhores brasas que ainda havia, para as tentarem manter até de madrugada...

Ao lado da lareira, havia sempre um canto da lenha. Era o local, num canto da cozinha, onde se colocava a lenha que iria ser queimada. Não era a grande (ou maior) reserva de lenha que se tinha. Essa era guardada num canto da cabana ou num curral seco, onde, no final do Verão ou começo do Outono, se amontoava, principalmente a mais grossa, para ser usada nos meses mais frios...

Numa linguagem meio português meio espanhol, contavam os nossos pais que, no tempo da guerra civil em Espanha (1936-39), em que muitos espanhóis se refugiaram em Portugal, alguns escondendo-se dos seus rivais, diziam uns para os outros: "Se te vas a Portugal, não te ponhas en el "canto da lenha", porque está lá o portuguesito que está siempre a decir: "mete lenha, mete lenha"."

Utensílios indispensáveis, para se usar com a lareira: a tenaz, a pá, o abanico (abano), a vassoura, a grelha, os trempes (tripé), etc.


A seta indica o canto da lenha...
Encostadas à lareira, estão a tenaz e uma grelha.